O céu já destacava a tarde, expondo-se em tons alaranjados. Boo, para variar (e sinta a ironia!) estava ligado no famigerado 220; grande parte da culpa devido aos doces — roubados, diga-se de passagem — que havia ingerido no dia anterior. Bem, mas não havia problema! Afinal, era o tão esperado final de semana, e as vantagens de tais dias específicos eram a certa ausência de tarefas a se cumprir, muito embora sentisse grande falta dos professores. Ainda assim, apreciava o tempo livre concedido, posto que tivesse diversas ideias pipocando sua mente, uma a uma, e sem parar.
Entre tantos planos e gracinhas, Hae tramava uma certa missão há muito tempo (leia-se: trinta minutos), e só havia uma pessoa no internato na qual podia acompanhá-lo. Uma aventura digna de uma gatinha e um labrador, certamente. Em meio a esse tempo de reflexão, estava adicionando a sua bolsa escolar alguns acessórios no mínimo engraçados, e, ao seu ver, imprescindíveis. Ele iria pseudo-invadir o dormitório das garotas, logo, precisava de um disfarce! Fuçou por debaixo da cama, onde havia escondido uma peruca morena chanel; tendo-a enfim em mãos, ajeitou-a erroneamente sobre os cabelos, saindo em disparada para fora do prédio dos dormitórios masculinos, em direção aos femininos. Claro, ele poderia ter entrado na região das garotas, isso se seu coração não tivesse gelado ao ver um certo inspetor justo na entrada (infelizmente, um que o conhecia, ele e suas travessuras). Fora a sua pulseira, que o denunciaria sem pestanejar. Mas o rapaz, felizmente, tinha uma saída. Moveu-se para o lado adjacente, de encontro com as janelas de cada quarto. A janela de Lina era a segunda do primeiro andar, ou ao menos ele esperava que sim. Ajuntando algumas pedrinhas nas mãos, tacou-as, uma a uma, no vidro específico. “Pshhh! Noona!” E... Nenhuma resposta. Mais uma vez. Nada. Boo teve que apelar para a sua mala, sacando dali um gatinho de pelúcia; tão logo lançou-o, e, em vista da janela estar parcialmente aberta, a pelúcia acabou por adentrar no quarto. “Noooooona! Aqui!” Chamou-a novamente, tentando não fazer alarde, mas, tratando-se de Hae Booram, era no mínimo impossível.