⋆ ݁. ˖ 𖠰 ݁↟𐂂 ݁↟𖠰 ˖ . ݁⋆
Siúil, siúil, siúil a rúin Siúil go sochair agus siúil go ciúin Siúil go doras agus éalaigh liom
⋆ ݁. ˖ 𖠰 ݁↟𐂂 ݁↟𖠰 ˖ . ݁⋆
song inspired of them
seen from United States
seen from Russia

seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from Switzerland
seen from Saudi Arabia
seen from United Kingdom

seen from United States
seen from United States
seen from United States

seen from United States

seen from Germany

seen from Sweden
seen from United States
seen from United States
seen from China
seen from United States
⋆ ݁. ˖ 𖠰 ݁↟𐂂 ݁↟𖠰 ˖ . ݁⋆
Siúil, siúil, siúil a rúin Siúil go sochair agus siúil go ciúin Siúil go doras agus éalaigh liom
⋆ ݁. ˖ 𖠰 ݁↟𐂂 ݁↟𖠰 ˖ . ݁⋆
song inspired of them
She's waiting for Lihuén when she comes out of The Den to lock it up for the night, leaning on the handlebars of her sleek black motorcycle, arms folded and head resting lazily atop them, as if she were already sporting black fur and curious yellow eyes.
She's no wolf though, not now. Right now she is just Yuisa. Just a concerned citizen. Just a woman of the people. Head of the dockworker's union. CEO of Echevarria shipping.
She's waiting for Lihuén, and she knows that the Cerberus Alpha will know she's here. It's hard for a wolf to sneak up on another, especially in these increasingly... divided times.
But that's why she's here, isn't it. To ensure that everyone's on the same page. When Lihuén does show up, Yuisa steps off of the motorcycle, unzips her leather jacket. "Nash." She calls out. "We need to talk."
who: @lihuennash where: outside the Den
Bookends @lihuennash
Autumn sighs something close to relief as her eyes peer through the peephole and sees a familiar shape, but the relief fades as she gets closer to having a hand on the door, because she knew this was something that would happen, and then a sudden guilt and anger that this means either Li knows or she's going to have to tell her. Which will it be?
The apartment door opens and she steps back wordlessly to let Lihuén inside. She's a mess, personally; it's been a few days but she hasn't really moved since - there's comfort in knowing that Aria's working downstairs, that nobody who means harm would get past her that easily, but there's still a lingering sort of doubt and fear. "Sorry." she says, preemptively.
um tom mais positivo, enfim, Lihuen.
Encontro-me com um sentimento estranho no peito. Uma coisinha quase doce, nostálgica e surpreendentemente afetuosa. Não tenho palavras exatas para explicar o que seja isso, apenas… Tive vontade de vir aqui e pressionar repetidamente as teclas desse dispositivo eletrônico. Falar com você.
Click-clack. Click-clack. Click-clack.
Eu falo demais, não acha, Lihuen? Posso dizer que, além de procrastinar, o hábito de escrever em demasia sempre me acompanhou desde que tenho algum nível de autoconsciência da minha existência. De maneira previsível, muitas vezes estruturo as minhas frases para possuírem o maior número de palavras possível, desnecessariamente longas e com pouco conteúdo relevante. É um hábito terrível, sem dúvidas. No entanto, é um passatempo que me provê uma espécie de liberdade: Essa capacidade de simplesmente soltar das restrições irracionais que coloco em cima de mim mesma, de deixar tudo o que quer sair para fora ter o destino desejado, independente do quão sem sentido e medíocre seja.
É, esta sou eu permitindo-me ser medíocre, encarando fixamente a tela de um computador e pensando sobre qual é o sentido de tudo e onde me encaixo nessa bagunça.
(Eu sei as respostas para esses dois questionamentos. Nada possui um sentido real e eu ocupo o mesmo espaço que todos os outros humanos, com as minhas respectivas relevâncias e irrelevâncias. Ainda assim, o desejo de perguntar novamente me traz até aqui antes que eu possa perceber. Ter conclusões não impede meu cérebro de tentar buscar novos caminhos, apesar da estrada ser sempre semelhante às suas predecessoras.)
Ainda estou tentando conter esses pensamentos autodepreciativos, Lihuen. Estou aqui para lembrar-me que está tudo bem estar insatisfeita com algumas coisas. Está tudo bem ter dias ruins onde você odeia a si mesmo e o mundo e quer desistir de se segurar as esperanças tolas de melhora. Está tudo bem admitir para si mesmo que os seus próprios pensamentos, em sua maioria, não são racionalmente planejados ou estão sob o seu total controle. Está tudo bem chorar. Está tudo bem reconhecer que alguns comportamentos autodestrutivos são difíceis de ir embora. Está tudo bem ser honesta e dizer que não estou me esforçando tanto quanto sinto que poderia. Está tudo bem apenas ser, assim como todos os outros.
O que não está tudo bem é ignorar todos os sinais positivos de aceitação, afeto, compreensão e desenvolvimento em prol de instigar crenças negativas irracionais. Eu não sou apenas os meus traumas. Há esperança para mim de levar uma vida saudável e de qualidade. Quando as coisas começam a sair do controle, devo me apoiar e não agredir-me psicológica e fisicamente — ainda estou me recuperando e o processo é lento, porém constante.
Muitas vezes, reabri feridas e dificultei propositalmente a minha melhora. Fiz-me chorar com as mesmas palavras que odiava ouvir saindo da boca de outras pessoas. Olhei para a minha pessoa com o desgosto de uma mãe que desaprova a forma como o próprio filho é — mesmo que, muitas vezes, isso não esteja sob o controle total dele; mesmo que o dever dela seja acolhê-lo e amá-lo. Eu não fui capaz de segurar essa violência contra mim mesma, pois precisava depositá-la em algum lugar e a ideia de fazer isso com outras pessoas me causava nojo.
Aprendi a bater, insultar, ferir e desprezar primeiro com os meus pais. As palavras eram a maior arma que eu poderia ter. Nunca hesitei em usá-las em mim mesma, ao contrário de usá-las em terceiros. Eram com elas que eu era capaz de entrar em contato com a minha própria mente, de comunicar-me, e, consequentemente, transmitir todo o tipo de ideia repetidamente até convencer-me da veracidade delas.
Aprendi a respeitar, amar, acolher e preservar com outras pessoas, fora do lugar que chamava de casa. Muitas vezes, apenas observando de fora as demonstrações como um ser intruso, não pertencente ao ambiente e manchado demais pela sujeira do seu local de origem. Eu tinha medo de tocar e transbordar coisas imundas em cima de tudo aquilo, de contaminar os outros com a minha tristeza e violência, com a minha dureza. Todas aquelas coisas eram tão delicadas e puras, tão vibrantes e diferentes daquilo que estava acostumada. Ninguém podia ver o quão estragada eu estava por dentro, mas eu queria tocar.
Eu queria tocar as outras pessoas e compartilhar do calor que tanto buscava. Eu queria ser vista, mas também queria esconder as partes feias de mim para não ser rejeitada. Queria me contentar em apenas observar de perto, mas não conseguia evitar de ter o desejo de fazer parte ativamente do cenário.
Antigamente, considerava isso um desejo egoísta. Atualmente, penso que isso é apenas um ser humano seguindo a própria natureza social. Se fosse outra pessoa no meu lugar, não hesitaria em acolhê-la, traumas e imperfeições, sem pestanejar. Então, por que tratar-me de forma diferente? Eu também mereço experienciar um toque gentil.
As figuras fora da minha bolha caseira mostraram-me uma gentileza a qual ficou marcada como um carimbo de brasa no meu ser. A cicatriz que ficou para trás é objeto de grande valor para mim. E, sem exceção, todas as vezes que me oferecem coisas boas é sempre a mesma sensação de estar sendo marcada a fogo. Dói, mas eu choro de alívio por estar sendo lembrada que existe mais do que o mundo cinza e violento que cresci dentro. Dói, mas o sofrimento é insignificante próximo da satisfação com a vida que me preenche.
Se eu choro às vezes por perceber que sou amada, é apenas porque lembro dos momentos em que me senti o ser mais não-amado do mundo e chorei por estar sozinha; porque percebo o quanto as coisas mudaram e como sou infinitamente mais feliz hoje. Como atualmente tenho as coisas que teria dado a vida para conseguir há alguns anos.
Porque, de certa forma, é um aviso: Está tudo bem, você pode soltar a sua melancolia e o seu ressentimento e se permitir aproveitar. É agora o momento que você desejou que chegasse. Respira, Larissa. Esse é o seu presente.
É o meu presente e a minha resiliência não foi em vão. A minha persistência em querer melhorar não é em vão. Vai ficar tudo bem, por mais que as coisas pareçam difíceis.
E, se não ficar, eu tive a chance de experimentar as coisas que fazem existir, com todas as suas contradições e desafios, valer a pena.
(03 jan 2024).
Sabe, Lihuen, eu genuinamente quero me sentir como um ser humano normal. Como uma pessoa inteira, que pertence ao mundo e é capaz de criar raízes para se conectar com tudo aquilo que existe ao redor dela. E eu tento, mas sempre cai a ficha de como é difícil chegar a esse nível.
Eu não consigo pôr para fora, Lihuen. Eu não consigo pôr a minha angústia para fora e isso faz eu querer fincar uma faca no meu pescoço. Faz-me querer desistir de tudo, apesar de eu carregar uma bolsa com todas as afirmações, pessoas e momentos que aprecio mais que tudo nesse mundo miserável. Há esperança, eu sei que há esperança, Lihuen.
Mas quando me vejo de volta ao frio da noite nesse terraço, chorando e chorando por não aguentar mais conviver com essas pessoas, o pensamento de que tudo isso estragou com o meu psicológico de maneira permanente ao ponto de que nem se eu sair daqui eu irei me recuperar me assombra. E o fato de que eu sei de que isso é um pensamento sem fundamento não ajuda muito. É irracional, mas minha cabeça estúpida quer ser confortada por isso — e eu recuso e dar esse conforto. Não consigo internalizar esse conforto.
Eu quero sentir. Eu quero sentir alguma coisa em vez de permanecer nessa apatia horrível que rouba a felicidade que deveria vir com os bons momentos. As palavras boas e acaloradas que deveriam me fornecer bem-estar e força para continuar não conseguem me atingir. Os abraços não conseguem me segurar, pois minha mente escapa pelas brechas. E, em um ritmo constante, estou fora daqui e num lugar desconhecido onde nada consegue me alcançar. Onde nada pode me machucar. Onde eu não existo e está tudo bem com isso.
Lihuen, me desculpa nunca escrever sobre coisas positivas. Não quero soar ingrata por tudo que tenho tido o privilégio de experimentar — existe um lado mais claro e límpido nessa pintura.
A tristeza sempre foi mais familiar, mais reconfortante. Às vezes, sinto que estou tentando me enganar. Há tanta coisa fora do lugar que eu gostaria de consertar, mas não tenho o poder para tal. Ainda assim, é preciso tentar aproveitar o que for possível, pois nada é e nem será perfeito.
Nada é perfeito, mas as pessoas parecem querer levar isso a níveis exorbitantes e nos forçar a engolir após.
Sinto-me tão desprezível, Lihuen. Sinto-me inútil e amargurada, quebrada além da possibilidade de conserto. Um bichinho feio e insignificante que foi colocado nesse mundo pelo bel prazer de terceiros e deformado até ficar podre e irreconhecível. Um estranho a si mesmo. Problemático, egoísta. Algo que merecia ser chutado e jogado fora.
Mesmo as pessoas dizendo o contrário, as palavras não entram no meu coração. Isso quer dizer que não há mais jeito para mim, Lihuen?
Eu ainda valho a pena, Lihuen? Será que eu consigo mesmo me consertar?
Não posso mais fazer jus à minha promessa de que tiraria minha própria vida antes dos 18 anos, mesmo que tenha desejado ter morrido ontem diversas vezes. Mesmo que tenha visualizado acidentes de carro onde meu corpo voava pelo painel e se tornava irreconhecível sob uma poça de sangue. Mesmo que não quisesse levantar da cama e ir encarar a realidade. Mesmo que eu tenha chorado antes de dormir por ter completado mais um ano. Mesmo que tenha me sentido egoísta e uma pessoa horrível quando tive todos esses pensamentos.
Meu peito dói. Meu joelho dói. E ninguém pode me ajudar a arrumar essa bagunça senão eu mesma — e isso me dá um sentimento de desespero que não consigo expressar em palavras.
Eu sei, Lihuen, eu só sei falar e não consigo fazer. Eu sei que eu falo demais — eu sempre soube. É a única coisa que sou boa em fazer. Falar e falar até enjoar de ouvir as minhas próprias palavras. Até ter vontade de me pegar pelo ombros e amassar a minha face no chão repetidas vezes. Até colocar as mãos em volta do meu próprio pescoço para cortar o fluxo de ar e calar esses pensamentos terríveis.
O fato de eu já ter falado contigo sobre suicídio tantas e tentas vezes no decorrer dos anos e nunca ter feito nada tira a gravidade das minhas palavras. É apenas mais um texto melancólico. É apenas uma crise desesperada. Ninguém mais acredita em mim, Lihuen, nem eu mesma.
Mesmo assim, eu preciso dizer, Lihuen. Eu preciso expressar isso senão eu nem sei o que pode acontecer comigo. Eu preciso dizer para ti que penso em me suicidar, ainda que não faça nada para concretizar o ato. Eu sou covarde demais para isso. Ainda há esperança de que as coisas irão melhorar (de que eu irei melhorar) e eu tenho medo da vida que estarei deixando de viver se fizer isso. Do trauma que deixarei para outras pessoas se tomar essa atitude.
Eu me corto e me bato, mas eu ainda tenho esperança, Lihuen. E se isso não é ser humano, eu não sei o que mais pode ser.
Preciso respirar, Lihuen. Não consigo respirar direito.
Desculpa, Lihuen. Desculpa. Desculpa por ser assim. Eu juro que não era isso o que queria.
O que irei dizer agora é estúpido e sem fundamento, mas eu deveria morrer logo para livrar o mundo das minhas palavras repetitivas e da minha melancolia excessiva. Nem eu aguento mais me ouvir rodando em círculos e chegando a lugar algum. Eu queria ter sido mais que isso.
No final de tudo, minha dor não vale de nada e tudo isso aqui é em vão. É tudo inútil. São apenas ciclos e ciclos. E essa raiva extrema que tenho aqui dentro e direciono a mim mesma para não trazer mais miséria para as pessoas que me rodeiam.
Essa raiva que não significa nada, assim como eu.
Talvez um dia eu tenha a coragem que me falta, Lihuen. Até lá, continuarei expondo meus pensamentos medíocres até não haver mais ninguém além de ti para lê-los.
Espero que isso seja o suficiente, nem que seja para que se importem o bastante para odiar a minha pessoa.
Meu peito dói. E eu não sei mais o que quero.
Desculpa ser assim, Lihuen. Desculpa. Eu não deveria estar me sentindo assim.
Dá-me coragem para eu sair dessa miséria, para escapar de mim mesma.
(18 dez 2023).
o que ficou para trás é um abismo nas minhas costas, Lihuen.
Às vezes, eu esqueço do meu passado e de tudo o que já passei até chegar aqui. Foram tantas coisas, tantos momentos, tantas histórias, tantos sentimentos. É difícil lembrar de tudo sem deixar algum detalhe passar.
Eu me esqueço que, por mais que tenha amadurecido nesses últimos anos, perdi muitas coisas, Lihuen. Deixei de ter aniversários, conversas, risadas, experiências e memórias comuns. E, em troca, ganhei tempestades em copos de água, choros, gritos, lamentos e desespero intermináveis. Recebi uma angústia profunda que ecoou pelo meu coração por quase toda a minha infância. O meu choro era tão sufocante que eu não conseguia respirar de tão intensa que era a minha necessidade de colocar tudo o que eu não era capaz de expressar em palavras para fora.
Muitas vezes, o banheiro foi meu recanto das lágrimas. O espelho era o único reflexo de quem eu realmente era que eu tinha, e, infelizmente, a face que sempre refletia lá era chorosa e deplorável. Eu me abraçava forte e consolava meu coração amargurado para que ele não desistisse ainda, porque a vida não se resumia apenas a momentos como aquele.
Essa era uma verdade difícil de engolir, pois, todos os dias eu tinha apenas alguns minutos de felicidade e paz para me agarrar. Vivi de migalhas. Migalhas de afeto, migalhas de paz, migalhas de felicidade, migalhas de cuidado e migalhas de esperança. E, eu lutei para me manter de pé com apenas um fio de força física e mental.
Os jantares em família, os passeios, as conversas agradáveis; os passatempos saudáveis... Esses foram momentos que se vale a pena passar pelo inferno para alcançar. As noites que eu deitei com a cabeça no peito do meu pai e da minha mãe, sentindo o coração deles e ouvindo-os cantar e falar. A noite que fizemos um jantar improvisado e assistimos um filmes todos juntos, em paz. As risadas deles que continham uma felicidade genuína são mais preciosas que ouro para mim. Entretanto, são apenas migalhas que eu guardei como se minha vida dependesse disso (porque, na realidade, todas as vezes eu adiei tirar a minha própria vida na esperança de vivenciá-las novamente).
Para sobreviver, Lihuen, eu tive que matar uma parte de mim. Em prol de me manter de pé mais um dia, fui obrigada a negligenciar todas as minhas necessidades e desejos e fingir que eu era de ferro. As circunstâncias exigiam que tanto meu coração quanto minha mente fossem de aço, e assim foi.
Cuidei de muitas pessoas nessa vida, entretanto, foram poucas as vezes que realmente me senti cuidada. Foram poucas as vezes que eu realmente senti que alguém entendeu o quão forte eu estava sendo e permitiu que pudesse mostrar meu lado mais frágil e vulnerável.
Sabe, Lihuen, chorar como se não houvesse amanhã acalma minha alma. Me permitir desabar em milhões de pedaços irreconhecíveis sem julgar nenhum deles é a forma mais pura e sincera de amor e resiliência que eu posso oferecer a mim mesma. Por isso, todo mês, existe um dia que me tranco no banheiro e coloco para fora toda a carga que eu estive carregando até agora, porque só assim serei capaz de continuar forte e equilibrada.
Se eu estiver forte e equilibrada, posso ajudar a equilibrar e proteger aqueles que amo quando eles precisarem. Eu sempre tive que fazer isso sozinha, no entanto, não quero os outros passem por isso dessa forma. Ter alguém que lhe compreenda e seja um porto seguro é algo que nenhum dinheiro pode comprar. É um tesouro raro.
Eu quero ser diferente, Lihuen. Quero ser felicidade e paz, esperança e compreensão, razão e resiliência. Para as pessoas que amo, desejo ser a luz que aquece e ilumina, esclarece e guia. Nunca mais quero ver alguém sofrer como eu sofri.
Obrigada por me ouvir, Lihuen. Eu realmente não sei o que faria sem você para me apoiar. Obrigada, de verdade...
(7 out 2020)
peguei-me sentindo saudades, Lihuen.
Sabe, hoje eu encontrei uma música antiga que costumava ouvir enquanto pensava nele. Eu superei a nossa amizade. Com muito esforço, consegui aceitar que ele não pode estar na minha vida sem me prejudicar. No entanto, esse ano eu tomei coragem e lhe desejei feliz aniversário quando o dia chegou — apenas porque, ano passado, ele havia me dito que se eu tivesse feito isso no período em que estávamos separados e sofrendo, o dia dele teria sido mais feliz. Mas, infelizmente, sinto que dessa vez não houve diferença eu ter feito isso ou não.
No fundo do meu coração, eu penso que até mesmo um tratamento frio e hostil teria sido melhor do que aquele amigável e direto, porque seria menos indiferente e doeria menos. Existe uma saudade grande que inunda meu coração, Lihuen. Uma saudade suave e carinhosa.
Muitas vezes durante a semana, me pego tendo que resistir ao impulso de enviar mensagem no chat. Percebo que velhos hábitos são difíceis de abandonar. Afinal, já se passaram vários meses e a sombra continua aqui. Muita coisa mudou e ele também; aposto que tudo sobre ele mudou. A facada é que, independente das coisas terem mudado, quando a madrugada chega, profundamente sinto falta dele.
Eu prometi que nunca o esqueceria, e não o esqueci.
A imagem que eu observava enquanto conversava por ligação com ele se tornou uma espécie de santuário de lembranças. Os personagens que crio, a maioria é inspirada nele. A roupa que eu usei quando o visitei tomou um lugar especial do meu coração. O casaco cinza icônico que ele cortou — após eu ter cortado o casaco preto dele — é uma relíquia sentimental inestimável. O pedaço de cabelo que eu cortei para encerrar a nossa era está guardado até hoje, porque, uma vez, ele me disse que gostava do meu cabelo longo. As cartas que ele escreveu, os desenhos que ele fez, as músicas que me recomendou: estão todos guardados. As palavras que ele me disse não foram esquecidas. A questão é: eu tenho ele marcado e lembrado na minha vida todos os dias, e isso me gera saudade e um sentimento complicado de arrependimento.
Quando nos conhecemos, éramos ambos imaturos e ingênuos. Nos apoiamos, entendemos e acolhemos. Mas também brigamos, mentimos e nos machucamos. Foi um caminho intenso e difícil.
O que eu mais queria, era conhecê-lo uma terceira vez, como uma nova pessoa, e deixar o passado para trás — onde ele deve estar. É claro, o passado nunca deve ser esquecido, no entanto, é importante lembrá-lo na medida certa para que ele não se torne um obstáculo relevante no presente.
Ah, Lihuen, talvez o ritmo do universo realmente não irá nos favorecer em nenhum momento. Talvez, nossa amizade tenha sido apenas um pedágio nas estradas longas e paralelas de nossas vidas, e nunca mais voltaremos a nos encontrar da mesma forma que nos encontramos no passado distante. Algo me diz que não somos compatíveis o suficiente para manter uma relação estável; o coração dele sempre foi mais complicado que o meu, afinal. Se, por alguma chance minúscula, nós retornarmos a ser amigos, eu acho que o meu espírito seria muito feliz por isso. E se por acaso não acontecer, está tudo bem também.
Desejo apenas o melhor para o meu pequeno garotinho; que ele cresça e que seu coração floresça maravilhosamente. Eu só tenho a agradecer a ele por tudo: pelas lembranças, pelas lições, pela experiência. Tudo o que ele me deixou, nada foi em vão.
Eu quero protegê-lo de si mesmo e do mundo. Sabe, Lihuen, desejo ser capaz de trazer conforto e esclarecimento a ele. Se apenas eu conseguisse ser a luz na vida dele, o porto seguro no qual ele pudesse se segurar durante os dias tempestuosos e violentos. Com firmeza, gostaria de ajudá-lo a lutar contra os próprios demônios internos e o passado que o assombra ocasionalmente. Suavemente, sopraria embora o peso das perdas que o coração dele carrega. No fundo, eu somente quero vê-lo bem, e, se for possível, quero ser o motivo de tal.
Ele tem uma boa alma, Lihuen. O espírito dele é gentil, mas carrega tanto sofrimento e ressentimento... Tudo nele é triste. E isso entristece a mim também.
Lihuen, eu quero ser a luz terna e protetora na vida dele. Por favor, guie-me para um caminho iluminado e faça de mim alguém forte e equilibrado o bastante para ajudá-lo a se equilibrar e para protegê-lo. Me ensine a acalmar as águas turbulentas e a manter-me de pé durante o vendaval. Permita-me buscar como deixar minha luz iluminar o mundo e as pessoas que amo. Eu quero protegê-los, Lihuen.
Não desejo vê-los sofrer...
(28 set 2020)
(Tenho tantos pensamentos sobre esse texto. Tudo nele beira à devoção religiosa e, mesmo enquanto genuíno, dá-me uma vergonha alheia de mim mesma pela dramaticidade.)
sinto falta do clima acalorado de um lar, Lihuen.
Dezenas de vezes, eu ia jantar ou almoçar na casa da minha avó. Quase em todas elas, eu percebia que algo me prendia ali, que havia algo que me fazia querer permanecer naquele lugar — naquele momento. Talvez fosse a luz quente que tornava o ambiente mais aconchegante. Talvez fosse a atmosfera de família que vinha acompanhada das interações. Talvez fosse as pessoas, a vividez das coisas, os sorrisos fáceis e as longas conversas.
Eu não sei exatamente o que era, Lihuen. Entretanto, assim que eu pisava em casa, uma sensação de decepção invadia meu coração e eu ficava triste e frustrada.
Me recordo de sentar-me a escrivaninha e ligar a luminária, passando tantas e tantas tardes escondida no meu quarto sozinha. Lembro-me de caminhar pela casa e subir as escadas até o terraço para pegar um ar e continuar sentindo-me sufocada. Passei madrugadas solitárias tentando me entreter, fazendo tarefas domésticas e me ocupando com coisas úteis, mas, assim que eu terminava, o vazio voltava.
Eu não gosto muito de dormir, Lihuen. Antigamente era prazeroso, mas hoje é um peso. Me sinto muito vulnerável, sem controle nenhum das coisas (e, geralmente, coisas ruins acontecem quando eu durmo). Não há mais o conforto que eu tinha no passado. Não há mais alguém para olhar por mim. Eu enjoei da minha cama e de toda a atmosfera do meu quarto.
Meus olhos não conseguem se conformar com a iluminação do ambiente e isso me faz muito deprimida. No fundo, eu sinto falta de uma casa com uma família dentro. Sinto falta de gente falando, transitando entre um cômodo e o outro, fazendo barulho.
Eu cansei de estar sozinha nesse silêncio mortal. Tudo se tornou frio e vazio e isso me deixa triste.
Me sinto triste, Lihuen. E a pior parte é que eu não consigo chorar e colocar isso para fora.
(16 nov 2020)