[44/50] - Beatrix Potter
“Eu só criei tantas histórias para satisfazer a mim mesma, pois jamais cresci.” ● Beatrix Potter
[44/50] - Um livro para lembrar da infância
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As Aventuras de Pedro Coelho
Eu não tive uma infância cercada por livros, também não tive uma infância cercada por adultos leitores, mas os poucos livros que eu tive acesso foram capazes de acender em mim uma pequena chama que, anos depois, viraria um incêndio. Histórias em Quadrinhos e aqueles pequenos livrinhos de contos de fadas foram meu primeiro contato com a literatura, nenhum deles me foram ofertados como uma forma de incentivo à leitura, mas sim como uma forma de me manter distraída.
O engraçado era que mesmo eu sendo uma criança extremamente agitada esses livros realmente funcionavam comigo e eu ficava distraída por horas a fio. Meu primeiro livro, um daqueles livros grandões com resumo de várias histórias da Disney foi realmente meu primeiro livro, que eu ganhei de presente da minha madrinha quando tinha 7 anos de idade e que o mantenho até hoje em um apego quase doentio. Talvez, lá no fundo, eu saiba que estou apenas esperando alguém especial para passá-lo adiante ou talvez eu o queira manter como uma forma de não esquecer onde tudo começou.
Eu não li Pedro Coelho quando era criança, apenas o assistia na TV Cultura, canal do qual eu costumo brincar que teve uma importância tremenda em minha formação como pessoa. Não é de todo modo uma afirmação falsa, tendo em vista que a maioria dos valores e exemplos de bons comportamento, eu acabei aprendendo e assimilando pelas coisas que eu assistia em filmes ou pela TV.
Meus pais sempre tiveram um pouco de decência em fiscalizar o que eu assistia, só lembro de uma vez que eu assisti algo que eu não deveria: um filme de terror na casa de uma prima. Eu vomitei assim que cheguei em casa e demorei mais alguns anos antes de sair da minha zona de conforto que se resumia em filmes da Disney, desenhos animados da TV Cultura e os VHS da Turma da Mônica.
Eu não consigo lembrar muito bem dos episódios de Pedro Coelho, mas lembro que era angustiante vê-lo tentar fugir do Sr. Severino. Lembro-me também de que no desenho havia essa mulher de verdade, que aparecia no início ou no fim do episódio e conversava com seu coelhinho. Ela era Beatrix Potter, a criadora do adorável e peralta Pedro Coelho. No desenho, ela narrava, desenhava e escrevia o conto e depois o enviava aos correios. Não sei quem recebia a carta...
Ler pela primeira vez Pedro Coelho foi apenas um exercício para constatar que a criança em mim não permanece adormecida. Os detalhes vívidos que eu tenho de certas épocas e as lembranças de muitas coisas boas, apenas ressaltam o quanto eu soube e, ainda sei, permanecer criança. Quando nos tornamos adultos, essa é uma qualidade que precisamos, em muitos dos casos, fazer renascer ou corremos o risco de tornar o mundo a nossa falta chato ou sem sentido.
Literatura infantil e contos são o tipo de leitura que eu prefiro. Embora eu recorra, muitas vezes, aos livros de adultos. Todavia, não posso negar o quão libertador é escolher um daqueles livros carregados de desenhos e personagens maravilhosos que conseguem cavam lá dentro da gente tirando então todo o excesso de energia ruim e nos tornando mais leves e prontos para ver, novamente, algo bom no mundo que nos cerca.
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