”- Você sabe alguma coisa sobre Pitágoras? E Colin respondeu: - Conheço o Teorema dele. E ela completou: - Não, eu quero dizer sobre o cara. Ele era estranho. Achava que tudo podia ser expressado numericamente, como se, tipo, a matemática fosse capaz de abrir as portas para o mundo. Tipo, tudo. - Tudo, tipo, até o amor? - Colin perguntou, ligeiramente, incomodado com o fato de ela saber algo que ele não saiba. - Especialmente o amor - Katherine I disse. - E você me ensinou o suficiente de francês para que eu possa dizer: 10-5 espaço 16-5-14-19-5 espaço 17-21-5 espaço 10-5 espaço 20-1-9-13-5. Por um bom tempo Colin ficou olhando para ela fixamente sem dizer uma palavra. Ele decifrou o código com bastante rapidez, mas permaneceu em silêncio, tentando imaginar quando ela teria tido a ideia de fazer aquilo, quando teria decorado a frase toda. Nem mesmo ele teria sido capaz de associar os números às letras das palavras em francês tão rápido. Je pense que je t’aime, foi o que ela disse numericamente: ‘Acho que gosto de você’. Ou: ‘Acho que amo você’. O verbo francês aimer pode significar duas coisas. E era por isso que ele gostava dela e ao mesmo tempo a amava. Ela falava com ele numa língua que, não importava a quantidade de horas que fosse estudada, não poderia ser totalmente compreendida.”
- GREEN, John. O Teorema Katherine.











