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Sun Wukong, drawn by keethy.
Carta: “Gostar de quem me machuca”
Eu não sei explicar o porquê de ainda gostar de você.
Você me machuca, me ignora, me trata como se eu não tivesse valor,
e mesmo assim… meu coração insiste em te querer.
É como se cada dor que você me causa ainda fosse um lembrete
de que, em algum momento, eu fui feliz ao seu lado.
Eu me pergunto todos os dias o que há de errado comigo.
Por que é tão difícil soltar alguém que só sabe me fazer doer?
Eu tento seguir, tento te esquecer, mas quando percebo,
estou revivendo cada lembrança, cada palavra, cada gesto seu,
mesmo sabendo que, no fim, tudo isso só me destrói.
Você nunca percebeu o quanto eu lutei pra dar certo,
o quanto eu calei a dor pra continuar perto,
o quanto eu aceitei migalhas achando que um dia
você me daria o amor inteiro.
Mas o amor que machuca não é amor — é prisão.
E, mesmo sabendo disso, ainda me vejo presa em você.
Às vezes fecho os olhos e tento imaginar o dia
em que eu não sinta mais nada,
em que o seu nome não doa,
em que eu finalmente consiga respirar sem sentir falta.
Talvez esse dia chegue, devagar…
E quando chegar, eu sei que vai doer menos.
Por enquanto, só me resta aceitar que eu te amei mais do que devia,
e que esse amor, mesmo tão bonito dentro de mim,
nunca foi suficiente pra te fazer ficar.
02:23
A dor de quem ficou
Eu a conheci num dia comum, desses que a gente atravessa sem esperar grandes mudanças. Eu não esperava ninguém. Não procurava nada. Não queria muito. Mas ela chegou sem prometer ficar, sem me pedir licença, sem me avisar que seria abrigo.
E foi.
Ela foi casa, riso, tempo bom. Foi paz em meio ao barulho que eu carregava por dentro. Ela sentava do meu lado e o mundo parecia desacelerar. E, por algum milagre, ela entendia meus silêncios até aqueles que nem eu entendia. Com ela, até o que doía parecia suportável. Ela fez da minha presença um lugar onde eu queria morar.
E, pela primeira vez, eu acreditei que o amor não era guerra. Só que o tempo O tempo não teve dó. Porque eu a perdi no exato momento em que eu mais a amava. Quando meu peito era inteiro dela. Quando tudo que eu queria era fazê-la sorrir pra sempre. Ela partiu quando minha alma ainda chamava por ela nas noites mais longas. Ela se foi quando meu corpo ainda tremia de saudade mesmo com ela ali do lado. Ela foi embora quando eu estava disposto a ficar. E isso, isso me quebrou. Não foi uma despedida com lágrimas e adeus. Foi aquele tipo de perda que não se vê, mas se sente. Que não tem porta batida, só ausência. Ela deixou de voltar. De responder com o mesmo brilho.
De me chamar de lar. E eu fiquei, não parado, mas caído, no meio do caminho entre o que fomos e o que nunca mais seríamos. Ela foi a pessoa que eu perdi. E não foi qualquer perda. Foi aquela que deixou cicatriz até onde eu achava que era só pedra. Foi aquela que fez barulho no silêncio. Que me ensinou que às vezes a gente ama tanto, que mesmo com a alma gritando "fica", a pessoa vai embora. E sabe o que mais dói? É que eu ainda carrego o melhor dela aqui dentro.
Mesmo depois de tudo. Mesmo sem ela saber. Tem dores que a gente não supera. A gente aprende a viver com elas. Como quem aprende a andar mesmo depois de perder as pernas. Como quem sorri mesmo sem ter mais motivos. Como quem escreve pra não se perder. Essa é a minha forma de amar o que ficou. E honrar o que, mesmo ausente, ainda vive em mim. Por tudo que ficou depois dela.
Eu a conheci em um momento que eu não esperava por ninguém, e a perdi no momento em que eu mais a amava...
Eu escolho te amar
em silêncio,
porque em silêncio
eu não encontro rejeição.
Eu escolho te amar
em solidão,
porque em solidão,
mais ninguém te tem senão eu.
Eu escolho te adorar
à distância,
porque a distância,
me protegerá da dor.
Eu escolho te beijar
no vento,
porque o vento
é mais gentil do que os meus lábios.
Eu escolho te abraçar
nos meus sonhos,
porque nos meus sonhos,
tu não tens fim.
Carta — “O sonho que me deixou sozinha”
Hoje precisei escrever, talvez pra aliviar o que ficou aqui dentro.
Sonhei com você ao meu lado… caminhávamos de mãos dadas, rindo, falando sobre o futuro como se ele fosse nosso. Tudo parecia tão real que por um momento esqueci que era apenas um sonho.
Mas, de repente, me perdi no caminho.
Quando olhei pro lado, você já não estava mais lá. E aquele vazio, que antes era medo, virou certeza: eu estava sozinha.
Acordei com o coração apertado, tentando entender onde foi que te perdi. Talvez tenha sido o tempo, talvez o destino, ou talvez apenas o fim natural de algo que já não cabia mais.
Ainda assim, não há mágoa — só uma mistura de saudade e gratidão por ter vivido algo que, mesmo breve, foi verdadeiro.
Você foi sonho, foi abrigo, foi pausa e recomeço.
E mesmo que agora nossos caminhos sigam diferentes, quero que saiba: te levo comigo, não como dor, mas como parte da minha história.
Com carinho,
[“de mim, pra você”]
♥️
Carta – “O que restou entre nós”
Não sei ao certo o que você sentia.
Você falava tanto de paixão… dizia que estava apaixonada, que me queria, que tinha planos e sonhos comigo. E eu acreditei em cada palavra. Acreditei porque seus olhos pareciam dizer o mesmo, porque o seu jeito me fazia sentir que era recíproco.
Mas, quando finalmente te quis do mesmo jeito, quando o meu coração se abriu e te escolheu sem medo, você já não me via mais.
Foi como correr atrás de alguém que seguia em outra direção.
Por mais que eu estendesse a mão, o espaço entre nós só crescia — e, aos poucos, percebi que o que existia antes se desfez no silêncio.
Talvez eu tenha chegado tarde demais.
Ou talvez você nunca tenha estado realmente ali.
O que sei é que fiquei parada, tentando entender em que momento o seu “nós” virou apenas “eu”.
Ainda dói lembrar do que poderíamos ter sido, mas hoje só me resta aceitar: o amor que imaginei vivemos juntos, na verdade, eu vivi sozinha.
Carta para quem um dia foi tudo
Eu te quis quando ninguém mais se importava com você.
Eu quis ficar quando todos te deram as costas.
Aguentei o peso do teu silêncio, o frio das tuas ausências e o caos que vinha junto com o teu nome.
Fiquei, mesmo quando tudo em mim gritava para ir embora, porque o amor que eu sentia era maior do que o medo de me perder.
Hoje eu entendo tudo — pois tudo o que fiz foi te querendo.
Quis te cuidar quando eu mesmo precisava de cuidado.
Quis te entender quando nem eu me entendia.
E, no fim, percebi que estava lutando sozinho por algo que já tinha acabado dentro de você.
Mas não guardo rancor.
Eu aprendi.
Aprendi que amar não é insistir até se quebrar.
É saber reconhecer quando o outro já não quer ser salvo, e mesmo assim desejar que ele encontre paz.
Você foi, e eu fiquei — mas fiquei comigo, e isso já é o bastante.
Hoje não te espero mais, mas te agradeço.
Porque, sem perceber, você me ensinou o valor de ficar por mim.
Com carinho,
De quem um dia te quis mais do que devia.
E hoje eu entendo tudo,
pois tudo que fiz foi te querendo.
Quis te cuidar quando mal sabia cuidar de mim,
quis te entender quando eu mesmo era um mistério.
Me perdi tentando te encontrar,
e encontrei em mim o vazio que você deixou.
Mas já não dói como antes.
Agora só resta a paz de quem tentou de verdade,
e o silêncio doce de quem finalmente aprendeu a deixar ir.
31/10/2025 - 08:45