Já estive em filas de banco, de baladas, de shows e também para tirar a minha segunda via do RG no “Poupatempo”. Mas nunca em um museu. Ainda mais porque museu soa para a maioria de nós brasileiros como algo chato, entediante e com poucas pessoas.
Ficamos por volta de quatro horas na fila para enfim entrarmos e, para piorar, sob um calor escaldante do verão paulistano. Tinha tudo para ser uma grande furada.
O tamanho da fila podia ser explicado por ter sido o último fim de semana da exposição sobre o diretor Stanley Kubrick, que estava fazendo muito sucesso e era anunciada há tempos como programa imperdível em revistas, jornais e internet. Logo, resolvemos ir.
Já tínhamos tentado ir algumas vezes, mas como grandes procrastinadores que somos, deixamos para a última hora.
O museu era o da imagem e som (MIS).
Um museu diferente. Acho que a melhor palavra que o define é interatividade. Não é um lugar passivo, em que as pessoas basicamente passam e tentam entender alguns rabiscos em uma tela pregada na parede.
Como o nome já diz, o que realmente marca o local são os sons e as imagens expostas. Você é inundado por tudo aquilo e quase obrigado a também fazer parte da exposição. Tanto que em uma das salas, estávamos observando disfarçadamente as pessoas por máscaras e quadros falsos, tipicamente daquelas que vemos em filmes de terror.
Em outra sala, estávamos em “2001: Uma Odisseia No Espaço” com toda aquela riqueza de detalhes e minutos depois, morrendo de medo ao passar pelos corredores do filme “O Iluminado”.
Não precisa ser nenhum expert de arte para aproveitar o passeio. Basta entrar com os olhos bem abertos e ouvidos ligados. Até o preço é democrático: se você é estudante, a entrada custa apenas 5 reais para entrar. (As terças, a entrada é gratuita).
Após aquela fila toda e mais algumas horas dentro do museu, estávamos muito cansados, porém não paramos por ali. O meu desejo era por liberdade, o que significaria algum lugar tranquilo, pacifico e que tivesse boa comida para relaxarmos após o dia corrido.
Porém, ela teria que ir a um aniversário de um amigo. Fui acompanhá-la.
Ao chegarmos, era um lugar totalmente diferente do que eu queria para o final daquele dia. A não ser pelo trocadilho por ser um karaokê no bairro da Liberdade. "Chopperia Liberdade".
Não existia padrão. Tanto na decoração, como nos que frequentavam. Um pedaço do Japão no Brasil, não poderia ser diferente.
Em algumas mesas, patricinhas, em outras apenas orientais, grandes grupos comemorando aniversários. No cardápio: sushi, picanha, pizza e pastel. Não era nada ordenado naquele local.
Barulho. Risadas altas. Barulho. Cantores desafinados. Alegria.
Mas depois de um tempo, comecei a me divertir com tudo aquilo. Fomos contagiados por todo aquele clima difuso e inclusive já estávamos acompanhando em único som os clássicos de karaokê cantados pelos menos tímidos ou mais alcoolizados.
Tinha sido, no final das contas, um dia muito intenso. Daqueles difíceis de se digerir. Porém, mais do que descansar, queríamos sossego, o mesmo que Tim Maia havia dito em uma de suas músicas.
Agora veja o lado dela dessa história em: ladoela.tumblr.com
Curta aqui nossa página no face.