Abriu os três primeiros botões da camisa, livrando-se do aperto em volta do pescoço suado, e suspirou de alívio pela primeira vez depois de tantas horas. Observou atentamente a mão ensanguentada, cujo tal líquido escarlate coloria as diversas tatuagens aparecendo por entre as falhas da base líquida, que há muito havia derretido. Pequenos cacos de vidro ainda estavam encravados em sua pele, ele sentia conforme movimentava os dedos para certificar-se de que pelo menos aquela parte do corpo não estava tão danificada. Jiho havia feito um bom trabalho, pensou enquanto se atrevera a sorrir amargamente, ato que em seguida o fez ranger. Talvez tivessem visões diferentes do que aquele evento significava, mas, para Jaesun, não havia sido nada além de uma forma de suprir sua necessidade desenfreada de arrumar encrenca quando estava de mau humor. Sabia que era culpa sua, e que também era irresponsabilidade. E, pior ainda, tinha certeza absoluta de que havia causado estragos bem maiores dos que usualmente causava quando estava em sua vida noturna. Mas, esse era ele. Um ímã para confusão; Jaesun constantemente alternava entre ser o mocinho e ser o vilão.
A coluna doía como o inferno, tal como o braço deslocado e a provável fratura no joelho, que havia o feito mancar até a área do saguão, onde estava longe de prováveis julgamentos ao menos pela próxima hora. Encostou a cabeça na parede e fechou os olhos brevemente, sentindo aquele desconforto que, infelizmente, era tão usual quanto o ar que respirava. Vivia com dores, vivia machucado e praticamente não vivia, afinal de contas, as consequências de precisar tão desesperadamente sentir algo tão nocivo e tão tóxico quanto a dor caracterizava uma pessoa que havia perdido grande parte de sua vontade de continuar vivendo, mesmo que o coração pulsasse e fisicamente estivesse ali. Escutou barulhos de passos aproximando-se de si e, instantaneamente foi tomado pela vontade de ficar surdo, ou mudo, ou cego. Não queria ver, nem escutar e muito menos falar com qualquer pessoa naquele instante, infelizmente, sentia-se mal o suficiente para atropelar as próprias vontades, e obrigou-se a encarar o que sabia que iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Entretanto, diferente do que esperava, não foi Seun ou Nari que apareceram para lhe dar uma bronca, havia sido aquela mulher inconveniente, aquela que insistia em tratá-lo como um animalzinho ferido e, aquela que conseguia deixá-lo intrigado tão facilmente que se enraiveceu por alguns instantes, culpando-se por não pensar no quão óbvio era que justo Haneul fosse atrás de si. Não sorriu, não fez nada além de fitá-la enquanto esta caminhava, com certa curiosidade. Não tinha forças o suficiente para afastar ninguém naquele instante, então, para a felicidade – ou infelicidade – da mais nova, as guardas de Jaesun estavam baixas. --- E aí. --- Disse, sem muita vontade.