“Vossa alteza, não sei o porquê estou escrevendo isso, talvez seja porque tu nunca vais ler isto, o que me deixa, um tanto, feliz. Observo-te desde que fora na aldeia, seus olhos e sorriso, sua pele alva que me lembra neve, suas bochechas coradas com um rosa mais belo que o das flores… Disseram a mim que isso pode ser uma doença chamada amor, acredito que eu esteja doente por ti, pois quando lhe vejo, sinto as tais borboletas no estomago, que tanto falam por aí. Se pudesses ler desse singelo pedaço de papel, entenderia o porquê te evito e tento lhe tratar mal, o passado que me persegue, que persegue vossa família é o motivo, mas saiba, se um dia encontrar isso, que princesas podem se apaixonar por sapos, e eu já sou um sapo apaixonado por uma princesa.
Com amor, Fourrié Alec, vosso súdito e guarda, e também de quem roubaste o coração com um simples sorriso.”
Já era apaixonado pela princesa que insistia em “menosprezar” a tanto tempo, que nem sabia mais, precisava dela perto de si, mesmo que tudo o que fizesse quando conseguia isso, era brigar com Louise. Os dias e noites eram torturantes, se passavam lentamente, se arrastando, como séculos. Suspirou passando no corredor onde ficava os aposentos de Louise, na esperança de que a moça estivesse acordada e saísse do quarto, para que ele a visse, pelo menos mais uma vez antes de dormir… Minutos passados e nenhum sinal de vida da moça, ou barulho vindo do quarto, concluiu que a mesma estivesse dormindo, e mesmo que pudesse ser punido por aquilo, adentrou o quarto dela, tentando não fazer barulho. Ela estava ali, deitada sendo iluminada pela luz da lua, tão calma, parecia um anjo, encostou a porta, e ficou a observando, cruzou os braços sorridente ao sentir o cheiro dela, doce, não era nenhum dos perfumes que usava, era realmente vindo dela. O aroma de rosas preencheu suas narinas, lhe fazendo respirar fundo e suspirar, mas não podia ficar ali, dando meia volta, virou-se para sair pela porta, acabando chutando a porta sem querer, o som ecoou pelo quase, sussurrou um “Urgh”, voltando a olhar para onde Louise dormia e viu a menina sentada na cama, coçando os olhos e olhando em direção a ele. “Me desculpe, princesa, eu já estou de saída”, sussurrou envergonhado, a escutou dizer um “espere” que soou baixo, a obedecendo, continuou ali, parado. “O que faz aqui, Alec?”, ela disse, era a primeira vez que a mesma havia o chamado pelo nome, o que o deixou um tanto confuso, “Vim ver se estava bem, sou seu guarda, lembra-se disso?” tentou agir como sempre agia com a princesa, mas dessa vez havia falhado, seu tom não era grosso ou arrogante, mas sim, protetor. “Eu estou bem, não está vendo? Pode ir se quiser e não me acorde mais”, dessa vez era ela que mantinha a postura esnobe de sempre e ele queria acabar com isso. “Louise….”, ele estava de cabeça baixa, seu tom de voz era triste, pegou a mão da moça, a levando até seu coração, fazendo com que a mesma se assustasse, continuou segurando firme a mão dela, para que a mesma, não a tirasse dali. “Louise, já faz muito tempo que, você faz ele bater mais rápido e eu não entendia o porquê, até baixar a guarda, e eu sinto que te amo e que preciso cuidar de você”. Aquelas palavras eram sinceras, ele com certeza não conseguiria as dizer novamente, não era romântico e muito menos passivo como estava sendo no momento. “Eu posso mostrar o contrário, e ser grosso e mal educado, mas é porque eu tenho medo de contar o que sinto e ser rejeitado, afinal, você é uma princesa e eu, um mero plebeu que odeia seu pai”, riu fraco durante a última parte, mas se mantinha do mesmo jeito, “Eu menti quando disse que sua mãe me escolheu pra te proteger, eu implorei ao comandante para que me desse um emprego aqui, mas não sou tão grande e forte como eles, e só estou aqui porque lutei por isso”, fez uma careta se lembrando do ocorrido, a verdade é que não havia lutado, mas sinto espancado pelos outros guardas pra mostrar seu valor e força, as marcas em seu corpo se mantinham roxas e as feridas inchadas, escondera isso todo o tempo, pois não queria que Louise disse dó de sua pessoa, mas sim compaixão e amor. A moça o olhava um pouco confusa, com certeza assustada pela atitude dele e pelo relato, o mesmo soltou a mão da jovem, levou a mão as costas de sua camisa, a puxando para cima, tirando a peça, que revelava não só machucados, arranhões e cicatrizes, mas também músculos.
“Alec…” ela sussurrou, visivelmente assustada, a situação do rapaz era realmente grave, ele parecia ter sido torturado, ele sabia que aquilo fora bem mais que uma surra, mas isso, não contaria a ela. “Toque as, por favor”, pediu a olhando nos olhos, pegando a mão da moça novamente e a beijando suavemente, ao soltar a mão de Louise, já sentia a mesma tocar lhe cuidadosamente, percebia a menina apreensiva, com medo, ele não queria que ela ficasse assim, mas precisava contar a ela o que sentia e prova que aquilo era real. “Eu nunca imaginei que…”, ele não deixou que ela falasse, levou um de seus dedos aos lábios dela, a calando rapidamente, “Louise, eu não quero que sinta dó, ou pena, só que saiba que eu passaria por mais 10 surras dessa, por você”, sorriu para ela, um sorriso terno e sincero, os olhos dela estava escuros, brilhando porém com um pouco de água, “Não chore, por favor”, secou lhe a primeira lágrima que insistiu em cair dos olhos dela, “Não seque essa piscina feita de turquesas por mim, princesa”, ela tinha dificuldade em conter as lágrimas, ele, em conter o sorriso mesmo que fechado em sua face. Voltou a segurar a mão dela, levando sua outra mão para a cintura da moça, “Posso?”, estava lhe convidando para dançar, era louco, com toda certeza, mas para ele, significaria muita coisa. Lhe segurou pela cintura, a puxando para perto de si, não os colando pelos machucados em seu corpo, a guiava calmamente num ritmo que nem ele conhecia, ao som de uma música que tocava apenas em sua mente, a girou e a puxou para si, agora, a trazendo mais pra perto, deu um último sorriso e parando a dança, soltou a princesa. “Acho que você precisa dormir, vossa alteza, fico feliz que esteja bem, lhe vejo amanhã, cara de pata”, deu um meio sorriso pegando sua blusa e vestindo, quando dera meia volta, já com a peça no corpo, sentiu a mão da moça em seu ombro, o segurando. “Antes que vá embora…. Obrigada por vir saber como estou, pelo que fez, pela dança, e por ser tão irritante e mal educado e grosseiro também, e por isso…” Ela se aproximara dele, o abraçando pelo pescoço e justando os lábios de ambos, um pouco surpreso, tentava raciocinar e corresponder, levou suas mãos a cintura de Louise e a puxou para si, correspondendo o beijo, era apenas um selinho demorado, a verdade, é que nunca tivera beijado na vida e não sabia o que fazer, torcia mentalmente para que ela estivesse na mesma situação e não prolongasse muito o beijo. Segundos passados, o beijo fora quebrado, ela estava envergonhada, ele surpreso, riu fraco, lhe beijando a testa e saindo do quarto, se controlando ao máximo para não gritar e acordar todo o castelo.
O verão no povoado não era a melhor estação, o calor era intenso, os lugares para se refrescar, inexistente, para o Rei e homens que ajudavam no governo, tendo um poça de lama, as aldeões estariam bem, eles eram considerados animais, era um dos motivos para Alec odiar toda a monarquia, excluindo apenas Louise. Mesmo que ela fosse uma princesa, era perceptível que também sofria com o calor, mesmo tendo um título importante, ainda era humana e mesmo que fosse um dragão, Alec ainda assim a amaria, mas o amor, não mudaria o fato de que estava quente e ensolarado. Se aproximou da princesa, que estava com a rainha, se curvando em forma de respeito, apenas fizera aquilo pela rainha, Louise sabia disso. “Vossa majestade, vossa alteza”, as cumprimentou, logo voltando a ficar de pé, olhando para Lou por um tempo, antes de virar o rosto, como se fosse um sinal de “me siga”, saiu da presença das duas, andando para o jardins, no campo de visão da loira, ela parecia ter entendido, pois sussurrava algo com a mãe antes de se levantar, andara mais saindo do campo de visão das duas, a espera da moça. Observava as rosas e grama e pensava no trabalho que tinha o jardineiro dali, “pobre coitado”, pensou alto, “Falando sozinho agora?”, soou a voz de Louise, que estava atrás de si. “Cara de pata, você chegou e não está fedendo hoje, que milagre, o que houve? Não engoliu aquele perfume horrendo?”, brincou, lhe dando um selinho rápido, fazendo a moça se constranger e ficar apreensiva quanto a serem vistos ali. “Não se preocupe Louise, aqui está vazio, ninguém nessa calor que ficar no meu de rosas com espinhos” riu, pegando um flor da roseira e entregando a Louise, “cuidado com os espinhos, eles são bonitos, mas machucam”, disse num tom de deboche, como se estivesse falando com uma criança. “Por que vieras para cá e me chamardes?”, ela perguntou sentindo o perfume da rosa, sem achar graça do comentário de Alec. “Porque fazes muito calor, e eu conheço um lago onde podemos nos refrescar, sem sermos pegos e onde pode se banhar sozinha, sem ter que dividir com os guardas ou, os aldeões não civilizados”, rira com o próprio comentário, ela o olhava desconfiada, mas pensando bem, aquela opção era a mais viável no momento. “Certo, vamos, mas não podemos demorar”. “Não vamos demorar, alteza….”