A cabeça maneou em concordância, com um sorriso presunçoso e prepotente diante afirmação alheia, não tinha qualquer interesse ou vontade contraria-la não sentia dever qualquer coisa a Snow. Além disso Niklaus tinha os próprios motivos de ter certas coisas da vida de maneira mais reservada, era o seu direito. Um novo riso se instaurou sendo ele o acusado de iniciar a discussão. “Eu disse fatos, quem se exaltou não foi eu, mas eu entendo o quanto a verdade pode ser incomoda para você” as sobrancelhas se arquearam fitando o dedo bater contra o seu peito, entretanto entendia que manter a compostura era o melhor a se fazer. “Existe alguma interpretação que não seja seletiva?” questionou retoricamente, afinal todo mundo via o mundo sob suas lentes e ideias, NIklaus era capaz de viver muito bem com ciência disso, entretanto fora a acusação seguinte que o incomodou, mas novamente em vez de reagir com exaltação, precisou rir mais uma vez. “Eu nunca neguei isso, muito mesmo reivindiquei ter qualquer moral ou empatia diante disso, sim eu matei pessoas e se fosse preciso mataria de novo, uma a uma.” concluiu, os olhos a julgaram enquanto a media. “E não fale como se fosse muito diferente de mim, é fácil me pintar exclusivamente com um assassino, quando você é a princesa branca e colonizadora. Quando o seu povo invade as terra do meu povo, quando o seu povo mata ou explora o meu, vocês chamam isso de conquista, quando nós nos defendemos, nós somos os assassinos, os sanguinários e os bárbaros, afinal é fácil julgar a reação do oprimido como violenta, talvez isso até facilite o discurso de vocês de que precisamos ser civilizados” rebateu, ainda que não terminasse ali. “Você me chama de assassino, mas sua história cheira a sangue, a sua família a sua coroa e o seu trono fedem a morte. Não sujar as mãos no sangue não faz de você menos assassina, Snow. Você, sua família recrutou e recruta pessoas inocentes, homens e mulheres e como você mesmo disse com famílias e amigos, vocês então as enviam para guerras e batalhas que pouco tem a ver com elas, elas matam em nome da coroa, elas conquistam em nome da coroa, vocês as tornam assassinas e gozam do sangue derramado por elas. Então, princesa, por mais que não tenha sangue nas mãos, está impregnada dele, você tem um castelo a custa do sangue derramado, é com ele que você come e se veste, a sua coroa carrega nada mais que dor e sofrimento, do seu povo, que luta no seu lugar e mesmo assim vive situações muito aquém da sua. o fardo da sua coroa também carrega a dor e o sofrimento daqueles mortos sob a bandeira do seu reino” O discurso inflamado, acompanhava agora uma leve exaltação na voz do feérico que soava em alto e bom som para que qualquer um ali perto ouvisse, pois aquele assunto realmente mexia com o Vogelmann, se tinha algo que era capaz de sentir era a dor dos feéricos mortos e explorados, daqueles que não foi bom o suficiente para proteger ou mantê-los vivos, essa era o fardo e as mortes que Sebastian carregava, não a dos humanos que matou, mas as dos feéricos que não pode proteger ou salvar. “Eu não sou herói ou o mocinho, nunca reivindiquei ou tentei parecer algo perto disso, ao menos eu tenho consciência do que sou” deu de ombros, afinal sabia que era um assassino e que carregava atrás de si um rastro de corpos mortos, mas se tratando de humanos, poderia dizer que matou foi pouco. “Gosto da sua coerência, em um momento você me julga por ser um assassino e minutos depois nem tudo é preto no branco” acalmou-se lançando um riso fraco e desacreditado estava claro que os tons de cinza eram usados quando lhe era conveniente, nada de novo. “Pois diga a ela que você tentou” mesmo que Klaus não falasse com animais, ele certamente procuraria a loba depois e falaria com ela. “Espero que seja capaz cumprir esse acordo, para o seu bem, Nymphadora não é do tipo que perdoa mais de um vez, tampouco eu”
❝Não só para mim, você também se recusa a aceitar elas quando não lhe convém.❞ Até o momento a maioria das coisas das quais ele a acusava de fazer, ele também o fazia, mas era mais fácil apontar o dedo para os outros do que se olhar no espelho. ❝E não venha com o argumento de que todos são assim, você não é todo mundo.❞ Por que já estava cansada dele ficar sempre dando essa mesma questão retórica quando ela devolvia os problemas que ele apontava, tal como estava fazendo agora. ❝Então, qual o sentido de me acusar de ser seletiva se todos são? Inclusive você.❞ Rebateu sem entender qual era a lógica das ofensas dele naquele momento, ainda que talvez fosse por estar irritada demais para de ater muito a fatos no momento. A risada dele novamente lhe serviu como combustível para que ficasse ainda mais irritada, o sangue lhe subindo a cabeça e a deixando com o rosto e pescoço um tanto avermelhados. ❝Tal como me parece estar sendo bem fácil para você generalizar o "meu povo", por que saiba você que nunca invadimos as suas terras, meu querido, se for pra julgar assim eu deveria estar julgando você por todos os feitos da sua mãe também não é mesmo? E escuta aqui que ninguém é santo e se você tá bem contente com todos os erros que já cometeu, por que essa ânsia em ficar apontando os meus e o dos outros? Por que o bonito só sabe fazer isso, ficar apontando pros outros e julgando, reclamando de tudo e todos.❞ A cada uma de suas últimas falas, ela forçava ainda mais o indicador contra o peito dele, tendo dado um passo a frente para que ficasse cara a cara com ele, o que não era difícil tendo em vista que o Vogelmann não era tão alto assim. ❝Muito bonito o discurso, mas você gosta sempre de apontar que me conhece tão bem, se isso fosse verdade saberia que eu discordo de todos esses ideais e estou frequentemente lutando contra eles. A guerra que você diz que meu reino enfrenta, só existe por que a mãe do seu melhor amigo coloca não só a minha família, como o reino inteiro em perigo. Inclusive, não foi você que estava se queixando ainda agora sobre como era fácil acusar a vítima, o oprimido de agir de forma violenta, quando eles que estão sofrendo... Mas tenho certeza de que se eu levantasse um dedo para fazer algo contra seu melhor amigo, se eu fizesse ele pagar por todas as vezes que me abusou mentalmente, todas as vezes que ele me agrediu fisicamente, tenho certeza que você não ia achar legal e ia ter a porra da audácia de apontar o dedo na minha direção e me xingar, por ter efeito algo contra o seu precioso. Eu poderia te mandar para o inferno, mas nem isso adiantaria, Niklaus, por que você já é o inferno na terra!❞ Ela teve de respirar fundo ou poderia entrar em combustão espontânea, no entanto, agora foi a vez dela de rir com a fala dele e o olhar com um sorriso de escárnio no rosto. ❝Agora novamente é meu momento de usar as suas falas, eu só estou falando fatos, meu amor, se você não sabe lidar com eles sem se afetar problema seu.❞ Sabia que Nymphadora não iria suportar mais qualquer outro deslize, por isso fazia o que podia para conciliar sua felicidade pessoal com sua amizade com a loira. ❝Ela sabe perdoar sim, ao contrário de certas pessoas ela sabe seguir em frente, você que é o único com um sério problema com o perdão aqui, Sebastian.❞