Sei que sabe e sei que vai ler. O infinito tão curto que parece os minutos e segundos correndo, e a angustia de um tempo que não passa, um tempo a ser aproveitado. De que adianta a história de agora não é a hora, se eu quero é agora. Estranho é querer tanto algo que já te pertence e a intensidade da forma que quer não muda. Casa comigo hoje? Eu sei que iria, é louco como eu.
Deixa eu sonhar um pouco acordada, com os caminhos que cercam a tua volta. Ao descer do ônibus, tentando arrumar os cabelos bagunçados, desamassando a camiseta com o pequeno anel no mindinho, eu sei que não vai tirar, é precioso demais, quase mais precioso que uma joia. Estranho o valor que damos para as coisas que valem tão pouco, como chegou um anel de 1 dólar valer uma história inteira. Ah... esses elefantes e suas manias de viver eternamente, como a gente.
Imagino o suor de nervoso caminhando pela Andradas, até o final. Provavelmente eu sei que vou me atrasar, tenho uma mania de ficar pra mais. As mãos no bolso, aquele ar de amor, aquele ar de conforto e de felicidade. E eu vou correr, contar alguma piada sem graça para quebrar o gelo e me auto julgar por estragar o momento, quando na verdade, vamos relembrar muito dele em uma dessas nossas conversas de nós dois.
Por enquanto, me resta pensar em ti. Com os fones de ouvido, uma camiseta preta, bermudas e chinelo, na beira do mar. Com a cabeça no céu, apreciando todas as pequenas coisas que tu tanto ama, tentando distrair a saudade. Te imagino com o vento batendo no rosto, uma paisagem de livro, ouvindo The Kooks, pensando em nós dois. Tu é o meu personagem preferido, por ser real. Por ser a coisa que eu mais amo escrever sobre.
E, enquanto eu espero, contando até os milésimos de segundo para a tua volta, continuo aqui sonhando, com o garoto sozinho sentado na praia. Desejando um pouco que esteja aqui e um pouco que eu esteja ai. Desejando um abraço apertado e uma piada sem graça. Vou delirando, imaginando, te desenhando em uma história. Te escrevendo.