Serendipity | Alex & Thea | Pós Plot Twist
Naquela manhã, Alexander Lochrin acorda com o nome dela preso em seus lábios: Dorothea. É engraçado porque ele está exatamente naquela linha — o momento em que suave interesse se metamorfoseia em alguma outra coisa que dá até medo de nomear. Que é tão essencialmente diferente do estado inicial quanto é igual. O encontro marcado para aquela noite estava indo bem, a princípio, e talvez futuramente pudesse ser considerado o primeiro encontro oficial deles, até receber uma chamada – porque simplesmente era impossível que nada acontecesse para atrapalhar quando estava com Thea. Suas irmãs, seu trabalho, sempre havia alguma coisa que os interrompia.
Mas, antes de sair em disparada do restaurante, deixando seu prato parcialmente intacto frente à Thurkell, Alexander concluiu o óbvio observando Thea, por vezes de esguelha, por vezes diretamente nos olhos. A jogadora era tanto deslumbrada quanto deslumbrante. Gostava quando o olhar dela capturava o seu em meio a uma frase, gostava dos sorrisos e do tom de voz que a morena usava. Dorothea parecia ser do tipo que se apaixonava por tudo aquilo que era vivo e vibrava, buscando significados grandiosos até nas coisas mais simples. Era certamente uma apaixonada. E muito provavelmente, apaixonante, Alexander pensou consigo mesmo. Deixou Thurkell, então, não apenas com um olhar apaixonado, mas com uma promessa que daria notícias assim que o que quer que o tivesse retirado do restaurante estivesse resolvido. Alex não costumava fazer promessas, nem para sua família, mas não resistiu às íris amendoadas de Thea e ao sentimento que começava a se espalhar dentro de si, um sentimento que ele nem sabia nomear ainda.
Foi por isso que, depois de ter resgatado inúmeros adolescentes no acampamento e enfrentado uma manticora, criatura que Lochrin conhecia apenas de livros teóricos, Alex, ao invés de ir direto para a cama que tinha reservada no St. Mungo’s – uma parte sombria do contrato de hit-wizard –, aparatou no centro de Londres, próximo a onde Thea havia explicado que era seu apartamento. Sentia seu braço esquerdo dormente e, quando abaixou o olhar para ver a gravidade do ferimento, encontrou sua camisa branca de linho ensanguentada e rasgada. Apenas quando deu duas batidas na porta de madeira do apartamento de Thurkell que se arrependeu de estar ali, porque concluiu que sua aparência deveria estar o completo oposto do começo da noite com a jogadora – estava um caco. Ainda assim, quando a morena abriu a porta apenas um segundo depois, Alex conseguiu esforçar-se a sorrir, como se tentasse tranquilizá-la e dizer que não estava tão mal quanto aparentava.














