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Look at me, daddy... ➸ Childhood
O sol a pino queimava os fios acastanhados, deixando-osquase loiros devido à luz do dia. O dono destes os tinha lisos, por vezescaindo em seus olhos quando demorava mais tempo que o necessário paraapara-los. Naquele dia, entretanto, ele não tinha tempo para aquilo; finalmenteaprenderia a utilizar arco e flecha, conforme sua vontade pedia há algum tempo.Talvez, se aprendesse corretamente, seu pai se orgulharia dele.
Passara a manhã inteira com seu instrutor, um alvo, um arcoe muitas flechas; a maioria destas fincadas onde deveriam, mas nenhuma nocentro exato da mira. Sua mãe, a rainha, desmarcara todos os seus compromissospara prestigiar o pequeno de apenas seis anos, permanecendo sentada na varandado jardim onde ele praticava a habilidade, incentivando-o sempre que este nãoatingia seus objetivos. Não era uma tarefa fácil, entretanto; Salazar cobravamuito de si mesmo, e sentia imensa frustração quando não alcançava seusobjetivos. Era extremamente prodígio para sua idade.
Na última tentativa ele concentrou-se o máximo que podia; obraço esquerdo esticado, segurando o corpo do arco; a mão direita puxando acorda ao passo que mantinha a flecha em posição, próxima ao queixo infantil.Respirou fundo – como Latej havia lhe ensinado – e junto com a expiração suave,soltou o objeto, que voou até cravar-se exatamente no meio do alvo. Com umaalegria exorbitante lhe atingindo, Salazar virou-se para o lado, esperandoencontrar sua mãe sorrindo, como sempre fazia quando o menino conseguia o quequeria. Ao invés disso, avistou seu pai, segurando o pulso de sua progenitora,fazendo-a levantar rapidamente da poltrona em que estava sentada. Deveria estarpuxando-a para ver o filho mais de perto, ele pensou.
Com o arco firme em mãos e um sorriso profundamente ingênuo,o pequeno Salazar correu em direção aos dois, parando ao lado do pai, quefalava algo muito próximo à sua mãe, sem solta-la. – Papai, olhe para mim! Você viu o que eu fiz? Acertei bem no meio! –Contou, em êxtase, um riso alegre escapando por seus lábios. O rei, lentamente,virou apenas a cabeça para sua criança; a expressão séria, o olhar de desprezo.– Nãome faça perder tempo com você, garoto. Saia daqui antes que eu lhe acerte umtapa bem no meio da cara. E você, Vinegel, vem comigo; estou cansado que ficarlhe lembrando suas obrigações como mulher! – E, ao calar aquele tom insuportavelmenterude, puxou a esposa, com violência, para dentro do castelo, a mesma que antesde desaparecer pela porta, olhou para o filho com os olhos cheios de dor.
Salazar permaneceu estático em seu lugar; o sorriso havia desaparecido,dando lugar ás lágrimas, enquanto o arco escorregava por entre os dedinhos.Perguntava-se o que havia feito de errado, por que o pai não gostava dele.Parecia, para ele, que qualquer esforço que fizesse nunca seria o suficientepara o rei de Ishtar. Estava certo. O pequenino coração doía, sabendo quejamais seria amado por quem tanto desejava ser.











