Os homens me escrevem músicas
Me desejam amores
Me desejam
Mas nenhum deles fica por perto
Depois de virar a garotinha imunda
O caos retornou
Amada e temida
Vejo os amigos do meu avô
Presos no jornal
Eles me amam
Eles me apreciam
Mas o medo impede
Impede homens incríveis
De terem amor
Meu avô na sua patente mais alta
Teve todo o amor do mundo
Por mim
Vejo todos os líderes vazios
Seguindo sem rumo
Sem eu
Me desejando amores
Mas morrendo em desejos
Será que eu sou um perigo?
Andando nos meus scarpins?
Um perigo a vista?
A pequena garotinha imunda ficou invisível
Eles me notam
Eles me mandam presentes
Me enviam proteção
Não deixam ninguém me desrespeitar
Mas o amor
Ele não é vivido
Não há abraços
Não temos beijos
Só favores.
Eu sei quem me atende as 3
Eu sei quem vai me abrigar no temporal
Mas não sei quem vai acabar comigo no final
Quem vai restar?
Mesmo que eu não tivesse feito o que quisesse.
O fim seria igual
Eles falam, elogiam. Batem palmas.
Mas a madrugada as pílulas me abraçam, o álcool me conforta e a solidão me chama pra dançar na mesma melodia de dez anos atrás.
A maioria está preso e eu estou presa com ela.
Ambos perdendo.
Alguns perdendo menos que os outros. Odeio quando me usam de bom exemplo.
Não vou conseguir consertar seus filhos.
Eu sei que sou boa o suficiente. Mas até eu me perdi.
O fardo é pesado, antes era apenas neta. Agora irmã do diabo. Se alguns soubessem, fogueira!
Mas eles temem, não pelo parentesco, mas por quem sou no off. Talvez seja isso, medo.
Medo do que me tornei, ou que sempre fui.
-Maincr















