(via https://www.youtube.com/watch?v=qsudSX7oVGk)

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(via https://www.youtube.com/watch?v=qsudSX7oVGk)
Bebê-tubarão #livros2016 #infantil #bebe #infância #literatura
Quadrado infinito No sótão um #homem espera. Suas #palavras nascem escorrem alimentam. Fechado, o homem abre #mundos pela #linguagem. Um #horizonte vasto em #papel. #livros2016 #poesia2016 Inspirado no livro "O homem no sótão", de Ricardo Azevedo.
020 - Os Últimos Soldados da Guerra Fria (2011, Fernando Morais, pp. 379)
★ ★ ★ ★ Excelente livro sobre os agentes cubanos infiltrados nas organizações anticastristas em Miami, que, no início dos 90 do século passado, iniciaram uma ofensiva terrorista contra postos, hoteis e monumentos turísticos de Cuba e, por isso, precisavam, com antecedência, ter suas ações interrompidas. Naquele momento, depois da queda do Império da URSS, atentar contra o turismo cubano era uma forma de fragilizar ainda mais o Governo de Fidel Castro que passou a se manter de atividades turísticas. Nesse livro, Fernando Morais dá um ritmo de thriller político a narrativa, que cria todo um clima em torno dos momentos de recrutamento, preparação, relações e fachadas que precisam ser criadas para não ser descobertos. Acompanhando o passo-a-passo de cada um dos agentes infiltrados, Morais nos mostra como a pirâmide hierarquizada da Rede Vespa foi montada, com um chefe-supervisor, agentes intermediários e os agentes da base; suas rotinas para sobreviver, já que eram escassos os recursos mandados de Cuba; as estratégias para se envolverem nas dezenas de organizações terroristas criadas pelos exilados na Flórida; os casos amorosos, as vidas clandestinas, a luta diária de ser outro mesmo sendo alguém de carne e osso ... e com um passado que, possivelmente, não teria mais volta. O tempo todo, no decorrer da leitura sobre os agentes infiltrados, acompanhou-me O Homem que Amava os Cachorros, sobretudo porque é um livro que nos apresenta o estratagema stalinista de formação de quadros que se metamorfoseavam para atender missões políticas e, consequentemente, ganhavam outra identidade, psiquê, vida e história. Quando soube do livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria, eu pensei que tinha sido lançado logo depois que os agentes da Rede Vespa tinham sido soltos após a política de distençao entre os Governos de Barack Obama - Raul Castro nos anos mais recentes. Mas o epílogo, na verdade, não trata desses momentos em que os cinco agentes, que nao se renderam a pressão americana, acabaram sendo soltos depois de anos de prisão. Talvez, apesar das inúmeras qualidades que Fernando Morais imprime ao seu trabalho de recuperação de personagens com suas vidas e sentimentos diante da História com H maiúsculo, tenha faltado mais doses e passagens em que os agentes cubanos de observadores passaram a ser observados e cercados pelo FBI - a formação do cerco foi o que senti mais falta. No entanto, ler Os Últimos Soldados da Guerra Fria me permitiu retornar a uma rotina em que viajar através de páginas e mais páginas, palavras e mais palavras, pelos encantos e magia de um livro, transformou-se num momento já há algumas semanas ausente e vencido pela burocracia e formalidades dispensáveis. Daí, como há muito não tinha lido mais nada de Fernando Morais, desde tempos imemoriais quando peguei A Ilha e Olga pela primeira vez e terminei de uma sentada, voltei a ficar interessado em percorrer os meandros de suas reportagens, biografias e resgates históricos. Confesso que, interessado mais pelos temas políticos que sou, não tive interesse em procurar Corações Sujos, nem mesmo O Mago, como tivera quando saiu Chatô - O Rei do Brasil. Quando será que ele lançará a biografia de Antonio Carlos Magalhães? Está pronta? Tem algum impedimento ético que o impeça de lançar o livro?
019 - 1968, O Ano que Não Terminou (1988, Zuenir Ventura, pp. 309)
★ ★ ★ ★ ★
"Nós estávamos decididos a morrer e morremos"
Entre a vida e a literatura, por um momento, a burocracia e rotina quase venceram. Passei, praticamente, um mês para concluir a leitura de 1968 - O Ano que Não Terminou, que li pela primeira num longínquo ano de 1992. Reler foi um prazer sem tamanho, sobretudo pela força da juventude narrada nos atos destemidos contra um regime de exceção. De tantos, um dos momentos emblemáticos se dá quando Zuenir Ventura analisa aquele fatídico 13 de dezembro de 1968: o Presidente Costa e Silva reune seu séquito de generais e civis colaboradores para decretar o Ato Institucional - 5 que aprofundou o Regime Militar nas formas mais extremas.
Naquela reunião, a ficção perdeu para a realidade. Qualquer semelhança não é mera coincidência:
"O resultado, hipertrofiado, revela a realidade como o realismo é incapaz de fazê-lo. O problema é que as vezes a realidade permanecia mais absurda do que sua paródia, deixando o surreal aquém do real. Naquele palco, por exemplo, José Celso Martinez Correa teria pouco a acrescentar. Os personagens reais eram suas próprias caricaturas, e o choque entre o que se propunha e as razões pelas quais se dizia aceitar o proposto era um jogo de cinismo que nenhuma transposição dramática conseguiria superar. Além disso, uma retórica de elipses e eufemismos produzia subversões semânticas capazes de colocar a palavra democracia - que estava sendo expulsa daquela mesa e do país - em quase todos os discursos, enquanto a Ditadura, que se instaurava, era tratada como uma ausente distante". (VENTURA, 1988, pp. 264)
018 - Linha M (2016, de Patti Smith - 211 pp)
★ ★ ★ ★
Considerada precursora do punk-rock e figura conhecida no mundo das artes de Nova York e do mundo, como poeta, desenhista, fotógrafa e escritora, Patti Smith já tinha escrito o seu romance de geração com Só Garotos (2010). Nele, refaz sua trajetória ao lado do fotógrafo Robert Mapplethorpe: seu companheiro e parceiro de muitas jornadas. Foi meu primeiro contato com a obra literária de Patti Smith e confesso que o li - relativamente - com mais entusiasmo há uns dois ou três anos do que agora quando li o seu último trabalho: Linha M - um livro mais reflexivo, tomado por uma atmosfera intimista, que registra suas impressões sobre a vida, os lugares e as pessoas com quem teve contato, conviveu ou admirou ao longo das décadas. Nesse livro, Patti Smith presta uma homenagem a Fred: seu marido, amor de toda a vida e pai de seus dois filhos. Se pudéssemos demarcar suas fronteiras, Linha M pode ser classificado como memórias, livro de viagem e, ao mesmo tempo, de impressões sobre o mundo e a vida. Com todos esses elementos reunidos, é também a fonte de onde emana o tom poético e de amor ao mundo e a vida de Patti Smith. Ao longo de pequenos capítulos, temos uma celebração - principalmente - a literatura e a seus escritores de cabeceira, com infinitas obras, romancistas e poetas deslizando por suas páginas, lembranças e impressões. Em Linha M, Patti Smith imprime sua paixão pela literatura de uma forma que, no decorrer da sua leitura, somos impulsionados ler os romances de Roberto Bolanos e Haruki Murakami, Jean Genet e William Burroughs, além de tantos outros que vão aparecendo na mesa do Café Ino, em Nova York, onde Smith se refugiava em diversos momentos do dia e tomava notas em sua moleskine. Em Linha M, a paixão pelo universo literário se materializa na reverência que Patti Smith presta em suas viagens aos romancistas mortos, quando sempre encontra uma oportunidade para levar flores e outros objetos para os túmulos em que jazem - como fizera com Sylvia Plat e Jean Genet, ao visitar seus jazigos na Inglaterra e no Marrocos, respectivamente. Em Linha M, por outro lado, ficamos próximos de um ser solitário, convivemos com ela no refúgio do seu pequeno apartamento no Greenwich Village, em NYC, com seus gatos e séries de televisão - como The Killing e CSI Miami. Refletimos juntos com Patti Smith na solidão de seus devaneios, pensamentos e sonhos, perambulamos com ela pelas ruas da cidade de NY a procura de um café aberto para passar as horas - na sua habitual mesa de canto a olhar o tempo e inscrever suas notas nos guardanapos de papel. Tem capítulos marcantes, como o da sua viagem ao Japão, a Guiana Francesa e a Inglaterra ... para fotografar o túmulo de Sylvia Plat. Mas, lamentavelmente, nesta edição da Companhia das Letras, o lado fotógrafa de Patti Smith foi secundarizado, mesmo com todo o potencial de Linha M para também ser um livro de fotografia… porque parte indelével da vida e das viagens de Smith. (O curioso é que o grande ausente, em Linha M, é o universo da música, a trajetória musical como cantora e compositora de Patti Smith, pois só em raras e discretas passagens é que aparece uma menção a sua admiração por John Coltrane e o registro a uma referência de Fred a uma canção de Louis Armstrong).
Livro 15 de 2016: Amy & Matthew - na semana passada uma amiga me marcou no Facebook em um vídeo em que um bebê chora desconsolado quando o livro que estão lendo para ele acaba. Eu comecei a chorar quando faltavam mais ou menos cinco capítulos para acabar Amy & Matthew e só parei alguns minutos depois de terminar a leitura. Amy é uma menina com paralisia cerebral parcial e precisa de ajuda para algumas coisas básicas. Em seu último ano antes da faculdade ela pede a sua mãe que contrate alguns colegas para lhe ajudar no dia a dia ao invés dos adultos que sempre teve. Amy irá para a faculdade no ano seguinte, mas na verdade ela quer se aproximar de Matthew, a única pessoa até hoje que ela acha que foi sincera com ela. Matthew é um ajudantes improváveis, lutando contra o TOC recentemente desenvolvido. Apesar de um exterior que faz com que ambos sejam julgados pelos outro Amy e Matthew criarão uma forma amizade, um ajudando o outro a enxergar o que antes parecia invisível. A autora foi feliz demais na criação dos personagens principais e dos demais "ajudantes" de Amy e me parece entender muito bem sobre "aparências" que não significa nada. Recomendo especialmente para quem gostou de Extraordinário e Eleanor e Parker. #livros #livros2016
017 - O Grifo de Abdera (2015, de Lourenço Mutarelli - 264 pp.)
★ ★ ★ ★
Ecos de Se um Viajante numa Noite de Inverno por todo o livro. Esse último trabalho de Lourenço Mutarelli é maravilhoso por esse grau de engenhosidade narrativa calviniana que impregna todas as suas três partes: I. O Livro do Fantasma, II. O Livro do Duplo e III. O Livro do Livro. O duplo é uma dimensão estruturante que percorre todos os personagens principais, que são múltiplos, mas, ao mesmo tempo, os mesmos; e entrecruzam-se. A autoficção, sob a pena de Mutarelli, um procedimento formal que tem maiores efeitos se o leitor conhecer a obra do autor que ecoa por todas as páginas. Já a metalinguagem, que, além de abordar o universo literário e dos escritores dentro da narrativa, especialmente a obra do próprio Mutarelli, vai mais longe quando nos confunde ao construir O Grifo de Abdera dentro do próprio Grifo de Abdera. A impressão que se tem, ao ler esse ultimo livro de Lourenço Mutarelli, arrisco o palpite, é que é crível supor que haja extratos dos outros trabalhos do autor por toda parte. Mas, apesar de só ter lido de Lourenço Mutarelli apenas A Caixa de Areia, O Grifo de Abdera instiga o desejo de querer conhecer seus demais livros. É quase uma carta convite à sua obra, sem ser publicitário ou autoreferente, com reflexões sobre si, o ato do escritor, seus medos e tambem fracasos. O Grifo de Abdera quase não termina, com seus “Fins” que não se acabam, reiteração de passagens e personagens que se bifurcam. Somente ontem foi que tomei conhecimento desse Grifo de Abdera, ao bisbilhotar o canal do YouTube Estúdio Fluxo e descobrir uma entrevista de Mutarelli e Marcelino Freire. Dei um pulo na Livraria Leitura, comprei um exemplar e o li de um fôlego só, o que se tornou uma experiência fácil pela elegância da escrita de Mutarelli, pelo humor que perpassa seus personagens e situações e por uma certa melancolia rondando todo o percurso: “Todo livro é uma despedida” - pra quem o escreve e, sem dúvida, pra quem termina sua leitura. Nesse seu último trabalho, Lourenço Mutarelli arranja uma forma de colocar os seus parceiros do mundo literário ao longo do percurso - Freires, Aquinos e Lins não deixam de ser lembrados. Um romance de geração, pelo mundo que enreda em seus dilemas, é o que também fica latente em O Grifo de Abdera. E de certa forna é um excelente ponto de partida pra iniciar-se na obra de Mutarelli, apesar de ser, paradoxalmente, um ponto de chegada. Pelo o que nos foi dado na entrevista do Estúdio Fluxo, o próximo livro de Lourenço Mutarelli será o romance de sua experiência em Nova York, que foi proporcionada pelo Projeto Amores Expressos e cujo blog com os relatos de escritores brasileiros em uma cidade do mundo acompanhei na época.