Luzes de emergência se acenderão automaticamente - Luisa Geisler
Eu não sei o que dizer sobre o livro da Luisa - porque foi assim que “Luzes de emergência se acenderão automaticamente” ficou conhecido entre minhas amigas, O Livro Da Luisa -, só sei sentir. Esse livro me fez escrever cartas para quem eu já deveria ter esquecido e, na verdade, já esqueci. Me fez perdoar quem nunca pediu desculpas. Sentir falta do tempo em que eu decidia perder o último ônibus só pra ficar mais um pouquinho. Hoje eu mal ando de ônibus - e sendo o Rio de Janeiro isso deveria ser bom. E olho essa história que se diz minha como quem lembra de cada cena, mas não se recorda muito bem porque foi mesmo que gostou. Então esse livro funciona como um trem ou um brt da memória. Ele interrompe, durante um intervalo de páginas, a distância entre quem eu fui e sou. Me reconduziu. Até Los Hermanos eu escutei - sem sentir a vergonha alheia porém muito próxima como é de costume.
Aos 25 anos, a gente - ou só eu mesma - sabe que identidade não é tudo isso. É tão sensível como uma foto revelada. A vida é quase sempre essa repetição de “sei lá”. É normal não durar. Sem crise. Uma angústia sem nome que um dia encontra destino ou se interessa por outro percurso.
tenho a sensação de que eu vou ficar o resto da minha vida procurando o que é que eu quero fazer e tal e nunca vou saber exatamente. Esse sentimento adolescente meio que permanece. Eu aos dezoito anos vou achar que aos vinte e dois vou saber, e daí aos vinte e dois vou achar que vou saber aos vinte e cinco, aos vinte e sete, aos trinta, aos trinta e cinco. Quando tu vê, tu não tem mais chances de fazer o que tu quer porque tu passou todo esse tempo procurando o que era isso.
E essa semana, na quarta feira, tem clube de leitura #leiamaismulheres na Blooks do Rio falando sobre O Livro da Luisa: https://www.facebook.com/events/1610211199224107/