☮ do bróder azul
my muse’s reaction to your muse waking them up after a nightmare.
Naquele mundo, nada existia. O céu fundia-se com o chão num horizonte infinito pintado de cinza e vermelho. Nada em sua frente, nada ao seu lado, e atrás somente a vastidão do desconhecido. Naquele mundo, reinava os gritos de alguém
quem é você
que conhecia. Estava certo disso, como estava certo que o vermelho no céu era sangue, e no escuro do piso, criaturas se esgueiravam mudas, a procura de
matar
perdão por simples pecados. Quem poderia conceder a eles piedade era aquela que gritava em agonia, a sombra de cabelo comprido e AMARELO distante, borrada entre as duas cores daquele mundo sepulcral. Precisava, ele precisava chegar até ela antes do Resto, antes do silenciar de sua agonia. Não se atrase, não fique para trás, alcance-a, corra corra corra corra
e corra para longe dela, para longe do perigo, para longe, pois seus gritos são para salvar a ti e não eles—-
Dante abriu os olhos com tamanha rapidez que pensou ter arrancado os cílios das bordas. Suor gelado escorria pelas costas e peito descoberto, grudava o cabelo fino na testa ensopada e na fronha do travesseiro. Na penumbra do quarto, imerso em silêncio e no ritmo dolorido do coração, demorou a reconhecer sua própria face que o encarava, certo desconforto moldando os traços do rosto conhecido. Ele puxou o ar com força, até os pulmões doíam depois do pequeno sonho que teve. Costumava assistir aquela merda todas as noites quando menor, antes de crescer e parar de ser uma criança idiota. Tinha voltado a esse ponto?
Sentou na cama, a maciez do colchão parecia feita para engolir seu corpo por completo. Acabou. “… Ei, Vergil. Foi mal te acordar.” Esfregou a mão rígida na testa, os fios da franja embaraçados pelo contato desleixado. Sonho estúpido, isso sim. “… Relaxa, que acabou.”








