We're all part of the system || Lucael
A medida que tornava-se cada vez mais pronto para sair de casa e ir ao evento que celebraria os 30 anos de poder dos Chanceleres, pensava em que o seu pai estaria fazendo no momento, ou o que estaria dizendo a ele caso pudesse. Estaria orgulhoso pelo rumo que decidira tomar de sua vida? Esperava, e tinha quase certeza que a resposta seria sim. Embora nunca houvesse sido encorajado pelo homem a fazer tal coisa, tampouco a seguir a profissão empresarial da família, acreditava que seu desejo vingativo fosse suficiente para poder escolher seu destino. Mesmo que houvesse a possibilidade de tal vingança nunca ser realmente cumprida por ele, uma vez que não havia certeza de que poderia de fato acabar com pelo menos um grupo rebelde. Contava, no entanto, com a escolha dos seus superiores. Ele era definitivamente a pessoa mais calma em qualquer situação que conhecia, e acreditava ter o potencial necessário para ser o escolhido a ser um espião, e com um pouco de habilidade sucederia em glória e teria sua tão estimada vingança. Seu destino estava jogado nas mãos do seu desejo, e tinha certeza que no fim, valeria a pena. Pelo menos, esperava com certa estima que fosse assim.
Além de sua obrigação em comparecer ao evento em nome do trabalho e sendo um cidadão, sua tarefa do dia era servir de guarda costas para a filha de um dos Chanceleres. Ele declinaria se pudesse, sem dúvida alguma servir de babá estava bem longe de estar na sua lista de desejos ou iria, de alguma forma ajudá-lo em sua vingança. Mas a escolha era irrelevante para alguém como ele, o rapaz apenas fazia o que tinha que fazer e não poderia se dar ao luxo de questionar ou recusar o trabalho designado a ele, sendo o que quer que fosse. Portanto não o fez, e agora era obrigado a comparecer a mansão do homem para escoltar a garota, juntamente de outros seguranças contratados para o serviço. Não havia escolha, mas não poderia ser assim tão ruim. Podia? Na verdade, temia que sim. Ao invés de aproveitar o evento como o restante das pessoas poderia, os policiais no geral, e é claro, ele mesmo, estariam ocupados o tempo inteiro vigiando alguma coisa, olhando para todos os lados em busca de qualquer movimentação fora do normal ou levemente alarmante. Era seu trabalho, afinal. E na ocasião, não deixar que qualquer coisa encoste naquela menina seria sua missão.
Saiu da sede em que se encontrava e permitiu-se ir até o local designado para sua tarefa, incomodava-se apenas com o ridículo terno que era obrigado a estar e com os fones para comunicação entre seus companheiros de trabalho. Fora isso, tinha sua arma de fogo e munição bem guardados dentro do paletó, e quase desejava ter de usá-los.
Parou na grande mansão e logo entrou como lhe fora ordenado, esperando pela sua escoltada junto de outros guarda costas, conforme a noite caía. Só esperava poder ao menos levar algum crédito especial por ter de aguentar uma noite inteira de babá, sem que de fato precisasse usar sua arma em si mesmo.