Um dia me perguntaram sobre uma tal moça que quase sempre pintava as unhas de cor de café. Anna? Logo, perguntei: - Seria Anna quem você procura? E o rosto se abriu em esperança quando reconheceu o nome que saía de minha boca. Meu coração morreu por dois segundos quando tive que lhe contar: - Anna morreu, meu querido, e já faz um tempo. Pelo seu olhar triste eu notava sua busca falha, tentando entender o que havia acontecido. Na tentativa de lhe acalmar o coração acrescentei: - Anna tirou a própria vida, querido, não sofra. Anna quis isso para o seu próprio bem. Ela não deixou cartas, conselhos ou um adeus para ninguém. Me falaram que o motivo foi o amor, ou a falta dele, vindo de seu Zé. - Sorri lhe acarinhando o rosto. - Pena que Anna não te conheceu antes, pelo seu olhar, você a teria amado. Mas não sofra, ela que não soube esperar por você. Ela está bem agora. Seu rosto ficou sem vida, seu olhos tomados por lágrimas, seus lábios tremiam. Agradeceu com a voz fraca e me deu as costas. Antes de sair andando o deti e lhe perguntei seu nome, pois mandaria lembranças à família. E então antes que eu pudesse terminar de lhe perguntar o nome eu entendi, e o modo que as palavras saíram ríspidas de sua boca só me confirmaram: - Meu nome é José.. - O Zé de Anna. - completei.
Sempre quis escrever um texto sobre nós, e olha que irônico, foi só a gente terminar que a inspiração vem. (sombraemilk)










