Fui andando ao longo de um corredor escuro, sem janelas. Havia uma porta no fim com uma maçaneta grande de prata e, ao chegar diante dela reparei que tinha um número em alto relevo acima da fechadura: 1977. Sem entender, empurrei a porta esperando que estaria trancada, mas não. Quando entrei, vi que havia uma janela imensa do lado esquerdo, inclinada, e sendo atravessada por uma luz fantasmagórica. Percebi que a sala era uma espécie de fábrica, com andaimes de cor preta e paredes pixadas. Um palco redondo no centro completava o cenário, somado a um letreiro de neon pendurado no canto direito. 1977. Eu voltei no tempo. Estava em 2016 num segundo e no outro, me vi no passado.
Me senti em casa. Vi mulheres reivindicarem seus direitos e vencerem, vi o Corinthians ser campeão paulista em cima da Ponte Preta após um jejum de 23 anos, vi a estréia dos Trapalhões na globo e vi Elvis Presley falecer. Chorei, mesmo já sabendo que isso tinha acontecido. Não queria mais voltar, porque 6 princesas com vozes angelicais apareceram sentadas na minha frente, entoando canções que me fizeram flutuar, sem sair do lugar.
Fiquei feliz de novo. Algo me dizia que eu precisava voltar, mas antes disso, deixei canções gravadas em 1977. Seis gravei com as princesas e seis cantei sozinho. Fiz uma cópia em fita cassete e vhs e atravessei a porta de volta pro hoje. Trouxe os registros daquele dia pra você. Mas tenho uma ideia melhor: que tal se eu te levar até 1977 comigo? Agora eu já sei o caminho. (Luan Santana)














