katja & kevin
Katja ainda viajava o mundo, e digamos que os seus lugares escolhidos para a estadia na noite não eram sempre os melhores. Tinha acampado numa cabana ao redor de uma cidadezinha, mas no meio da noite se moveu para uma casa ali perto, que parecia não habitada há um tempo.
E então, tudo começou. Estava perto, ela podia sentir. Os olhos alternavam o tom entre vermelho vívido e branco completo, num intermédio de azul (a cor normal das íris).
Estava acontecendo. Vozes. Vozes a chamando. Seu nome sendo pronunciado várias várias vezes, em diferentes tons e amplitudes. As mãos apertavam os ouvidos enquanto ela se encolhia no canto da casa abandonada. Merda.
Um irmão, tinha que ser um irmão. Essa sensação de uma corrente elétrica passando pelo corpo, impulsionando as sinapses nervosas e fazendo os membros se moverem por conta própria. Esse impulso e instinto primordial de se juntar, de achar a peça perdida. Ela andou, porém sequer sentiu as pernas se mexendo. Ela correu, mas não tropeçou ou hesitou num passo.
Oh não. Maldito fosse Kaadel. Que pai é esse que coloca os filhos à prova? Que os empurra ao extremo, que os faz terem pesadelos à noite? O nome lhe veio à boca num instante, como se já o soubesse há séculos.
--- Kevin!
Um demônio. Dois, e de repente três. Katja e o irmão estavam cercados. Dessa vez não havia escapatória. Era o velho jogo da presa e predador. Era matar ou morrer.














