Anna sentiu no peito toda angústia que poderia sentir. O estômago comprimiu tanto que lhe deram dores de cabeça. Como se não bastasse a dor no peito, a dor da perda. Como se não bastasse toda a dor, a cabeça também teria que lhe torturar? Mas não importava. Anna sabia que uma hora passaria, não agora e nem tão cedo, mas teus sorrisos brotariam novamente. Renasceriam como flores magoadas que mesmo assim resistiram a tanta irrupção. Anna não poderia ser alguém menos inócuo? Com um pouco mais de proteção? Ninguém ligava, assim como Miguel deixara de ligar faz tempo. O telefone e o sentimento estava desligados à dias. À semanas. Os olhos do rapaz, sofreram a permuta de pândegos à pérfidos. Numa naturalidade mórbida. A moça se encontrava nos pedaços perdidos pela casa, em cada canto junto as lágrimas derramadas por simples lembranças melancólicas e vívidas. Ela sentia falta desse moreno meio baixo e nem de tanto peso. Ela sabia que só encontraria alguém daquele jeito, uma única vez em toda sua caminhada. Era isso que a fazia continuar. Apesar dos contos que saem da boca de Miguel que diz que ela fora a grande vilã do ocorrido. Ela não é culpada por suas dores. O seu moreno que um dia tanto ansiava havia se tornado alguém ignóbil. Pensar que não encontraria alguém do seu feitio, além dele, a fazia feliz. A possibilidade de sofrer de novo, era de zero. Logo, Anna podia recomeçar. Antes que julguem a pobre moça, como dizem por aí, ela não está cuspindo no prato em que comeu. Ela só quer ser feliz. E nessa felicidade, por mais que goste de Miguel não havia mais chances. Afinal. Quem é que mendiga amor?
Amanda Zago












