Minha contribuição para o Madara Month 2024 do @madaraevent e @acnproject (BR) Dia 2
Madara Uchiha sentia a familiar dor pulsante em seus olhos, uma agulhada constante que agora fazia parte de sua rotina. As últimas batalhas haviam sido implacáveis, e o uso excessivo do Mangekyou Sharingan estava cobrando um preço alto demais. Cada vez que ele usava aquela técnica devastadora, sentia sua visão se esvaindo como areia entre os dedos.
Ele nunca demonstrava fraqueza. Não podia. O mundo ainda o via como o temível Uchiha, o homem cuja força poderia destruir ou salvar aldeias inteiras com um simples olhar. Mas havia uma verdade que Madara tentava ignorar, um medo que crescia a cada novo combate: estava perdendo a visão.
Nas noites solitárias em que Hashirama estava fora, lidando com os deveres como Hokage, Madara se pegava encarando o reflexo no espelho, tentando se convencer de que tudo ficaria bem. Contudo, os borrões que surgiam no campo de visão a cada novo dia tornavam essa mentira impossível de sustentar.
Uma noite, enquanto Hashirama terminava uma reunião no gabinete do Hokage, Madara se sentou sozinho na varanda, fitando o horizonte turvo. Seus olhos, que um dia haviam sido a maior arma, estavam se tornando sua maior maldição. Ele rangeu os dentes, reprimindo o desespero.
— O que eu sou sem minha visão? — murmurou para si mesmo, com a voz embargada. — Como vou lutar? Como vou proteger Hashirama? Como vou proteger a nossa vila?
As palavras saíram, carregadas de dor, dirigidas a ninguém além do silêncio. O homem que jamais hesitou em entrar em combate, o estrategista imbatível, agora se via vulnerável. A sensação de impotência o sufocava, e o medo de se tornar um peso para Hashirama o atormentava.
Era assim que seria seu fim? Um guerreiro que se tornaria frágil, dependente?
Hashirama chegou mais tarde naquela noite, exausto, mas ainda com um sorriso caloroso no rosto ao ver Madara esperando por ele. Seus longos cabelos negros caíam sobre os ombros enquanto ele se aproximava, parando ao lado de Madara na varanda.
— Olhando as estrelas? — Hashirama perguntou, a voz suave, mas cheia de preocupação ao notar a postura tensa do marido.
Madara não respondeu de imediato. Ele simplesmente fechou os olhos, sentindo a dor latejar em suas órbitas, tentando esconder a escuridão crescente de Hashirama, mas falhando miseravelmente. Ele sabia que Hashirama era capaz de perceber qualquer mudança, por menor que fosse. Não era hora de esconder.
— Hashirama... — Madara começou, hesitante, a voz rouca de angústia. — Eu... estou ficando cego.
O silêncio que se seguiu foi sufocante. Ele não se atreveu a olhar para o marido, com medo de encontrar pena nos olhos dele. Pena era a última coisa que Madara Uchiha suportaria. Mas, para sua surpresa, Hashirama não respondeu de imediato com palavras. Em vez disso, ele se ajoelhou ao lado de Madara, colocando uma das mãos sobre as dele.
— Eu sei — Hashirama sussurrou. — Tenho notado há algum tempo.
Madara sentiu o coração apertar no peito. Claro que Hashirama sabia. Ele sempre sabia. Era essa compreensão silenciosa que fazia Madara amá-lo e odiá-lo ao mesmo tempo. A sinceridade, o amor incondicional... tudo isso o corroía por dentro.
— Você não entende — Madara rosnou, retirando a mão bruscamente. — Eu não posso lutar assim! Não posso... não posso te proteger. Se eu perder a visão completamente, serei inútil. Não quero ser um fardo para você.
Madara sempre foi orgulhoso, sempre o guerreiro, o protetor. A ideia de depender de alguém, até mesmo de Hashirama, o aterrorizava.
Hashirama o encarou por um momento, seus olhos castanhos cheios de uma ternura que Madara quase não conseguia suportar.
— Você nunca será um fardo para mim, Madara — ele disse calmamente. — Você acha que... >>> continue lendo aqui <<<
Madara Uchiha luta contra a perda de visão causada pelo uso excessivo do Mangekyou Sharingan. Temendo se tornar um fardo para Hashirama, ele











