Desinstitucionalização? Para quem? Qual público ela atende? É lindo e democrático ver doentes mentais em passeata com suas família unidas contra a instituição psiquiátrica. Mas só quem está dentro do sistema hospitalar psiquiátrico sabe que hoje em nosso país não existem instituições mais aptas e capacitadas para receber certos pacientes. O sistema não muda apenas em uma das vias, o hospital. É mais do que necessária, é urgente, a mudança que deve haver na visão social a respeito dos transtornos mentais. Existe um preconceito embutido nas camadas da nossa sociedade de que gente “louca” é incapaz de tomar dianteira em suas vidas particulares. Esse estigma não se rompe apenas com o fechamento de hospitais, e quando defendo seu funcionamento não me posiciono a favor das atrocidades cometidas em sanatórios e manicômios. Mas ponho minha opinião em favor das instituições que buscam oferecer seu melhor para o tratamento psicológico de diversos pacientes. Como estudante do 6º semestre do curso de Psicologia, e estagiária em um hospital psiquiátrico em minha cidade, afirmo com certa propriedade, oriunda de debates e reuniões com profissionais do ramo, que a realidade dessa luta, atualmente, é infundada. Liberar os pacientes em minha cidade da instituição que os abriga é largá-los num mundo de “loucos” que não sabe recebê-los, respeitá-los ou sequer “segurar as pontas” quando as frequentes crises, recaída ou negações em tomar medicações surgirem. As lutas mais bizarras e infundadas batalham por uma parcela do real problema com a desculpa de que temos que começar por algum lado. Que comecem a luta pelo fim do preconceito, que divulguem a arte de ser quem realmente somos. Todo indivíduo possui um lado psicótico em sua mente, uma zona na qual suas fraquezas são mais salientes e que os predispõe a surtos. Vamos divulgar que ser “louco” é ser normal e que errado é matar, roubar e principalmente DISCRIMINAR! Meu povo precisa de um choque de realidade, onde os meus queridos “loucos” os quais trabalho semanalmente são extremamente inteligentes, criativos e produtivos. Depressão não é frecura, suicídio é coisa séria, ansiedade atormenta, esquizofrenia é realidade do ponto de vista de quem delira, e o tratamento não se faz só com remédios. Se faz principalmente com atenção, carinho, compreensão e cuidado. Se faz com amor e inclusão. Sonho com o dia que a instituição psiquiátrica mude, mas não podemos jogar nossos enfermos nas ruas com a ideia utópica de que famílias despreparadas e desamparadas pelo sistema os abriguem. O atendimento tem que ser mais humano, tanto para os pacientes quanto para a família. E a sociedade como um todo tem de receber os doentes mentais de braços abertos, só assim, um dia, teremos capacidade de “fechar” nossos hospitais.












