Eu tenho uma coletânea
Eu tenho uma coletânea de poemas
feitos para você
feitos à meia-noite
feitos depois
uma coletânea de poemas para você.
Poemas sobre tudo que eu vivi
sobre o que eu não sei que você viveu
sobre o que eu gostaria de saber
sobre o que você passou.
Facilmente.
Bem mais facilmente que eu.
Não tenho mais tanta certeza disso agora.
Tenho certeza que você é muito bom em esconder
e tenho certeza que você é péssimo em esconder
de mim.
Tenho certeza que
se alguém sabe de tudo
eu sei de tudo tanto quanto você.
Eu sei o que doeu
e quando finalmente deixou de doer.
Ou quando você decidiu que não poderia doer mais.
Que já tinha doído demais e era hora.
Não se apagam as coisas assim,
no entanto,
quando se decide.
Tenho certeza que você se decidiu muitas vezes
e voltou atrás em várias delas
quase todas
e só percebeu quando já doía demais de novo.
De novo esse inferno.
De novo esse coração inquieto.
De novo essa maldita vontade de perguntar o que aconteceu
de dar o ombro
de dar a outra face
chora o que quiser aqui
o que foi que eu fiz?!
De longe,
de novo esse inferno.
Não chora aqui.
Eu não aguento mais esse choro aqui.
O que foi que eu fiz?!
Nós dois fizemos.
Eu não quero ouvir.
Eu vou embora daqui
outra pessoa há de te ouvir.






