Vai passar, sempre passa.
Eu pensei que seria mais fácil esquecer. A ideia da sua partida já era advertida e certa, mas eu deixei pra pensar nisso só quando esse futuro chegasse. Como me ensinou “deixe para pensar no problema quando for necessário” - assim foi.
Estou pensando nisso agora, o momento chegou. Não estou só pensando, estou sentindo.
Parece que algo me sufoca por dentro, me puxa o ar a mais e eu não consigo respirar direito. Cada vez que uma lágrima cai do meu rosto, tenho a certeza que assim como a areia molhada monta o castelo, ela fará parte da construção de um terreno mais forte.
Foram oito meses que pareceram anos. Não me surpreenderia se descobrisse que em outras vidas te conheci. Nossa ligação se aprofundava a cada instante que eu me permitia abrir minha mente para o infinito que é você. Não entendo como cabe tanto em um só ser. O seu jeito de ser universo me virou do avesso, e foi quando eu descobri que embaixo do pano que a gravidade habita, existe um mundo inexplorado ansioso para se apresentar.
Eu falei muita coisa, te subestimei. Falei que não ia acontecer isso ou aquilo. Falei que não ia chorar. Mas aquela que falou, não era a mesma de horas depois. Devia ter me dado a liberdade de dizer que o meu eu do futuro decidiria isso, só ela poderia saber o que se passaria ali dentro. Um turbilhão de emoções.
Como uma pequena poeira que sou no universo, me permito ser ínfima, mas consciente de que sou parte do todo. Somos feitos da mesma matéria, somos formados pelos mesmos componentes. Sou nada, e ao mesmo tempo, sou tudo.
Como parte do todo, me permito ser intensa, mesmo que isso me faça sofrer. Eu tenho esse poder. Como parte do todo, me permito usufruir da força que o meu semelhante, gentilmente, me empresta. Eu conquistei essa permissão. Como parte do todo, consigo mergulhar cada dia mais fundo em mim e descobrir versões que eu mesma desconhecia. Ser parte do todo me permite desfrutar da liberdade de saber que isso tudo é um processo, e no fim, voltaremos para o todo. E o ciclo continua.
Hoje ainda permito que o incômodo da distância saia de dentro de mim, não quero conviver com ele de forma dolorosa. Quero conviver com ele em harmonia, sintonizada em gratidão, em respeito. Terei que esperar, mas sei que estou no caminho para trasmutar esse sentimento.
Daqui uns dias quando conversarmos, quem sabe eu não diga que, finalmente, consegui concluir essa transformação. Deixe para o meu eu do futuro decidir. A minha única certeza é que vai passar, sempre passa.