O salão estava cheio de criaturas que ninguém jamais tinha visto na vida. Talvez em algum livro infantil, ou para os amantes de cultura pop, em filmes de fantasia e RPG, mas nem mesmo aqueles que tinham uma paixão por coisas exóticas poderiam ter imaginado o que era Nelore. Os salões de altura infinita, com colunas de mármore branco que dão vista para uma gigantesca cachoeira que parecia, de alguma forma, tanto acoplada ao castelo quanto com uma montanha rochosa e antiga. Parecia estranho, mas até o ar era diferente: mais fino, com cores que pareciam piscar do nada, como vagalumes que dançavam pelo salão.
Os rostos dos habitantes da cidade mágica eram um misto de confusão e repulsa. Já os dos humanos que cruzaram a dimensão da Terra para Eskye, no entanto, era de puro choque. O chão, também de mármore, era tão brilhante que era quase possível quase o reflexo deles espelhado, capturando todo o assombro de terem sido absorvidos para outra dimensão.
“Bem-vindos!” exclamou a criatura sentado em uma cadeira do que parecia rocha, mas cravejada de tantas pedras preciosas que o próprio ser parecia brilhar. Ele tinha características humanas, ou quase. Parecia leonino de alguma forma: o cabelo ruivo e comprido, os olhos felinos e amarelos, a pelagem em seu rosto que lembrava a de um gato, mas bem mais fina. As mãos, porém, eram garras escuras e ele parecia ter quase dois metros de altura, coberto por um manto de veludo azul pesado e colete em tons de ouro.
O rei Andrath Aetrisse, obviamente, não esperou que ninguém respondesse antes de prosseguir: “Bem-vindos ao nosso humilde lar…” - murmúrios de confusão ainda se faziam ouvir no meio da multidão, uma pergunta se sobressaindo, a qual logo foi respondida. “Vocês estão no mundo de Eskye, muito longe de casa, e são meus hóspedes a partir de agora. As Chaves assim quiseram, e não questionamos as Chaves por aqui”
“Sei que nunca devem ter ouvido falar acerca de nosso mundo. É verdade que ele permanece oculto para que nossas riquezas não sejam usurpadas e, me perdoem, mas sua raça não é conhecida exatamente pela falta de ganância” - o anfitrião deu um sorriso minúsculo nesse ponto, como se não pretendesse pedir desculpas verdadeiramente. “Isso não significa que não estivemos observando outras dimensões durante todo esse tempo, esperando o momento em que seríamos finalmente abençoados com a chegada dos heróis da promessa. E, agora, aqui estão vocês” - gesticulou, dessa vez, se dirigindo também à corte, como se exibisse os recém-chegados.
Demorou para que voltasse a falar, tendo permanecido pensativo por algum tempo, em que o burburinho voltou a tomar conta do salão. Isso até que o monarca erguesse a voz mais uma vez: “Há outra coisa sobre as Chaves que precisam saber: estão desaparecidas, sumidas, perdidas, escondidas, há quase mil anos. Ninguém sabe do paradeiro, ou ninguém sabia, até agora” - confessou, juntando os dedos a frente. “O Oráculo nos prometeu que seriam encontradas quando vocês chegassem. Ou melhor, que seriam encontradas POR VOCÊS” - ele despejou de uma vez, ignorando o fato de que todos já estavam bastante chocados. “Encontrá-las é a condição para que voltem para casa. É o que diz a Profecia” - foi seu anúncio final, a fala sendo suficiente para causar ainda mais alvoroço no lugar, com o qual Aetrisse não se importou. Na verdade, ergue-se de seu trono, já dando as costas. “Não me olhem assim. Não sou eu que faço as regras”
PRIMEIRA TASK: A REAÇÃO
Encarem essa primeira narração como um detalhamento do último parágrafo do plot, já que o rp vai ter início alguns dias depois da Chegada (dia 01). Mais detalhes serão dados no primeiro evento!
A proposta para a task inicial é bastante simples: na forma de PoV ou headcanons, narre o que seu personagem estava fazendo, exatamente, quando foi sugado para o mundo de Eskye, e qual foi a primeira reação dele diante de todas as novidades trazidas; do trauma da mudança e das coisas que deixou para trás, considerando, também, a narração acima, do primeiro contato com o rei e sua corte.
Lembrando que a narração deve englobar apenas o primeiro dia!
Considerem esse, também, como um pontapé inicial do jogo, pois a realização da task vai situar melhor cada personagem dentro desse novo universo. Ela não é obrigatória, mas é importante para o desenvolvimento individual e para que, desde já, todos comecem a acumular pontos!
Nesse universo mágico, vou trabalhar com a concessão de novos poderes e artefatos mágicos a cada rodada e os pontinhos adquiridos com tasks valerão como moeda para a compra de itens, se for do interesse do player.
Era o dia de estreia de seu mais novo filme, finalmente estava ganhando maiores papéis e mais reconhecimento no ramo artístico, estava tendo o que merecia por todo seu esforço. Já havia feito o cabelo a maquiagem, mas queria garantir que tudo estivesse perfeito, então dispensou a maquiadora para que pudesse se analisar no espelho com maior calma e cautela. Antes que chegasse em frente ao espelho o celular apitou, temendo que fosse algo importante não demorou a desbloquear a tela do celular e ver do que se tratava, mas nada mais era que uma mensagem de sua irmã mais nova, Susan. ❝Parabéns pelo novo filme!!! Todos estamos orgulhosos de você aqui, sei que você e papai não tem se falado muito após o funeral da mamãe ano passado, mas ele está preocupado com você, sei que está bem ocupada, mas não esqueça de mandar notícias, ok?❞ E logo abaixo havia um vídeo dos sobrinhos gritando um ❝Fighting!❞ em uníssono enquanto pulavam, o que fez um pequeno sorriso brotar em seu rosto por alguns segundos. Mas este logo foi embora, ela não tinha tempo para férias, não quando sua carreira parecia estar finalmente deslanchando, ela havia nascido para atuar e finalmente estava tendo reconhecimento que deveria.
Jogou o celular sobre a poltrona, optando por responder a mensagem mais tarde, caminhando na direção do longo espelho e ajeitando o chapéu preto e branco sob a cabeça, um dos adereços que se destacava na roupa que usava. Foi em questão de um piscar de olhos, subitamente não estava mais diante do espelho, mas em um grande salão rodeada de pessoas estranhas e esquisitas, sentiu o chapéu se movendo e quando olhou para o chão conseguindo ver seu semi reflexo, vendo chifres horrendos saindo de sua cabeça, foi de imediato o grito que emitiu. Em sua mais pura frustração e ódio, aquilo não poderia estar acontecendo com ela, não agora. Levou as mãos aos chifres tentando os arrancar, mas não pareceu surtir efeito e só então ela se deu conta de que uma figura leonina falava algo. Humilde lar? Ela pouco se importava com isso, ela tinha uma carreira de sucesso e uma estreia para comparecer, não poderia ficar ali e muito menos com aquilo na cabeça.
Povo conhecido pela ganância? Bom, pelo menos não saímos sequestrando pessoas de outro lugar para trabalhos absurdos. Foi tudo que se passou pela cabeça dela naquele momento, queria apenas voltar o quanto antes e se livrar daquela mutação estranha, seus pensamentos eram tão focados nisso que era difícil prestar total atenção nas besteiras faladas por aquela criatura que ela sequer acreditava que estava vendo. Não se importava com qualquer título de heroína ou coisa parecida, apenas gostaria de voltar para casa e para sua vida, de nada adiantaria se voltasse tarde demais o sucesso que demorou a conseguir tivesse desaparecido. A ideia de ter de achar chaves perdidas não lhe agradava em absolutamente nada, tal como os chifres que agora possuía, mas se eram as chaves que ela precisava para voltar para a vida que merecia, então, ela não iria medir esforços para as conseguir.
Ainda não entendia bem por que ela dentre tantas pessoas ter sido escolhida para uma missão profética, ainda mais quando ela parecia ser uma das poucas pessoas ali que fazia parte do show business, o que uma atriz poderia ter de útil para tal lugar mágico? Não fazia ideia, mas pretendia descobrir com o tempo, tal como pretendia compreender mais daquele mundo estranho e que parecia ter saído de algum livro feito para crianças. Não fazia ideia de como se sentir, mas ao menos ela tinha noção de seu objetivo e de que não pouparia esforços para completar a missão que lhe foi dada e sair dali o quanto antes.
❛ ░ ✰ ˙˖ E então tudo ficou em câmera lenta. Seria o suficiente para que eu pudesse reavaliar cada ação feita em minha vida, caso não fosse o desespero tomando conta de cada molécula do meu corpo. O veículo sacudia e, por mais que o cinto de segurança me mantivesse bem presa ao acento, a noção de que a pista agora ficara de lado e que o carro estava em queda livre não ajudava nem um pouco a minha linha de raciocínio. O que eu deveria fazer em um momento como este? Havia, afinal, algo que eu de fato pudesse fazer para amenizar o estranho evidente? Não obtive resposta a tempo, e o que veio em seguida foi apenas a escuridão.
Abri os olhos com dificuldade, pois uma grande dor de cabeça havia tomado conta e tudo o que eu mais queria era permanecer com os olhos fechados. Havia muita luz no local de demorou alguns segundos para que eu conseguisse me situar. Eu estava em uma espécie de salão, cercada de várias outras pessoas e... bem, isso são realmente pessoas?! Franzi o cenho enquanto voltava o olhar ao meu redor, observando e tentando compreender o que eram aquelas criaturas presentes ali. Em seguida, me pergunto como que eu vim parar aqui, considerando que há poucos instantes eu estava dentro de um carro em queda livre. 'Eu... morri?’ Questiono-me mentalmente, voltando agora o olhar sobre o meu próprio corpo. Apesar da forte dor de cabeça, não sinto mais nada de ruim. Levo as mãos até a cabeça, mas não há nenhum vestígio de sangue ou sequer algum ferimento referente ao acidente. Entretanto, algo nas minhas orelhas chamam a minha atenção: elas estão estranhamente pontiagudas, assim como as de alguns dos outros seres que me cercam. ‘O que é isso?!’ As dúvidas não param de surgir e quanto mais eu penso sobre tudo e tento processar, mais a minha mente dói. “Eu acho que preciso me sentar...” Comento baixo, procurando ao redor algum assento ou algo do gênero. Sem obter muito sucesso, me contento em me encostar contra uma das colunas de mármore branco, voltando agora a minha atenção para uma das criaturas, provavelmente um líder ou algo do gênero, o qual começou a falar em alto e bom som.
Meus ouvidos permaneciam atentos ao comunicado, mas tudo o que eu conseguia captar eram algumas informações, as quais não faziam o menor sentido para mim e me deixavam cada vez mais confusa e desconfortável. Eskye? Chaves? Raças? Heróis da promessa? Tudo me parecia muito estranho, mas a parte que mais me incomodou foi saber que supostamente eu só poderia voltar para casa após as tais chaves serem encontradas. “Isso não faz sentido...” Minha voz soou novamente baixa, e talvez fosse bem melhor assim. Sou apenas uma patinadora artística que passou a vida treinando e competindo em competições de patinação. Como que eu posso agora, do nada, virar uma heroína de um lugar que eu não sei onde e nem como é e encontrar essas tais chaves desaparecidas?! ‘Será que eu realmente morri?’ O questionamento ainda se fazia presente em minha mente, ainda que não fizesse sentido algum. Por que a morte traria alguém para um cenário desses? E, caso fosse reencarnação, por que eu literalmente iria brotar do nada no meio de um salão? A confusão poderia se fazer mais que nítida em meu semblante, porém ao meu redor também se encontravam dezenas e mais dezenas de supostos heróis igualmente confusos. Portanto, assim que a criatura cessou a sua recepção, comecei a prestar atenção nos outros no salão. Eu precisava de respostas e nada melhor do que várias pessoas perdidas para cessar as minhas dúvidas sem que eu precise de fato me expor.
então era assim que o fundo do poço se parecia. paredes cinzentas. pichações mal limpadas, uma penitenciária mantida com o mínimo do recurso e pessoas se matando por um cobertor extra no inverno. ela sequer estava surpresa. não era sua primeira prisão, mas pelo menos, aquela parecia ser a última, já que dessa vez, não a deixariam sair tão cedo.
conhecia a rotina. horários de recolher, hora para comer uma comida que tinha gosto de meia, alas separadas por cor da pele e nacionalidade. quem diria que o inferno era apenas uma extensão do ensino médio?
cinco da manhã. a escolha era simples na verdade. ou ela levantava antes das outras detentas ou não tomava banho, já que as sete em ponto o banheiro estava transbordando de mulheres disputando um pedaço no espelho ou água quente nos chuveiros. era como qualquer banheiro feminino, na verdade, apenas que aquelas mulheres estavam acostumadas a matar por coisas bem mais banais do que aquilo e era apenas mais fácil perder algumas horas de sono do que se meter numa briga em nome da higiene pessoal.
ela ligou o chuveiro, deixando a água quente relaxar os músculos rígidos e tensos. era igualmente assustador e relaxante estar sozinha naquele banheiro cinza, velho e mal conservado. era assustador porque era um lugar deprimente, ainda mais com nada além do barulho da água rangendo nos canos velhos para tirar a atenção de que ela estava na cadeia. nada melhor do que uma dose de choque de realidade antes do café da manhã. por outro lado, era indescritível a sensação de ter um momento para si. um momento só seu. sem ninguém gritando ou lhe dizendo onde ir, o que fazer, a hora de comer ou de dormir. uma liberdade tão curta e frágil, mas mesmo assim, inteiramente sua.
pegou a toalha, enxugando o corpo antes de enxugar os cabelos, afinal, ela só tinha uma toalha para ambas as tarefas. prendeu a toalha nos cabelos, vestiu o uniforme alaranjado e passou a escovar os dentes, aplicar uma fina camada de rímel nos olhos e lápis de olho na linha d’água. era só o que ela tinha ali e parecia ridículo se preocupar em passar maquiagem na cadeia, mas pequenas doses de normalidade eram a diferença entre o mínimo de sanidade e a completa perda de controle.
ela nem precisava saber as horas, não tinha como, afinal não tinha relógio, para saber que o sinal que marcava o começo do novo dia iria tocar no mesmo momento que ela aplicava uma fina camada de óleo de coco nos lábios. era todo dia a mesma coisa. ela pegava seu estojo no mesmo momento que o banheiro começava a encher de mulheres. na primeira condenação, isso era algo que incomodava cortilla, que na época ainda estava acostumada a ser chamada de jen, e o sobronome parecia esquisito em voz alta. agora, ela estava mais do que habituada àquela rotina, àquela vida.
as sete e meia o café era servido. as oito elas tinham uma hora no sol, as nove as atividades do dia começavam. cortilla ajudava na cozinha, o que lhe dava acesso a muitos ingredientes para as suas loções e unguentos que ela trocava na cadeia, num sistema financeiro movido pelo escambo que era de dar inveja na idade média. depois ela servia o almoço e então às 13:00 voltava para a lavação de pratos e a preparação da janta enquanto as outras detentas voltavam para sua atividade também. às 17 elas jantavam e então podiam ter algum tempo de lazer. livros, cartas, televisão, cada uma com o seu vício, então elas se preparavam para dormir e então faziam tudo de novo no dia seguinte.
era cinco da manhã de novo. e ela se encaminhava para tomar seu banho. tinha dormido mal na noite passada. sonhava com o ex-marido, como sempre, tinha acordado sufocando um grito e levantando da cama como se precisasse correr o mais rápido que pudesse. mas então, ela estava na cadeia, não tinha para onde correr. ela tomou o banho e antes que pudesse perceber estava encarando seu reflexo no espelho, como se alguém tivesse avançado a cena e ela não tivesse certeza se realmente tivesse feito aquilo. se não fosse pelo cabelo molhado, ela talvez até duvidasse de que tinha realmente tomado banho. olhou para o lado, bem no momento que um barulho de algo caindo surgiu no outro lado do banheiro. genesis se moveu para esquerda, o lugar mal iluminado e cinzento fazendo com que um calafrio percorresse o seu corpo.
em um momento ela estava ali, no meio do corredor e então, uma sensação de vertigem, como se ela fosse vomitar lhe acometeu e antes que ela pudesse chegar ao vaso sanitário ela estava encarando o próprio reflexo no mármore. um mármore chique que parecia pertencer a casa branca.
ao seu redor tinham pessoas, pessoas como ela, no centro de um salão cheio de… criaturas. aquele tinha que ser o sonho mais bizarro que ela tinha tido. talvez tivesse a ver com o fato de que eles estavam exibindo star wars no dia anterior, e sua mente tinha criado todo um cenário para aquilo, mas então um cara que parecia um leão começou a falar e mesmo se as roupas e o trono cheio de pedras preciosas denunciassem que era ele quem mandava por ali, ela saberia pela maneira com que ele se portava. enquanto ele falava, ninguém ousava interromper, ou sequer respirar. de alguma forma, aquele cara a lembrava do diretor do primeiro presídio que ela cumpriu pena. um completo babaca.
assim que ele parou de falar ela se permitiu olhar em volta. estava vestindo o uniforme laranja, o cabelo molhado e aparentemente algumas pessoas decidiram manter distância dela. o que era uma ótima primeira impressão para um grupo de desconhecidos. uma garota que parecia muito nova chorava alto, se perguntando o que estava acontecendo e se beliscava ao ponto de deixar vergões no braço. “o que está acontecendo?” ela perguntava para ninguém em específico. cortilla encarou alguém de pele lilás no canto da sala, que a olhava com nojo, felizmente para ela, ela já não se abalava mais com aquilo. “acho que fomos sequestrados.” anunciou ela, de maneira entediada. quando a garota loira voltou a cair no choro, genesis percebeu que apesar daquele lugar estar longe de ser o ideal, ser sequestrado não era uma coisa ruim. não para ela. para alguém que tinha chego no fundo do poço, não existia nenhum outro caminho a não ser para cima.