Nostalgia
I
Desde que nascemos aprendemos a marcar pessoas, momentos, lugares, o que seja, por causa do cheiro que é exalado. E se estamos em qualquer lugar e sentimos um cheiro que nos lembram algo, entramos em um vasto devaneio.
Estava no ônibus indo para casa quando entra alguém com aquele cheiro. O cheiro dela, eu a procurei. Olhei para cada rosto naquela lotação para tentar encontra-la, mas a única coisa que achei estava dentro de mim, nas minhas lembranças. Nossas lembranças.
Pus meus fones de ouvidos e coloquei a música que ela costumava cantar para mim, fechei meus olhos e pude sentir mais uma vez suas mãos quentes sobre meu corpo. Seus lábios macios encostando nos meus, aquela nostálgica sensação tomou conta de mim. Como eu desejei que aquilo fosse verdade, como eu desejei estar mais uma vez em seus braços, pois essa é a pior saudade que eu posso sentir. É a falta de alguém que estar vivo, mas todos os dias tenho que fingir que não.
II
Acordei com uma mensagem dela às 7:06 da manhã, no dia 17 de novembro, engraçado porque era essa a data que comemorávamos aniversário de namoro.
– É só coincidência. – Pensei. Respondi a mensagem assim que vi. Em seguida ela me disse que estava ouvindo uma música e lembrou de mim, perguntei qual era e ainda era a mesma música. Me despedi dela dizendo que precisava sair, que ia a piscina com minha família.
Chegando lá dei de cara com ela. Sentada de cabeça baixa mexendo no celular. Meu coração acelerou tanto que achei que ia parar de uma vez. Como pode eu ainda sentir tanto depois de tanto tempo? Eu achei que ela fosse só mais uma ex, mas não, ela era a ex. Eu não podia sentir o que estava sentindo, eu namoro, ela também.
Vou embora, ela ainda não me viu, mas como vou dizer pra minha namorada que o passeio não vai rolar mais?
Dei as costas e fui saindo de fininho.
– Ana! – Ela me chamou. Paralisei, esperei ela chamar de novo pois deveria ser coisa da minha cabeça, dei mais um passo. – Ei, Ana. – Ela chamou agora mais alto. Dessa vez senti o sangue fugir das minhas veias, virei para ela lentamente, sorri de nervoso.
– Oii, Maíra. Que coincidência! – Ela estava linda como sempre, aqueles olhos cor de mel pareciam brilhar.
– Né?! Senta aqui, oh! – Ela disse puxando a cadeira.
– É, não posso, tô esperando...
– A gata, né? – Maíra disse antes que eu pudesse terminar.
– É, sim! – Respondi insegura. Percebi ela tirar seu olhar do meu e seu sorriso sumir.
– Ah, tá bom. Vim só pegar algo, mas acho que não vai dar certo. Então senta comigo só enquanto termino essa cerveja? – Hesitei por um instante. – Vai, senta. – Sentei e bebi com ela, conversamos sobre os rumos que nossa vida tinha tomado. A cerveja acabou, nos levantamos para nos despedir e meu celular tocou.
– Espera só um minutinho. – Atendi a ligação era minha namorada dizendo que infelizmente não ia poder estar comigo hoje, pois seus pais a proibiram de sair (como sempre).
Abracei a Maíra e ela me desejou um ótimo dia e que eu aproveitasse o dia com a mulher.
– Ela não vem mais. – Acho que vi um traço de sorriso surgir em seus lábios.
– Então vamos tomar mais uma cerveja?
– Aceito, mas agora eu pago. E a manhã de domingo começou assim, foi mais uma, depois outra e mais outra. Já não sabia quantas tinha sido e meu mundo girava e eu só conseguia fixar naqueles olhos.
Entramos na piscina como duas amigas e nada mais, meus familiares estavam lá também. Eu estava com muita vontade de sentir o gosto daquele beijo mais uma vez, só mais uma vez, mas eu não podia. Não deveria!
– Vamos ao banheiro comigo? – Chamei.
– Faz aí mesmo!
– Não posso, tô naqueles dias. Vamos, por favor! – Ela aceitou, eu cambaleei um pouco.
Aquele clube estava um inferno de tanta gente e todos os banheiros estavam cheios. Mas tinha o banheiro do ginásio e com certeza lá não teria ninguém. Meus irmãos e primos estavam jogando lá, os banheiros ficavam bem atrás das traves.
Entrei apressada, ela me seguiu, ao cruzarmos a porta, encostei-a na parede e a beijei. Que saudades dessa boca quente, me fazendo ferver loucamente. Sua língua tomando espaço em minha boca, suas mãos nas minhas costas.
– Posso fechar a porta?
– Tu quer mais é, Ana?
– Sempre! – Fechei a porta e a adrenalina tomou conta de nós duas. Seus beijos faziam meu coração acelerar, não só meu coração, mas minha buceta pulsava na mesma intensidade que meu coração. A pouca roupa que estávamos ajudou toda aquela situação. Ela me beijava como só ela sabia, uma de suas mãos nos meus cabelos puxando minha cabeça para baixo para que meu pescoço ficasse de fácil acesso para sua boca, sua outra mão estava na minha bunda, mas eu queria mais!
Passei as mãos em volta de seu pescoço, encostei minha boca em sua orelha e pedi baixinho.
– Me fode! – Pedi e percebi sua respiração descompassar ainda mais.
– Mas espera aí... tu não estás naqueles dias?
– Estou naqueles dias que tenho vontade que você me coma o dia inteiro. – Ela segurou em meu rosto e disse que meu pedido era uma ordem. Como um casal em um salão de dança nos entregamos ao nosso ritmo e fazemos nossa apresentação solo. Aquilo que era apenas nostalgia, estava se tornando prazer.
Maíra, pôs sua mão por dentro de meu biquíni e enfiou seu dedo em minha buceta o que me fez gemer alto. E todo o barulho que fazia lá fora parecia ter cessado. Meu gemido causava um prazer extremo a ela. Ela me beijava com mais sede e me fodia com mais fome.
Virei de costas para ela e apoiei meu pé em uma mesinha que tinha ao nosso lado. Ela enfiou dois dedos em mim e me tirou desse plano por alguns minutos. Senti algo que só tinha sentido uma vez e foi ela quem me fez sentir, era algo que só ela sabia fazer. Foi foda, literalmente, então eu gozei. Porém eu queria mais, estava sagaz. Segurei em seu pescoço e fiz impulso para ela me segurar, cruzei minhas pernas em sua cintura, voltamos a nos beijar.
– Quer que eu chupe? – Ela perguntou quase em um sussurro no meu ouvido o que fez todo o meu corpo arrepiar.
– Quero, claro que quero! – Maíra me colocou sentada na mesinha, se ajoelhou a minha frente, puxou meu biquíni para o lado e sua língua se encaixou na minha buceta perfeitamente, ela acelerou o movimento e eu só gemia.
– Puta que pariu, num para não!
O que estava gostoso ficou ainda melhor, pois ela me fodeu e me chupou ao mesmo tempo, apoiei meus pés em seus ombros e ela continuou até me fazer gozar novamente. E como uma garrafa de Coca-Cola jorra para fora todo aquele liquido após ser balançada eu gozei e ela me chupou. E quando abri meus olhos para continuar nosso sexo que eu não queria que acabasse, alguém bate à porta. A gente se solta, eu tento me recompor, Maíra abre a porta.
– Cadê a Ana? – Era a voz da minha namorada!









