The Satyr's Kiss: Queer men, sex magic and modern witchcraft. - Storm FaeryWolf.
Finalmente chegou a vez dele: hora de falar um pouco do que senti lendo The Satyr’s Kiss.
Sem muito mistério, deixo logo lá no final as imagens, os capítulos e textos que considero mais impactantes, importantes e que mais me tocaram (junto com mais alguns trechos que me foram muito caros) para meu humilde objetivo neste blog.
Mais um aprofundamento no estudo da magia feita por nós e para nós que utiliza nossas próprias simbologias, mitologias, ritos de passagem, linguagens, questões, desafios e capacidades únicas. Engraçado que este trabalho estranhamente dialoga muito com o Visionary Love que li anteriormente, principalmente na questão da potencialidade do Double. Acho que os Deuses têm uma “ordem de leitura” indicada para mim, porque ler nessa ordem específica tem realmente feito TODA a diferença nos estudos e práticas.
Arrisco dizer que os verdadeiros tesouros deste livro não estão necessariamente nos ritos ou feitiços passados. Um tesouro é algo que não é tão comum ou visível facilmente. Algo que se esconde nas sombras ou entrelinhas. Se você lê esse livro de sátiros buscando rituais e práticas sexuais interessantes, vai até encontrar muitos, mas as falas do coração que vêm nas entrelinhas são o grande tesouro desse livro.
Há momentos em que pareceu que o autor falou direto aos meus eus divino, astral e mental com a plena concordância de todos. Nossa magia está mesmo na polaridade? Só há um tipo de polaridade? Só há polaridade? O que é o poder do Double? O meio magístico escancaradamente heteronormativo (digo em ideias e práticas, não em meros discursos nem em quantidade de indivíduos) realmente nos reconhece como divinos ou, na prática, apena nos utiliza como suporte? Somos melhores como consumidores e devotos do que como seres igualmente divinos? Todas as perguntas que todos os livros anteriores tinham feito e que eu faço questão de trazer sempre também estão problematizadas no livro de uma forma bem simples e honesta. Sendo um livro de 2022, isso prova que essas questões já estão aí há tempos sendo ignoradas pelo mainstream mágico e que caminham para uma evolução substancial a passos mais lentos do que merecemos (mesmo dentro da própria comunidade LGBT+ magística, gosto sempre de frisar).
Eles sempre verão como “balela”, “exagero” ou “irrelevante”. Quantas vezes ouvi a velha conversa de que “Somos todos divinos”, “Espíritos não tem sexo”, “Deuses e entidades são mais que isso”, mas, na prática, perpetuam a cultura do apagamento Queer em prol da lógica binária e heteronormativa (na mitologia, nas práticas, nos discursos, nos ritos, nas palestras de Sagrados Feminino e Masculino, nas terminologias utilizadas, etc) relegando-nos ao suporte de alimentação da grande ilusão da superioridade heteronormativa (seja ela patriarcal ou matriarcal), achando que uma mera adição de “LGBTs também” no final de uma fala nos será suficiente.
Isso o próprio autor deixa claro num dado momento em que explica que muitos estão realmente tentando nos incluir, mas tentam nos incluir em SEUS mundos com SUAS regras e axiomas implícitos, sem ceder um milímetro nas questões centrais. E eu adiciono à fala de Faerywolf que eles fazem isso aplicando muitas distrações devocionais, comerciais, discursivas e estéticas, muitas vezes se aproveitando de nossa carência e necessidade de aceitação. Além do que muitos desses axiomas com cheiro e gosto de patriarcado e heteronormatividade são ditos universais, mas podem ser quebrados facilmente pela mera existência de qualquer Queer que nem sequer conhece algo sobre magia.
Enfim, o beijo do sátiro não é só sexualmente libertador. É questionador, é empoderador e mostra onde estão as correntes escondidas do Arcano XV. Quais delas você vê? Quais você não vê? E, principalmente, quais você não quer ver?
Sirius Cor Leonis















