Qual delas? Temos várias por aqui.
Várias? Ah, claro, uma mansão dessas precisa de várias criadas. A serva da senhorita Amice Sangenis. Sua irmã, suponho.

Kiana Khansmith
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Qual delas? Temos várias por aqui.
Várias? Ah, claro, uma mansão dessas precisa de várias criadas. A serva da senhorita Amice Sangenis. Sua irmã, suponho.
Sorriu à menção de Ofélia, com a intenção de encerrar aquele assunto. — Bom, já que o senhor está dizendo, agradeço. É uma ótima vantagem, mas também um fardo que às vezes se torna incômodo. Sim, eu nasci aqui. Minha mãe era criada da senhora Catarina, que os céus a tenham, e eu nasci no mesmo dia que a senhorita Amice Sangenis. Sempre fui a criada dela. Entretanto, as coisas com ela podem ficar… Difíceis, às vezes, senhorita Amice é profundamente perturbada por demônios incontroláveis. Nada que eu já não esteja acostumada.
Não me ofende de maneira alguma, senhor Colharini. Aliás, fico encantada com o fato de o senhor usar palavras tão gentis para se referir a mim. Só gostaria de saber o que está esperando.
Um fardo? Não entendo como um rosto angelical poderia ser um fardo, engana bem a todos nós. Amice Sangenis? Já ouvi falar da garota, dizem que está presa até hoje nas dependências da mansão. Deve ser extremamente difícil, penso eu, lidar com uma pessoa que não pode se controlar. Uma pena, os Sangenis são... São os Sangenis, acho que isso basta, ninguém merece ser atormentado como os boatos dizem que essa garota é.
Não espero nada em particular, nada além de pagar o que lhe devo, sim? Peço perdão se minhas palavras fizeram a senhorita pensar errado. Não era minha intenção. Dancemos, então? -- Estendeu a mão para ela, fazendo uma reverência.
Primeiro de tudo, eu não acredito que você é um Colharini, então já pode parar com toda essa história. Fale logo o que deseja. É comida? Se sim, posso o levar até a cozinha.
Preconceito do senhor, só por que fui adotado não significa que não sou um deles. Não vim atrás de comida. Vim atrás de uma pessoa, uma serva.
Animada. E com medo, mas é um medo lindo. Vamos?
Medo de quê, Liraz, minha querida? Vamos nos divertir muito, tenho certeza. Além disso, eu já disse que protejo você, não disse? E eu sempre cumpro com o que digo.
— Então devo acreditar que você veio até aqui só para me fazer uma pergunta? Certo. Se for assim, porque não veio mais cedo, ou amanhã? E por que estava se esgueirando pelas sombras se suas intenções eram nobres, uh?
— Eu não sou boba. Poupe a si mesmo de ter que inventar mentiras, e a mim de ouvi-las. Diga-me seu nome e o que quer, quem sabe eu não possa ajudá-lo?
Vim, é claro, fui criado a vida toda para servir às princesas da melhor forma que puder. Porque... Bem... Um criado como eu não é permitido de chegar perto de Vossa Alteza Real. Não é como se minhas intenções não fossem nobres, eu só...
Ugh, ok. Não posso dizer meu nome, mas vim atrás de comida. Juro que não vim roubar, só quero saciar minha fome e a de minha mãe. Juro.
Consigo me acostumar com isso. Oh, Ofélia, certo? Mande meus cumprimentos a ela, senhor Colharini. Ah, tenho muito conhecimento disso. Como acha que levo toda aquela comida para a cidade? Sendo uma especialista em distrair guardas. Se quer saber, alguns deles já são distraídos por si próprio. A diferença? Bom, o senhor não mora aqui. A família Sangenis não costuma gostar de invasores.
Ofélia, sim. Oh, claro, assim que a vir aviso que a senhorita lembrou-se dela, ficará muito feliz. Creio que são facilmente enganados pelo seu rostinho de boa moça, senhorita, que enganaria qualquer um, sejamos francos. É criada dos Sangenis? Sinto muitíssimo, já me falaram coisas horríveis sobre o temperamento deles. Nada que não possa aguentar, creio eu.
Mas, ah, sim, voltando à dança. Não se sentiria ofendida se eu dissesse que gostaria de pagá-la agora, sentiria? Creio que a música que escutamos ao fundo seja o suficiente, não me concentraria nela nem se os músicos estivessem pendurados em minhas costas.
Este definitivamente não é o andar de quem está prestes a fazer algo correto.
E qual é a forma certa de andar, senhorita? Estamos nas ruas de Mystras em plena madrugada, não é exatamente seguro.
Por que não entra logo pela porta da frente? Do jeito que é indiscreto, lhe daria menos trabalho.
Oras, pensei que fosse óbvio. Pela porta da frente não tem graça. Além disso, creio que um Colharini não seria bem recebido.
Franzindo o cenho, falsa contemplação tomou forma nas feições precariamente iluminadas. - Pensei tê-lo escutado dizer o nome Caspian momentos antes, mas minha audição deve estar estática. Queira perdoar-me, milorde. - Deu de ombros, o tecido que lhe cobria a face escorregando para instalar-se sobre sua costas. - De toda maneira, o que faz perambulando por este lado de Mystras a essa hora, Lorde Kristoff?
Percebeu que não estava sendo convincente, então arrumou a postura e alinhou a roupa. “Sem problema algum, senhorita, não foi sua intenção, tenho certeza.” Um pequeno sorriso tomou conta de seus lábios, enquanto ele fazia uma pequena reverência para a garota. “Ah, você sabe, andando por ai. A noite está fria, decidi caminhar um pouco para ser se esquentava os pés. Nada demais. Faço-lhe a mesma pergunta.”
Então estamos prontos?
Mais do que prontos. Como se sente?
— Eu duvido muito que o senhor tenha vindo até aqui apenas para perguntar que tipos de flores me agradam, senhor.
— Mas gosto de lírios.
Ora, por que não? É nossa função servir à realeza, não? Lírios? São lindas flores, Vossa Alteza tem um excelente gosto.
Então sempre nos encontraremos desse jeito? Que pena, pois acredito que o senhor me deve uma dança. Chegou, sim, e isso é admirável. O que fez com os guardas? Mas terá que voltar, sinto muito. É perigoso aqui, especialmente para alguém como você.
Aparentemente, sim. Sempre às escondidas. Acredito que sim, já que da última vez que nos vimos fomos interrompidos pela minha irmã. Os guardas são fáceis de enganar, senhorita. Se acham bons demais, mas não oferecem proteção nenhuma à casa, se quer saber. E não para alguém como você? Qual seria a diferença?
Encoberta pela a luminescência difusa e prateada da Lua e pela capa escura como a noite, escutou passos e suaves murmúrios de uma figura que vinha em sua direção. - Ora, fiquei lhe conhecendo por Kristoff, Caspian. Pronunciou-se, combinando seu ritmo com os passos do jovem.
Assustou-se com a voz feminina dirigida para si, dando um pequeno pulo para trás e, consequentemente, deixando a capa cair, mostrando sua face. Pigarreou quando seu nome foi dito. -- C-Caspian? Não, senhorita, acho que se confundiu. Meu nome é Kristoff.
Lorde Kristoff, que bela surpresa. Devo perguntar o que está fazendo na mansão Sangenis ou posso assumir que veio com a mesma intenção que eu? Se sim, sugiro que dê meia volta.
Oh, senhorita. Bem, creio que temos as mesmas intenções, sim. Meia volta? Ah, não, mas eu cheguei até aqui, não cheguei? Seria um grande desperdício de tempo ter que voltar.
— Quem está aí?
— Vamos lá, apareça. Eu posso ouvi-lo, sabia?
Droga. Olá, Vossa Alteza Real. Sinto muito por interrompê-la. Eu soube que a senhorita gosta de flores, gostaria de saber quais são suas favoritas.
Ok, ok, Caspian, você consegue. Vamos lá, você consegue.
18. Do you believe it’s possible to fall in love at first sight?
Não. Amor é nutrido, conquistado. Demora um tempo, mas você consegue se valer a pena.