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A cabine era feita para seis pessoas, com seis lugares que acomodavam perfeita e confortavelmente seis corpos sentados ali. E sempre foram eles seis, juntos da estação até a escola, e até mesmo com a divisão de casas, sempre se mantinham juntos. Por esse motivo, desde que entrara no trem e se ajeitara em sua cabine, na cabine deles, Dominique encarava os dois lugares vagos que lhe berravam claramente que faltava gente ali. Franzindo os lábios em desconforto, endireitou a postura em seu lugar de costume e se serviu de um feijãozinho, estendendo o pacote para que seus amigos pegassem também. “Como foram as férias de vocês?” perguntou, estalando a língua para se livrar do gosto esquisito de seu feijãozinho de rúcula. A pergunta servia tanto para quebrar o silêncio quanto para fazer surgir algum assunto que não envolvesse a falta das duas figuras ali com eles -- e que ela imaginava, tinha quase certeza, de que os outros também percebiam. “Papai me deu o brinco dele.” comentou, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha para mostrar seu mais novo acessório. “Mamãe não gostou muito.” continuou, dando uma risadinha, mas esta durou pouco. Logo pairou os olhos novamente nos lugares vagos, esperando que a conversa continuasse de modo que pudesse ignorar o vazio que ocupava a cabine com eles.








