"Não tenho um, porque não conheço minha família. Eu até poderia tentar procurar por eles, não sei se ainda estão por ai ou não, mas até o momento, não tomei essa iniciativa. Tenho curiosidade sobre meus pais e de onde eu vim, mas ao mesmo tempo, não sei se quero essas informações. Ainda preciso de tempo para pensar sobre isso."
3. Quem foi a ultima pessoa com quem você conversou / mandou mensagem? e sobre o que falaram?
"Foi pro Sam. Ele tirou a Scarlly no amigo secreto e tá alucinado tentando encontrar um presente pra ela, mas as lojas estão todas cheias e o que ele queria comprar acabou, então eu estava ajudando ele a encontrar alternativas. Foi engraçado."
Nota OOC: Créditos a Yasmyn pelo edit lindissímo e a Ste pela ideia do pov, então, caso você estejam pensando “Ai meu Deus lá vai ela com mais um pov” eu culpo a existência desse aqui todinho na Ste jndhaksidkjfhs <3 Brincadeiras a parte, eu não editei nada que está escrito aqui então qualquer erro, me avisem ou me xinguem mesmo. Como eu vou ficar citando mais da história da família e tudo mais, vou deixar aqui a aparência desse povo, para que fique mais fácil a visualização e tudo mais.
Theophilus Schnee as Mads Mikkelsen
Malyah Schnee as Diane Kruger
Harry Von Evigheden as Jonathan Rhys Meyers
Gretha Von Evigheden as Natalie Dormer
Rylog, o necromante as Toni Mahfud
Não era exatamente amiga de Madison ou qualquer coisa do gênero, a considerava deveras confusa na maioria das vezes e instável demais para se manter uma boa e longa conversa. Porém, com os poderes que a Kingsleigh tinha, era apenas normal que a Stornieren buscasse manter distância da anilena, por que não era muito afeita de pessoas invadindo a sua mente, independente do jeito que fosse. Não a tratava mal, mas também evitava chegar muito perto ou buscar pela mesma, afinal, entendia que por vezes a garota usava os poderes sem ter a intenção, como parecia ter sido naquele exato momento. Anika culpava mais a si mesma por não prestar atenção por onde andava e esbarrar em uma Madison saltitante, do que a Lucinda que sequer tinha culpa da situação atual. A Schnee nunca pensou em como seria sua mente, mas esperava que fosse um lugar bonito e agradável, mas quando sentiu o corpo colidir em Maddie e logo após caiu contra o piso gelado, quando abriu os olhos de novo ela se viu bem no meio, não exatamente de uma linha, mas entre dois lugares distintos, um lado era inteiramente branco e tons extremamente claros puxados ao branco, quando do outro lado era a mais pura escuridão, todos os tons escuros puxado ao preto.
—Como saímos daqui? — Indagou se virando para Madison, que massageava a cabeça parecendo um pouco confusa até que um sorriso surgiu no rosto da mais nova, o que preocupou um pouco a raliena.
—The key is hidden and must be found, the door is locked deep inside your head, only you can find it… — Ela comentou com a voz em um tom de mistério, como se aquilo não passasse de uma brincadeira, algo que incomodou um pouco a Snow. —I can’t help, this is your personal hell or paradise, it all depends on you… Be cautious, must I advise, you cannot run away from your own mind, there’s only one way out of here.
Antes que Sofia sequer tivesse tempo de processar o que havia lhe sido dito, Madison já havia partido para dentro da floresta negra, deixando uma princesa muito confusa para trás. Ao menos pelo pouco que havia entendido, havia uma chave e uma porta, que apenas ela poderia encontrar caso quisesse sair dali. Olhou entre um lado e outro, um pouco incerta de qual caminho seguir agora que estava sozinha, mas considerou que o lado branco e claro parecia mais seguro, como se fosse uma representação da luz e da bondade. Então, foi nessa direção que ela seguiu, sem sequer olhar para a floresta negra e assustadora que tinha a suas costas, o caminho pelo qual ela trilhava agora era repleto de flores brancas e cristais claros. Era uma estrada muito bela e bem desenhada, levando a um castelo e vilarejo inteiramente branco e reluzente, que parecia absolutamente perfeitamente desenhado, como se não houvesse uma linha sequer fora do lugar, quanto mais se aproximava, mais perfeito e simétrico ele parecia. A cada passo da princesa o clima parecia mudar de forma progressiva, flocos de neve começando a cair do céu azul e límpido. Ergueu a mão para tocar um dos flocos de neve que caíam, sorrindo ao imaginar que deveria estar indo pelo caminho certo, visto que isso lhe lembrava de casa e nada tão ruim poderia sair daquela parte.
Porém, havia algo estranho, quando adentrou o vilarejo, tudo parecia completamente vazio, como se ninguém habitasse mais o lugar, tentou chamar por alguém e se pronunciar, ainda que não soubesse exatamente quem poderia encontrar na própria mente. Seguiu pelo vilarejo, olhando de forma atenta a sua volta em busca de alguém, mas nada encontrou, cogitou adentrar em alguma casa, mas julgou que seria muito rude, então, considerou que era melhor seguir rumo ao castelo e ver se encontrava alguém por lá. No entanto, conforme ela se aproximava do caminho que levava ao castelo, ao longe ela pode vir pessoas vindo em sua direção, todos vestidos de branco, com casacos quentes feitos da pele de animais de pelugem branca. Conforme se aproximava, se deu conta que havia uma mulher no meio com uma coroa na cabeça, que ela presumiu ser a dona do castelo, quem controlava aquela parte de sua mente, esperava que o que quer ela simbolizasse fosse algo bom. O mais estranho era que conforme a suposta rainha passava pela frente das casas do vilarejo, pessoas iam saindo de dentro da casa que antes pareciam estar completamente inabitadas, todas as pessoas do vilarejo pareciam extremamente contidas e até mesmo apáticas em sua maioria.
—Willkommen, mein lieber, im Land der Vernunft, du solltest in mein schloss kommen, um ein ordentliches gespräch zu führen.¹ — A voz da rainha era calma, porém severa como se Anika não possuísse a opção de negar. Então, ela apenas acenou de forma positiva e seguiu a loira, que lhe parecia extremamente familiar por alguma razão, mas ela não fazia ideia de onde.
Não foi falado mais nada durante o percurso, os residentes do vilarejo iam se dispersando aos poucos até que restaram apenas as duas, a Schnee se sentiu inclinada a falar algo, mas quando se viu encarando os olhos gélidos e clínicos da rainha, optou por se manter em silêncio, pois parecia temer a outra de certa forma, mesmo que não soubesse explicar exatamente o porquê. Quando adentraram o castelo ela se deu conta de que ele era muito familiar, era uma réplica perfeita de Nordschnee, não demorou para que duas damas aparecessem, elas se destacam pelo uso de preto junto do branco de seus vestidos, uma delas trazia um caso de pelos que estendeu para a princesa.
—Você deve usar, irá lhe proteger.
Foi o que a dama disse, Anika sorriu e agradeceu enquanto vestia o casaco, a rainha seguiu até a escadaria e as duas garotas lhe incentivaram a seguir o mesmo caminho, então, ela o fez sem qualquer questionamento. Tal como Nordschnee, ali era repleto de espelhos e a Stornieren detestava espelhos por conta de tudo que já havia passado com eles, começava agora a se questionar se havia sido uma ideia inteligente escolher aquele lado e se não era tudo uma ilusão, se não havia se deixado enganar pelo exterior e na verdade aquele ali era o pior lado de sua mente, tudo parecia ser possível.
—Não está errada de pensar assim. — Disse a dama de cabelos ruivos, outro fator que a destacava dentre o ambiente branco e gélido. —Não adianta me olhar assim, Freundlichkeit.
—Não dê ouvidos a Misstrauen, ela sempre é desconfiada de tudo e todos, é o papel dela. — Explicou a de cabelos negros e cacheados, ela parecia a pessoa mais viva e animada entre as três ali, um sorriso radiante em contraste a cara azeda e preocupada de Misstrauen. —Eu sou a Freundlichkeit, como já deve ter percebido, não lemos seus pensamentos se é o que lhe preocupa, mas cada um sente o que é… Consegue entender? De qualquer forma, não tem com o que se preocupar, Malyah só quer o seu bem, isso eu posso lhe garantir.
—Obrigada, isso me deixa um pouco mais tranquila. — Agradeceu a garota, ainda que não fosse inteiramente verdade e isso estivesse estampado no rosto da ruiva, mas a morena não pareceu ter vontade de insistir naquele assunto ao menos. Aproveitou de seu momento de fala para indagar, já que ainda se via um pouco desnorteada com o que exatamente estava acontecendo ali. —Se me permitem perguntar, para onde exatamente estão me levando?
—Zur erinnerungskammer, dem spiegelraum, in dem sich alle zeiten zu einem verwandeln.² — A voz da rainha se fez presente mais uma vez, fazendo com que um calafrio percorresse a espinha de Arabelle, mais espelhos… Isso apenas a deixava mais inquieta do que antes, as luzes do castelo piscaram e ela pode ver algo escuro se mover pelo reflexo dos espelhos que haviam espalhados pelos corredores, mas sua atenção logo se voltou a rainha que aparentemente também carregava um de seus nomes. —Angst.
—Se controle, é o que ela quer dizer, ninguém quer o Angst por aqui. — Resmungou Misstrauen, dessa vez a morena não fez questão de falar nada, na verdade, Freundlichkeit parecia um tanto calada demais, ainda que mantivesse o sorriso no rosto, como Anika presumiu que devesse fazer não importasse a situação.
Nada mais foi dito até que chegassem na biblioteca, deixando Wilhelmina bem confusa por já havia ido diversas vezes na biblioteca de Nordschnee e era um dos poucos lugares que não possuía qualquer espelho, porém, foi quando se aproximaram de uma parte mais afastada em específico, que ela entendeu onde estavam indo, na parte da qual a princesa nunca havia ido, mas da qual o irmão gêmeo conhecia bem. Ficou um pouco receosa de entrar pela passagem secreta, mas o fez mesmo assim e sentiu outro calafrio passar pelo corpo, não gostava em nada daquela sala, no centro dela havia um grande espelho, Malyah lhe ofereceu a mão e a puxou para dentro do espelho. Anika odiava espelhos, detestava entrar neles e ter de viajar dentro deles. O pior de tudo foi que quando saíram de dentro do espelho e ela abriu os olhos, tudo que viu foi uma sala repleta de mais espelhos, o corpo instintivamente começou a tremer.
—Sie können nicht vor ihren problemen davonlaufen, sie müssen sich den erinnerungen stellen, die sie vergessen möchten.³
Essas foram as últimas palavras que ouviu da rainha antes da mesma a empurrar a fazendo cair em um dos espelhos, entrando dentro dele. Quando tornou a abrir os olhos sabia que estava presa a alguma superfície reflexiva, não conseguia sair dali ou falar com qualquer um, era diferente de quando Leonard o fazia. Quando desistiu de tentar e parou para observar melhor a cena, soube que estava em Nordschnee, mas o castelo parecia mais antigo do que o que ela reconhecia, conseguiu ver o rei e rainha, mas estes não eram seus pais, mas… Seus avós. Não precisou olhar outra vez para entender por que Malyah parecia tão familiar, ela era idêntica a sua avó paterna, jovem e extremamente bela. A rainha Malyah era lembrada por sua aparência angelical, a beleza inexplicável e que encantava a todos, era impossível não gostar a da rainha, ao menos havia sido isso que Anika cresceu ouvindo.
O rei Theophilus parecia furioso com alguma coisa enquanto falava com o criado, mas a rainha parecia ter tido sua atenção voltada para um dos espelhos, onde havia uma criança presa, quando olhou bem, WIlhelmina reconheceu como a criança sendo ela mesma, extremamente assustada, Malyah sorriu na direção da garota no espelho e fez um sinal como se pedisse silêncio antes de voltar sua atenção para o rei. A princesa se viu terrivelmente confusa, por que ela nunca esteve viva quando a avó ainda era viva, fora que a única fez que havia ficado presa nos reflexos e parecendo tão desesperada foi… Quando ficou uma semana na dimensão dos espelhos, quando ela esqueceu a maior parte de suas memórias por serem traumáticas demais, ao menos fora o que a curandeira havia lhe dito. Agora ela entendia que estava vendo suas próprias memórias, através de um reflexo, através do espelho. Conseguiu ouvir vagamente a conversa dos avós, algo como alguém acusando a rainha de ser uma feiticeira, de ter o seduzido com magia e estar planejando algo contra o reino, o que ele julgava ser um absurdo, afinal, sabia que a esposa jamais havia tocado em magia antes. Quando o rei partiu da sala, Malyah se aproximou da Anika criança e tocou o espelho com delicadeza, a voz era doce e reconfortante.
—Você parece perdida, meu bem… Mas me parece familiar, qual seu nome? E qual o nome de seus pais?
—Me ajude, eu estou presa, por favor… — Suplicou em voz chorosa, mas notou que mesmo com o sorriso amável a rainha esperava uma resposta para suas perguntas, então a garota engoliu o choro e respondeu da melhor forma que pode. —Anika Schnee, filha de Branca de Neve e Florian Schnee, vossa majestade… Pode me ajudar agora? Por favor…
—Branca de Neve? Filha de Gretha e o imbecil do rei Harry! — A expressão da rainha se tornando fria e raivosa, o desgosto evidente em sua voz, era como se muito rancor estivesse guardado no peito da rainha. —Primeiro ela manda um necromante para espalhar falácias a meu respeito, depois irá chorar pedindo um acordo de paz casando nossos filhos! Eu não vou deixar que ela desgrace a vida da minha família mais do que já o fez, me recuso… E você criança, terá de achar seu caminho sozinha!
E dito isso ela impulsionou o palmo contra o espelho e lançou a jovem princesa para longe e com isso aquela memória se dissolveu, e Sofia se viu caindo em uma mar de reflexos, tudo era tão confuso, a cada reflexo novo ela revia alguma memória. Quando tocou um reflexo em específico, em que mostrava a maldita cena, Leonard no meio do fogo, ela sentiu uma mão arrancar ela para outro lado, mudando a memória que via, para ela ainda criança patinando no lago congelado em Schneeland, o gelo se partindo, ela gritando enquanto se afogava na água fria e o desespero na voz dos pais conforme ela ficava inconsciente. E então ela caiu com tudo no chão, ainda de Nordschnee. mas pela música ela pode reconhecer que era época de Wintersonnenwende. Agora, ela era ela mesma, ainda que mais jovem, o vestido prateado cheio de detalhes com estrelas e luas, como um sussurro ela sabia exatamente o que deveria fazer, tinha de se encontrar com Nikolai e Anastasia como uma forma de mostrar respeito e também por ser a herdeira ao trono, mas ainda assim antes de ir, ela quis consolar o irmão gêmeo, pois sabia o quão triste ele ficava com esse tipo de situação, sentindo que estava sendo deixado de lado.
—Não precisa ficar triste, Leon, saiba que você é que tem sorte de não ter que aturar essas conversas chatas, eu trocaria de lugar com você se fosse possível. — Mas não é… Foi que concluiu mentalmente, colocando uma mão sob o ombro do irmão como uma forma de consolo, sem entender realmente o porque dele desejar fazer parte de coisas tão chatas e maçantes, querer uma responsabilidade da qual ele era livre.
—Isso é fácil para você falar, Anika, você sempre teve o que quis, nunca precisou correr atrás de nada! — Ele bradou furioso, a empurrando contra um dos espelhos que estava às costas da princesa, do lado de fora do salão de festas, prendendo ela dentro do mesmo. —Se acha que é uma sorte não estar presente nessas conversas, acho que estou te fazendo um favor indo a ele no seu lugar… A herdeira do trono sempre tão desleixada e irresponsável…
Ele cantarolou a última parte com desdém e irritação, enquanto se afastava e a deixava ali presa, ela tentou gritar pedindo ajuda, mas sabia que com a música alta no salão ninguém a escutaria, sabia que não adiantava tentar lutar quando se estava presa em um espelho, não poderia realmente lutar contra os poderes de Leonard. Ela era a mais fraca entre os dois, mas sabia que o fato de estarem em Nordschnee faria com que sua prisão não durasse muito tempo, que era a única coisa que lhe causava certo alívio. Mas seu maior alívio foi em ver a face de Viktor passar pelo corredor, logo o chamando, ainda que soubesse que ele não poderia lhe tirar dali, ao menos ele não a deixaria sozinha.
—Foi Leonard que lhe prendeu? Devo chamar seus pais? — Perguntou o Romanov que mesmo sendo mais novo que ela, estava já se tornando mais alto que a garota a cada ano que se passava. Ela negou com a cabeça quase em desespero, o que pareceu deixar o russo confuso. —Por que não?
—Ele não fez por mal… Apenas estava mal, não quero que Leon arrume problema com nossos pais por minha causa. — Explicou a princesa enquanto abaixava os olhos, soltando um suspiro antes de subir o olhar novamente e oferecer um sorriso ao primo. —Pode apenas ficar comigo por enquanto? Ele não vai conseguir me manter presa aqui por muito tempo, não aqui ao menos.
E então ela voltou a mergulhar em um mar de reflexos, agora ouvindo a voz da rainha Malyah em sua mente, mas não entendia o que ela queria dizer, era mais como uma risada entre um sussurro. Quase como se dissesse que ela estava sendo ridícula, coisa que a princesa agora julgava que podia concordar de certa forma. Novamente ela estava presa a um reflexo, vendo ela mesma quando criança presa em um espelho, mas agora estavam naquela sala secreta cheia de espelhos da rainha e Malyah parecia contente ao observar um grande espelho com detalhes dourados, como se tudo estivesse feliz e bom outra vez, ela então se virou para a pequena Anika presa ao espelho.
—Parece que ainda está perdida, criança… Anika, não é? Não se preocupe, eventualmente, você não irá mais existir, não depois desse belíssimo presente que darei a Gretha para selar nosso acordo de paz… Será a completa ruína dela e você nunca irá nascer, então, não é preciso chorar certo? — Malyah falava aquilo com um sorriso satisfeito no rosto, ela parecia radiante, mas se viu na necessidade de compartilhar aquilo com a criança, visto que não teria mais a quem contar de qualquer forma. —Certo, imagino que não esteja entendendo nada… Com a magia que coloquei nesse espelho, será o suficiente para enlouquecer Gretha e com ela completamente insana, será fácil destruir esse maldito tratado com Evigheden e sendo assim, seus pais nunca irão ficar juntos e você nunca vai nascer… Terei protegido meu filho das garras daquela mulher detestável.
Malyah então suspirou aliviada, como se estivesse tirando um grande peso de suas costas, apenas começar a rir logo em seguida, era quase como se estivesse ficando completamente insana, tal como queria que a inimiga ficasse. Quando ela conseguiu e recompor, ela apenas sorriu de forma amável para a pequena Anika antes de tocar no espelho e a mandar de volta para outra parte da dimensão espelhada. E quando se deu por si a princesa estava sendo retirada do espelho pela rainha fria de sua mente, o rosto inexpressivo da mulher a sua frente lhe causando ainda mais calafrios, ela conseguiu sentir a sala de espelhos tremer, imaginando que fosse a manifestação de Angst, respirou fundo tentando conter a forma da qual se sentia.
—Eu não sou ela caso seja isso que lhe preocupe, mas as lembranças que viu… Existem mais delas, deve permitir que elas voltem a você e então tudo fará sentido, isso eu posso prometer.
—Mas por que essas memórias? Como isso aconteceu?
—Essas memórias são apenas um pedaço de uma antiga história, da qual deve procurar por… Mas essas memórias lhe foram trazidas de volta para que se recordasse do erro que é permitir que suas emoções a dominem, todos esses acontecimentos horríveis que aconteceram nas suas memórias vieram pela motivação emotiva, foram as emoções dominando Malyah que a deixaram insana e fora de si. — A rainha falava com tamanha calma, que apenas a tornava ainda mais assustadora aos olhos de Anika, mas agora ela entendia qual era o papel daquela versão de Malyah, ela era a razão, seu lado lógico e mais frio. Estava tentando a aconselhar. —Por conta de suas fortes emoções ligadas a família permitiu que fizessem coisas horríveis a você, suas tentativas de não os machucar apenas acabou a machucando ainda mais, por que eles não se importam da mesma forma que você, seu irmão é egoísta demais para se colocar nos eu lugar e abrir mão da felicidade dele pela sua… A sua vida inteira, um sempre esteve melhor sem o outro.
—Não diga isso, eu amo minha família e meu irmão, eu sei que ele…
—Não o fez por mal? Você sabe que está apenas mentindo para si mesma, sempre esteve, não apenas quanto a Leonard, mas em relação a todos os outros, minimiza a dor que te causam e deixa que te machuquem ainda mais… — A loira fez uma pausa, ainda que o rosto seguisse completamente apático, ainda que a fala apresentasse frustração. —Você deixa que as emoções lhe coloquem nessas situações absurdas, deixa que lhe tirem o valor e se rebaixe, jogando todo seu potencial no lixo por conta de sentimentos, se permitindo ser menosprezada e explorada.
—Você está errada, Malyah, eu não… — Na verdade, ela não tinha o que falar, não havia defesas quanto aquilo. Era impossível discutir com a própria razão sem soar estúpida ou emocionada demais.
—Você sabe que não estou errada e quero apenas seu bem, você foi criada para ser alguém importante e tem todo o potencial para isso, ainda assim deixa que as emoções deixem sua visão nublada diante do que tem a sua frente, lhe faz criar expectativas que sabe que não serão atendidas… — E com isso Malyah se aproximou da Stornieren, colocando ambas as mãos sobre os ombros da princesa e a encarando através do reflexo do espelho na frente das duas antes de prosseguir. —Você sabe como irão reagir quando descobrirem que se submeteu a ser amante do noivo da sua prima? Você será considerada uma desgraça para seus pais e para a corte, amor não repara reputações, querida, creio que saiba muito bem disso. Você jamais deveria ter aceitado essa posição, ainda mais agora que descobriu que não poderá gerir uma criança até que tenha o controle total de seus poderes… O que acha que vai acontecer com você? Você já perdeu a coroa que sempre foi sua, o que mais está disposta a perder por culpa de suas emoções?
¹: Bem-vinda, minha querida, á terra da razão, você deve vir ao meu castelo para uma conversa mais adequada.
²: Para a câmara da memória, a sala dos espelhos em que todo o tempo é transformado em apenas um.
³: Você não pode fugir dos seus problemas, você tem que enfrentar as memórias que quer esquecer.
Ela não disse mais nada depois daquilo, era impossível tentar dialogar contra a razão, foi durante os monólogos de Malyah, que ela viu que havia uma chave prateada no colar da rainha, a chave escondida que ela precisava. Porém, a rainha apenas lhe deu a chave sob a promessa de que ela seguiria seus conselhos, que levaria em conta tudo que lhe foi dito. Uma pequena que ela não ouviu exatamente tudo, ainda que boa parte, mas não sabia que aceitar aquilo era dar mais voz a razão outra vez, como costumava ser antes. Fora depois da floresta,com o segundo poder despertado que as emoções voltaram a se manifestar como eram quando ela era criança, quebrando a máscara perfeita e sorridente que a razão tanto se esforçava para manter no rosto. Não havia naturalidade ou compaixão na razão, apenas havia consequências para escolhas, resultados para suas ações, Malyah apenas visava o que melhorava sua imagem e alegrava os outros, pois isso alegrava Anika quando suas emoções estavam bem guardadas. A razão era neutra, nem boa ou má, conceitos do qual a Schnee cresceu sendo muito apegada com e isso lhe trazia confusão, pois não sabia o que pensar ou esperar da rainha, ainda que ela apenas fosse uma manifestação de sua própria mente.
—Realmente precisamos ir para esse lado da minha mente?
Indagou ainda com certo receio, se o lado que ela presumiu que seria bom havia lhe dado calafrios, o que poderia esperar do lado que era obviamente ruim? Mas Freundlichkeit apenas acenou com a cabeça de forma positiva, dando um sorriso encorajador, ao menos ela havia lhe assegurado que ela e Misstrauen a acompanhariam o tempo todo, visto que elas eram algo como mediadoras entre os dois lados da mente de Anika. O caso de pelugem branca havia ficado para trás, agora o frio da neve não estava mais presente e a entrada da floresta negra parecia até mesmo um tanto calor, mas não um calor terrível, algo mais aconchegante como se estivesse mais perto de casa. Na verdade, quando mais adentrava pela floresta negra, mais confortável ela se sentia, era como se as emoções boas fluissem por seu corpo. E não demorou a ver casas coloridas espalhadas em um pequeno vilarejo, dando um grande contraste com a floresta negra e sombria, as pessoas do vilarejo pareciam em sua maioria animadas, dançavam e conversavam em torno de uma grande fogueira no centro, ao contrário dos moradores do lado racional de sua mente, aquelas pessoas pareciam realmente vivas e humanas.
As duas damas que lhe acompanhavam não pareciam muito inclinadas a falar nada, apenas disseram que deveriam rumar ao castelo e não se perder entre o emaranhado coloridos de emoções no vilarejo, ainda que Misstrauen tenha lhe garantido que os sentimentos mais fortes e importantes residiam no castelo, ou melhor dizendo, dentro da rainha daquele castelo. Por conta da floresta densa e da névoa que parecia os circundar a cada passo dado na direção do castelo, era impossível o ver até que tivessem chegado bem perto dele. A estrutura negra se erguia de forma elegante no ponto mais alto do terreno, havia apenas um caminho levando para ele e quando reconheceu o lugar, apenas porque já havia visto pinturas e ouvido histórias sobre ele, sentiu certo pavor se alastrar dentro do peito. Pois, sabia que aquele era o castelo que um dia fora de sua mãe, quando ela ainda era a princesa herdeira de Evigheden. Porém, em seu âmago, ela sabia que não era Branca de Neve que encontraria sentada no trono, mas aquela que desejava a morte de toda sua família, mesmo que fossem do mesmo sangue que o dela.
—Vocês estão certas de que vou ficar bem?
Freundlichkeit deu uma cotovelada em Misstrauen antes que a mesma pudesse dizer que não, logo sorrindo e acenando de forma positiva com a cabeça. Mas isso já não passava confiança e Anika já estava desconfiada antes, era visível que Misstrauen estava se tornando mais forte com os pensamentos da princesa, ainda assim se manteve calada. Não pareciam haver guardas, na verdade em oposição ao resto daquele reino, o castelo era que parecia completamente vazio, mas de uma forma diferente da réplica de Nordschnee. Assim que adentrou os portões do palácio, a rainha já descia pela escadaria principal, os cabelos loiros presos em um penteado elaborado e para a surpresa total, ela tinha um sorriso no rosto. E assim que se aproximou, a loira lhe envolveu em um abraço apertado e acolhedor, deixando a princesa atônita e confusa.
—Você não quer… me matar? — Indagou Wilhelmina completamente confusa, sem conseguir retribuir o abraço resolvido, mas sentindo falta do conforto quando a rainha se afastou. Gretha riu e deu meia volta, se colocando a andar, olhando-a por cima do ombro para que a seguisse, mas com um aceno de mão dispensou a companhia das outras duas damas que logo se retiraram, para o maior receio da Schnee.
—Não seja tola, minha querida, por que eu iria querer isso? Sua morte equivale a minha… E eu apenas quero o melhor para você. — A última parte era exatamente o que Malyah havia lhe dito, era como se mesmo em sua mente ambas as rainhas estivessem em guerra, lutando pelo controle da vida de Anika. Ela seguiram andando até o exterior do castelo, para o jardim negro e enevoado, coberto de belladonnas, a guiou até uma mesa para que se sentasse para conversar. —Tenho certeza de que Malyah disse o mesmo, mas não se deixe enganar, a frieza dela não irá lhe ajudar em nada… Ela infelizmente cuida das memórias e tenho certeza que lhe mostrou apenas as más relacionadas a mim, mas garanto que há memórias ruins por conta de decisões tomadas por ela também, memórias essas que ela opta por esconder de você.
—E por que eu devo confiar em você e não nela? Ela tinha argumentos irrefutáveis. — Protestou a princesa e pode ver um brilho irritadiço no olhar da rainha, mas está logo sorriu e colocou a mão sob a de Sofia, que não recusou o contato ainda que tivesse se retraído levemente em seu assento.
—Isso é tudo que ela tem, argumentos e discussões, mas sou que quer a sua felicidade, meu bem. — Anika ainda a olhava de forma desconfiada e isso não pareceu passar despercebido por Gretha, que logo prosseguiu. —Não se recorda dos conselhos de sua mãe? Sempre siga o seu coração, pois bem, eu sou o seu coração, Anika.
—Não ouse falar da minha mãe, você não tem esse direito! — Bradou puxando a mão que a rainha segurava de volta para si e se levantando de imediato, se recusava a aceitar o que Gretha dizia, em especial quando tinha aquela aparência e carregava aquele nome. Se recusava ainda mais a acreditar que alguém como ela era seu coração, por que isso trazia implicações das quais ela não queria ter de pensar, não agora ou em momento algum. —E me recuso a acreditar que seja meu coração, pode agir doce o quanto quiser, mas nós duas sabemos que você está longe de ser assim.
—Vejo que já teve sua opinião influenciada pelas garras de Malyah, existe algo que eu possa dizer mude sua mente? — Soava como uma pergunta retórica, o tom de voz de Gretha não soava mais tão gentil quanto antes e ela também havia se levantado, parecendo reagir da mesma forma emotiva que a princesa. O que era de se esperar, afinal, aquela Gretha não passava de um espelho das emoções de Arabelle, naquele exato momento estava espelhando tudo que a princesa sentia. —Suas palavras não me ofendem, pois sabe que não estão sendo direcionadas a pessoa da qual nutre tamanho desgosto, no fundo, tens consciência que apenas está dizendo essas coisas a si mesma.
—Malyah? Vê? As duas estão me colocando no meio de uma guerra que nunca foi minha, eu detesto conflitos. — E ainda assim, parte de si sabia que se havia um conflito em sua mente, era por culpa dela e de mais ninguém, mas se encontrava irritada demais para agir de forma adequada. —Eu nunca diria essas coisas sobre mim mesma, não sabe do que está falando.
—E agora quer colocar a culpa de tudo isso em mim e Malyah? Você é a única culpada aqui, Anika, a única que não consegue se decidir entre o que é certo e errado, o que é bom e mau, o que você quer e o que realmente precisa. E não use essa desculpa barata comigo, por que sabe que está mentindo para si mesma, por que isso é tudo que sabe fazer para se confortar, por que a verdade te machuca e você de tudo que lhe deixa mal. — Havia certo ódio na forma da qual aquelas palavras eram proferidas e a rainha se aproximou de WIlhelmina, a segurando com força pelo queixo, as unhas quase cravando na pele de marfim. Os olhos de Gretha faiscavam na mesma intensidade que os da Stornieren, espelhando todas as suas emoções. —E no final você acaba miserável, odiando a si mesma, incapaz de se amar e tudo isso por que dá ouvidos a ela, porque deixa que ela tome o controle de sua vida… Seu irmão correndo para o fogo, quem você acha que criou aquela situação? Era lógico se vingar dele quando ele pregava peças em você, não haveria mal… Até que houve.
A princesa ficou calada, em um misto de emoções, Gretha a soltou e gritou em frustração levando ambas as mãos até a cabeça, bagunçando o penteado que anteriormente era perfeito. Em um acesso, ela jogou a mesa e as cadeiras para longe, antes que a própria princesa tivesse a chance de o fazer. Com isso lhe veio à mente, que deveria se acalmar, pois era ela mesma que estava causando tudo aquilo, respirou fundo em busca de alguma calma, ainda que a raiva borbulhasse dentro de si em uma mistura com sua tristeza profunda, odiava se sentir daquela forma. Quando nada parecia adiantar, ela focou em fechar os olhos e lembrar de momentos felizes de sua vida, na esperança de que um pouco de alegria e felicidade apaziguasse seu coração e o de Gretha. O que pareceu funcionar, ainda que não completamente.
—Está vendo? Esse sentimentos? São o que eu represento também, são o que eu quero para você! Eu sou todos eles, os bons e os ruins, como você mesma gosta de colocar. Malyah me odeia, pois sabe que não pode me controlar, não se pode acorrentar e afugentar seus sentimentos por tanto tempo, Annie, isso apenas os torna mais fortes e caóticos… — E a princesa sabia disso, pois a maioria dos surtos que teve desde a floresta, haviam sido justamente por guardar e remoer seus sentimentos por tanto tempo, por não os expor quando era a hora certa para tal. —Você sabe que não pode me parar e tão pouco parece querer isso, então, se liberte, se permita sentir tudo sem restrições… Você passou a vida inteira se preocupando demais com os sentimentos dos outros quando ninguém se preocupava com o que você sentia, com a sua felicidade, você é a única que pode mudar isso, se não correr atrás da sua felicidade, ninguém o fará por você… Se você quer alguma coisa, lute por ela e não deixe que os outros atrapalhem sua alegria.
Gretha não lhe pediu nenhuma promessa, não lhe fez concordar com nada para que mostrasse a porta da qual ela precisava passar para se ver livre de sua mente, não houve cobranças. Conversar com suas próprias emoções era estranho, ainda mais com a face que esta tinha e ainda assim, ela se sentiu mais confortável na presença de Gretha, talvez por sentissem o mesmo. Misstrauen e Freundlichkeit só tornaram a aparecer quando Anika e a rainha voltaram para o interior do castelo, a guiando até a porta de entrada do castelo, o que inicialmente a deixou terrivelmente confusa, mas ela logo entendeu que o que mudaria o destino da porta era justamente a chave que ela carregava firmemente em mãos. Não demorou para que Madison surgisse no castelo também, com um algodão doce em mãos alegando que havia passado uma bela tarde com a ansiedade e o nervosismo, Sofia não pode deixar de achar um tanto bizarro a forma que ela falava aquilo com um sorriso tão grande nos lábios enquanto parecia se deliciar do doce cor de rosa.
—Lembre-se de sempre seguir seu coração…
E essas foram as últimas palavras que ela pode ouvir vindas de Gretha, palavras essas que ecoavam no fundo de sua mente, se mesclando a voz de sua mãe dizendo-lhe a mesma coisa em diversas ocasiões. Quando voltaram à normalidade, ambas ainda estavam deitadas no chão daquele mesmo corredor, por sorte ninguém havia passado por ali, por que se ser levada a inconsciência no seu estado físico sempre levava Anika a morte e o fato de estar vendo Rylog irritado em sua frente era a prova de que estava morta outra vez. Madison fez uma reverência desajeitada, com Fergus ao lado dela balançando a cabeça de forma negativa antes de deixar que a loira subisse em suas costas para que se retirassem dali. E ela estava pronta para voltar a respirar e voltar a vida quando o necromante a impediu, fazendo com que Agatha em sua forma espiritual soltasse um grasnado em impaciência.
—Nunca faça isso outra vez, não é tão fácil quanto parece manter todos aqueles espíritos negativos quando você está inconsciente. — Ele falava como se estivesse cansado e ela poderia acreditar nisso caso não soubesse que fantasmas não ficam cansados de fato, ela não poderia ligar menos para o trabalho que ele passou, não quando ele ainda escondia coisas do passado que ela tinha interesse em saber. —Se não fosse por mim, você provavelmente já teria morrido de vez ou se tornado uma casca para um espírito qualquer, você bem que poderia ser amiga de pessoas que carregam menos almas condenadas e vingativas, talvez, uma mudança seria bom.
—Se não fosse por você e por MIM! Eu fui quem mais protegeu essa ingrata! — Exclamou o corvo também irritada e avançando contra o necromante, o bicando diversas vezes no ombro antes de voltar a sobrevoar acima da cabeça de Anika. —Mas concordo em relação as suas amizades, escutar almas se lamuriando o dia todo não me é agradável.
A princesa apenas revirou os olhos diante do que foi dito por ambas as partes e respirou, assim voltando a vida sem se importar se isso irritaria ou não o espírito do necromante que lhe fazia companhia, ela ainda precisava colocar a cabeça em ordem e definir como as coisas seriam dali para frente. E seguiu seu caminho pelo corredor como se nada tivesse acontecido, ainda que fosse perceptível que sua mente estava perturbada pela postura adotada em seu caminhar, o rosto baixo e ausência de seu típico sorriso amável no rosto. Ela sabia que Rylog estava inquieto e furioso pela forma que Agatha voava e grasnava a sua volta, quem visse de longe e fosse tomado por qualquer pensamento supersticioso diria que algo de muito ruim estava para vir na vida da princesa, ela sentia o mesmo, apenas não sabia dizer exatamente o que seria. Ainda que não pudesse ouvir o espírito, não quando viva, Agatha era um corvo e eles eram conhecidos como os mensageiros dos mortos, o deamon da princesa geralmente tinha a decência de ficar calada quanto ao que ouvia, mas pela primeira vez ela se pronunciou.
—Ele diz que se continuar se recusando a falar com ele, sugará toda sua energia…
—E ele não o fará, pois sabe que se fizer algo do tipo acabará aprisionado, tenho quem me ajude para tal. — Respondeu com convicção, sem se importar com o aprendiz do primeiro ano que passou por perto e a viu falando sozinha, ao menos agora ela tinha a desculpa de estar falando com seu próprio deamon, talvez assim as suposições de que ela era uma louca falando com pássaros cessassem.
—Ele diz que não o fará, por que ele sabe que… Você tem medo dela, do que ela pode fazer com você. — Dessa vez a princesa não rebateu, pois aquela não era uma colocação inteiramente falsa e ambos sabiam exatamente a quem ele estava se referindo. Ela precisava colocar a cabeça em ordem o quanto antes, haviam decisões a serem tomadas.
I mean. u suck sometimes , but I would do anything for you. 𝐄𝐒𝐏𝐄𝐂𝐈𝐀𝐋𝐋𝐘 take you to see my dermatologist ( !! ) is monday 𝒐𝒌𝒂𝒚 for you ?? // @beccawrtes
[...]
Fui tirada de meus devaneios ao sentir novamente sua boca sobre a minha, colando-as num toque delicado e extremamente suave. Ele não aprofundou o beijo; Permaneceu ali por alguns segundos, até afastar-se novamente e provocar um formigamento discreto naquela região.
Suas mãos, que até então permaneciam estagnadas em minhas pernas, voltaram-se novamente para minha roupa, puxando-a lentamente para cima. Era uma tarefa um pouco árdua de se realizar com meu corpo prendendo o tecido abaixo de si, então acabei por me levantar, observando-o erguer o vestido até que já não estivesse mais em meu corpo.
Instantes depois, seu olhar estava fixo em meu físico parcialmente despido. Minha face inevitavelmente corou diante de sua atitude, e uma súbita vergonha de toda aquela situação alojara-se em meu peito.
[...]
Um sorriso acanhado surgiu em meu rosto, e surpreendi-me ao ser puxada de maneira abrupta – e ligeiramente agressiva – para perto de seu corpo. A nossa proximidade repentina fez meu estômago dar voltas de pura ansiedade e nervosismo, enquanto lutava para obter a coragem de encará-lo.
– Está com vergonha? Depois de tudo… Ainda está assim? – Uma pequena risada escapou de sua boca, e repreendi-me mentalmente por estar fazendo aquela cena boba.
– Desculpa, é que… – Dei de ombros, ainda com meu olhar fixo no monte de caixas ao meu lado. – Estar perto de você ainda me deixa nervosa.
Senti seus dedos sobre meu queixo, delineando demoradamente sua curvatura, a medida que erguia-o de maneira gentil. Seus olhos fixaram-se nos meus, enquanto um sorriso extremamente doce estava estampado em sua face.
– Acho que está na hora de acabarmos com isso. [...]
Posso te descrever em uma só palavra: Meu. Essa pequena e simples palavra diz tudo o que és, em apenas três letras. Talvez você ache que eu esteja louca, mas sim, sou louca por ti. Tu és tão meu, quando acorda de manhã com o rosto todo marcado e amassado e boceja escandalosamente e se torna mais meu, quando se olha no espelho e faz caretas estranhas e sexy. És meu também, quando está despido e quando está vestido, quando anda, corre ou se senta, quando sorri, quando chora, quando lamenta. És meu com todos os pelos no corpo, com os dentes branquinhos ou amarelados de corante, quando vê tevê, quando está acessando a internet, quando está prestes a se estressar ... quando se estressa também. Meu tu és, quando passa a mão nos cabelos, quando dança engraçado e canta aquele samba que te deixa todo animado[...] Ah, como eu poderia continuar dizendo que tu és meu de vários jeitos, mas envelheceria e não curtiria o meu tempo com você. Ah, mas o mais importante eu já falei e sempre direi... Tu és meu.