Visionary Love - Desabafo + Primeiras impressões do Livro.
Desabafo (porque também tenho presas e garras) + Reflexões acerca do Sagrado LGBT+, da magia, da nossa missão e da comunidade.
Continuando os estudos do Sagrado Gay, os Deuses me trazem esse livro maravilhoso que ainda não terminei, mas que já estou achando fantástico. Muito em breve faço meu breve review após ler o livro completo. Por hora, gostaria de relatar alguns pensamentos que me vieram à mente enquanto lia essa primeira parte.
Por conta da escrita incisiva e provocadora do autor, alguns pensamentos que me são recorrentes ficaram ainda mais fortes. Por isso, hoje quero falar sobre uma coisa que já me incomoda há muito tempo tanto no mainstream do Mov Gay quanto nos gays magistas, bruxos ou esotéricos. Quando leio livros com mistérios e coisas tão fantásticas, logo me pergunto: Onde estão todos esses conhecimentos e materiais maravilhosos nos trabalhos dessas pessoas? Por que esses temas são tão ausentes ou tratados de forma tão rasa? Cadê o Sagrado Gay para além do que o livro chama da dimensão da sociedade do Falseself e da vontade de adequação aos espaços heteronormativos?
Posso estar bem enganado, e não me surpreenderia mesmo se eu estiver, mas após ler calmamente uma dezena desses livros, vários textos, artigos científicos ou não sobre esse tema do Sagrado Gay, do Ser Gay e do também sobre os LGBT+ como um todo, fico abismado com as chaves mágicas e profundidades únicas que eles trazem para nós.
Seus conteúdos são MUITO potentes e transformadores para qualquer LGBT+. E, infelizmente, isso faz com que muito do que eu veja por aí de magia e bruxaria pareça sem cor, inócuo para o meu espírito e, algumas vezes, até potencialmente castrador dos poderes pessoais únicos dos LGBT+.
Não estou dizendo que esses conteúdos mainstream não contribuam em nada, só estou dizendo que não surtem mais tanto efeito em muitos de nós e que, na verdade, muitas vezes eles nos reduz a um pensamento do tipo "só queremos ser aceitos pela sociedade do falseself". Esses bruxes e ativistas acabam só se adequando tanto em falas, quanto em conteúdos, quando em percepções, quanto em filosofia, pensamento e magia. Por isso, deixo como uma anotação de impressões, questionamentos e pensamentos que tenho vivido recorrentemente desde sempre, mas que ficaram muito mais fortes desde desse primeiro ciclo de estudos:
1) Por que os bruxos e magistas gays, embora sejam parte expressiva da comunidade mágica, quase nunca falam ou trabalham a Homotheosis e o Sagrado Gay em seus canais, veículos de mídia, livros, etc?
2) Por que quando há uma palestra ou conversa sobre Homotheosis é sempre tão rasa? Quem leu alguns desses livros sabe que a maioria dessas palestras pseudoinclusivas de Sagrado Masculino ou palestras do Sagrado Gay podem ter seu conteúdo inteiro resumido em dois ou três parágrafos introdutórios de qualquer um desses livros, Cadê o "ROIKA" que nos empodera de verdade?
3) Por que eu sinto sempre esse cheiro de "quero você como eu quero" vindo tanto de parte do Mov LGBT capitalizado quanto de Covens e grupos de bruxaria "inclusivos"?
4) Por que será que sinto que, na verdade, esses grupos nem sequer fazem a menor ideia de como pensar e trabalhar uma espiritualidade gay ou LGBT+ inclusiva para além dos modelos, símbolos e lógicas heteronormativas?
5) Por que somos sempre um "adendo da nota de rodapé" ou, no máximo, ganhamos uma citação de "gays também" nos conteúdos produzidos por esses covens tão pseudoinclusivos?
6) E, pior ainda, por que insistimos em nos submeter a isso? Por que insistimos em consumir, importar, nos adequar e reproduzir essa ilusão heteronormativa mesmo na arte e na busca espiritual onde, teoricamente, seriam caminhos promissores para o tal "ROIKA" e o "trueself" (eu verdadeiro)? Será que já estamos domesticados?
7) Por que quando alguém decide tratar sobre nossa espiritualidade no mainstream (mesmo com boa intenção) acaba sempre nos reduzindo a uma "variação" da "norma" sexual, quando, na verdade, é algo bem mais complexo e poderoso do que isso? O livro, por exemplo, traz os conceitos de Doublle e Magical Twinning que pode ser entendido como a Ressonância trazida com a Sinergia no fantástico livro Queer "Inclusive Wicca" da Ivonne Aburrow no qual a autora também contesta esse foco turvo e exagerado numa Polaridade cisheteronormativa.
8) O que ser gay ou qualquer outra letrinha do LGBT+ tem de potencial ÚNICO e exclusivo para o processo de evolução planetária e para a Nova Era? Garanto que temos mais a ensinar para o mundo do que meramente algo como "precisamos aceitar os pobres coitados que sofrem por conta do preconceito". Também temos nossas sabedorias mágicas próprias para trocar. Também temos mistérios e capacidades únicas e um papel fundamental nessa transição.
9) Por que tantos LGBT+ diluem sua real sabedoria e seu Self só para serem aceitos em grupos que nem sequer consequem/querem realmente nos entender? E, infelizmente, isso vale também para os grupos que parecem ser super "prafrentex". Nós temos que continuar nos mutilando para caber em suas nomenclaturas excludentes e alheias às práticas que SABEMOS que não fazem sentido e efeito conosco só porque eles "já foram super legais em nos aceitar" como membros? Isso é realmente inclusão ou aceitação? Isso é realmente te ver como "tão sagrado quanto qualquer outro"?
Posso dizer que muitos dos caminhos para essas respostas estão nesse e nos outros livros. Por isso, tirando alguns raríssimos veículos de mídia que tratam de alguma forma (mesmo que rasa) da homotheosis e dos Sagrados LGBT+ , sinceramente estou ficando MUITO cansado de ter que viver no mundo sempre retraduzindo e readaptando tudo.
Até quando vamos viver quebrando nossos ossos para cabermos nas realidades (mesmo as espirituais e religiosas) deles? Não podemos contribuir com nossas missões se continuarmos tão subservientes, tutelados, ignorantes, capachos, fracos, desunidos e meros replicadores do Falseself.
Não digo para irmos à guerra contra eles, mas digo para não sermos nem escravos e nem servos de nenhuma pessoa ou grupo. Mesmo que sejam gentis conosco. Leiam esse livro senhores (as/us). Ser LGBT+ é sim parte importante do seu Eu Divino e é absolutamente relevante para a espiritualidade aplicada no seu poder de modificação positiva no mundo.
Se os bruxos são caminhantes entre os mundos que podem transitar entre eles trazendo e levando sabedorias, nós LGBT+ somos naturalmente bruxos. Intrinsecamente bruxos. Nosso mero Ser, Sentir, Pensar, e Agir são bruxísticos. Nos temos nossa própria força. NUNCA SUBESTIME UM LÁPARO! Nem mesmo se você for um.