020 - Os Últimos Soldados da Guerra Fria (2011, Fernando Morais, pp. 379)
★ ★ ★ ★ Excelente livro sobre os agentes cubanos infiltrados nas organizações anticastristas em Miami, que, no início dos 90 do século passado, iniciaram uma ofensiva terrorista contra postos, hoteis e monumentos turísticos de Cuba e, por isso, precisavam, com antecedência, ter suas ações interrompidas. Naquele momento, depois da queda do Império da URSS, atentar contra o turismo cubano era uma forma de fragilizar ainda mais o Governo de Fidel Castro que passou a se manter de atividades turísticas. Nesse livro, Fernando Morais dá um ritmo de thriller político a narrativa, que cria todo um clima em torno dos momentos de recrutamento, preparação, relações e fachadas que precisam ser criadas para não ser descobertos. Acompanhando o passo-a-passo de cada um dos agentes infiltrados, Morais nos mostra como a pirâmide hierarquizada da Rede Vespa foi montada, com um chefe-supervisor, agentes intermediários e os agentes da base; suas rotinas para sobreviver, já que eram escassos os recursos mandados de Cuba; as estratégias para se envolverem nas dezenas de organizações terroristas criadas pelos exilados na Flórida; os casos amorosos, as vidas clandestinas, a luta diária de ser outro mesmo sendo alguém de carne e osso ... e com um passado que, possivelmente, não teria mais volta. O tempo todo, no decorrer da leitura sobre os agentes infiltrados, acompanhou-me O Homem que Amava os Cachorros, sobretudo porque é um livro que nos apresenta o estratagema stalinista de formação de quadros que se metamorfoseavam para atender missões políticas e, consequentemente, ganhavam outra identidade, psiquê, vida e história. Quando soube do livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria, eu pensei que tinha sido lançado logo depois que os agentes da Rede Vespa tinham sido soltos após a política de distençao entre os Governos de Barack Obama - Raul Castro nos anos mais recentes. Mas o epílogo, na verdade, não trata desses momentos em que os cinco agentes, que nao se renderam a pressão americana, acabaram sendo soltos depois de anos de prisão. Talvez, apesar das inúmeras qualidades que Fernando Morais imprime ao seu trabalho de recuperação de personagens com suas vidas e sentimentos diante da História com H maiúsculo, tenha faltado mais doses e passagens em que os agentes cubanos de observadores passaram a ser observados e cercados pelo FBI - a formação do cerco foi o que senti mais falta. No entanto, ler Os Últimos Soldados da Guerra Fria me permitiu retornar a uma rotina em que viajar através de páginas e mais páginas, palavras e mais palavras, pelos encantos e magia de um livro, transformou-se num momento já há algumas semanas ausente e vencido pela burocracia e formalidades dispensáveis. Daí, como há muito não tinha lido mais nada de Fernando Morais, desde tempos imemoriais quando peguei A Ilha e Olga pela primeira vez e terminei de uma sentada, voltei a ficar interessado em percorrer os meandros de suas reportagens, biografias e resgates históricos. Confesso que, interessado mais pelos temas políticos que sou, não tive interesse em procurar Corações Sujos, nem mesmo O Mago, como tivera quando saiu Chatô - O Rei do Brasil. Quando será que ele lançará a biografia de Antonio Carlos Magalhães? Está pronta? Tem algum impedimento ético que o impeça de lançar o livro?













