são poucas as cidades que mesmo em dias de céu cinzento carregado de nuvens a chorar chuva grossa continuam a ser bonitas. Lisboa é.
foi num dia de chuva que familiares, amigos, conhecidos e admiradores se reuniram para bater palmas e brindar a mais uma conquista de Kalaf, o músico, o escritor, o cidadão do mundo, o lisboeta de alma.
já fui a muitas apresentações de livros, em várias cidades e países, mas nunca de alguém que conhecesse. emocionei-me quando ouvi as palavras que, merecidamente, lhe eram dirigidas, e quando se leram trechos da sua paixão crónica pela cidade.
a apresentação de um livro é um momento de intimidade profunda em que o escritor tem o privilégio, e pavor, de ver em primeira mão no rosto de quem o rodeia as emoções provocadas pela cantiga das suas palavras mastigadas na mente e cuspidas numa folha de papel.
por ter sido na leitura de uma poesia que conheci o Kalaf, a primeira recordação que lhe guardo é da voz profunda. por isso quando o leio, a minha leitura tem som, o seu, e é a sua sensibilidade descritiva que com facilidade me transporta ao universo que nos apresenta.
regresso a casa de livro debaixo do braço, assinado pelo escritor e volto a namorar algumas das frases que já me embalaram. de pé numa sala rodeada de arte, naquele sábado chuvoso, a atenção de todos nós pertenceu a Kalaf Epalanga, cuja elegância e melodia caracterizam, quer-me parecer, tudo o que toca.