As pessoas seriam, no mínimo, 80% mais felizes se passassem metade do tempo com crianças. Quer dizer, você já parou pra conversar com qualquer garotinho de 7 anos? Você conta os seus planos pra ele, e por mais idiota que possa lhe parecer, eles vão achar incrível e possível.
Não entendo adultos. Nem 0,0% deles. Não faço ideia de como conviver com eles. Quer dizer, eles passam a sua infância inteira te dizendo pra procurar o que te faz feliz, daí você decide fazer isso. Um dia desses decidi contar os meus planos pra um deles. Disse que ia fazer algo que me deixava feliz, que fazia meu coração bater mais forte, mas que não era lá a maior renda de dinheiro. "Mas garota, porque? Você pode fazer um concurso público, que é muito mais fácil!" Respondi que pra mim, as horas gastas dentro de lugares onde ninguém era feliz de verdade, não valia a pena o dinheiro. "Bom, quando você ficar mais velha vai mudar de ideia." Olha, eu honestamente espero que não. É claro que vai ter dias que a vida vai ser uma grande porcaria. Em que vou me arrepender de não ter seguido o caminho mais fácil, a rodovia principal que todo mundo pega. O mesmo destino. Só os carros são diferentes. Só que acontece, que eu não quero essa rodovia. Ela já está lotada! Poluída! Eu quero o outro caminho, mesmo que seja sinuoso e cheio de quebra-molas. Que mal tão grande há nisso? Quer dizer, vocês acreditam tão fielmente que eu não consigo ir pela outra estrada só porque sou nova na direção? Que eu posso me perder no meio dela? Claro que sim! Por favor! Que eu me perca!
A ideia de que é inevitável pegar uma estrada, porque a outra só leva a morte, é triste demais. Não consigo idealizar uma vida onde eu passe anos estudando pra trabalhar em um lugar que provavelmente vou odiar, com outras pessoas que estão ali pelo dinheiro e pelo ideal de uma vida estável. Dane-se a estabilidade! Quero ser feliz. E se existe uma possibilidade, mesmo que seja pequena, perigosa e instável, eu vou por essa rodovia. Nem que seja sozinha.
E se ninguém concordar com os meus planos, quem liga? Tem um milhão de criancinhas que bateriam palmas, e subiriam no banco de carona.








