📝: Marcella Fernanda @marcella_nanda, "Não sou mulher de desistir de mim".
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📝: Marcella Fernanda @marcella_nanda, "Não sou mulher de desistir de mim".
Querer ir embora nunca é o suficiente. Ir embora sempre é difícil, sempre dói. Nem que seja aquela dorzinha do costume, como quando a gente passa muitos anos de unha grande, aí um dia corta tudo e perde um pouco o tato. Tipo, fica estranho segurar as coisas e leva um tempinho pra acostumar. A metáfora não é das melhores, mas foi a que coube. Porque pouca coisa cabe no vão entre um antigo amor e o novo desconhecido. Então a gente vai adiando a partida até não ter mais jeito. A gente vai esgotando as possibilidades, a esperança e as forças. A gente vai fazendo de tudo até não ter mais o que fazer. Você já sabia que isso tinha acabado há meses. E de nada adianta essa massagem cardíaca desesperada pra tentar ressuscitar esse amor já roxo, frio, sem sangue. Depois de algum tempo já de malas prontas, pode marcar a hora do óbito. Morreu de morte morrida, morreu porque não tinha mais nada de bonito pra ser, morreu porque não existe amor se só um se esforça pra fazer acontecer. Morreu porque tinha que morrer. Então a gente joga flores, encara o luto e depois volta a viver! Porque o que morreu foi um amor, uma história e não você.
Marcella Fernanda.
O sentido obrigatório da vida é mão dupla. Se não for, não é saudável, não é amor, não tem consideração. Não vale a pena nem o desgaste. Veja bem: o amor é uma gangorra e, se não existe o vai-e-vem, o equilíbrio, acabou a brincadeira. O outro não se diverte mais, fica de castigo. E se eu já ficava transtornada quando era criança e faziam isso comigo, meu amor, imagina adulta! Desço na gangorra na hora. Não quero e não vou mais brincar. Porque nem adianta a gente trocar de brinquedo, de jeito, de apelo, se a pessoa é aquela criança mimada que só acha graça em ver o outro se ferrar. Aquele menino chorão que tudo só se ele mandar, tudo é pirraça, tudo "é meu, não mexe, me dá." Tem gente que nunca aprendeu a compartilhar: nem suas coisas, nem o que tem no peito. Imagina dividir a vida, imagina amar! Eu sou paciente, mas tem gente que vai bem além da questão de ensinar. Eu me empresto, me doou, me entrego, mas tem gente que não sabe receber nem compensar. Eu sou amiga, sou parceira, mas parceria é em dupla e sozinha não dá. Eu sempre acredito no melhor das pessoas e faço o que for pra ajudar. Mas tem cara que não adianta a gente forçar a barra, bater pezinho, nem se jogar no chão do mercado: ele é o que é e não vai mudar!
Marcella Fernanda
Vim só te contar que cê tava certo o tempo todo! Sou boa demais pra você sim. Eu podia ter ouvido no começo e poupado a gente disso tudo. Mas é que antes eu não acreditava nesse papo de alguém ser bom demais pra outro alguém. Todos os dias ao seu lado me convenceram, agora eu sei e tudo bem. Tudo bem você fazer tanto esforço em ser tão pouco. Tanta questão de continuar esse alguém que não se gosta e não se conforma se alguém gostar. Sem problemas eu ter construído uma relação bonita e sólida só pra você estragar. Você sempre foi sincero e racional e me avisou como isso iria acabar. Não posso te culpar! Não posso ser injusta e te crucificar por ser tão pequeno, você nunca escondeu isso, nunca tentou me enganar. Sou a única culpada por ter tentado, por tanto tempo e com tanto afinco, forçar essa barra e tentar me encaixar. Não é meu número, não adianta forçar. Eu sou gigante, espaçosa, inteira, sou mar. Cê é um quartinho apertado, sem conforto, sem luz e sem segurança, impossível de morar. Então parabéns pela racionalidade e por estar certo de novo, como sempre. Sei que esse é o seu maior prêmio e única (e triste) felicidade. Não demos certo e você me decepcionou, exatamente como previu. Não tinha como a gente ser um casal feliz e cheio de planos porque eu realmente sou muito mulher pra você. Cê sempre repetia que não sabia o que eu tava fazendo com você. Eu tentava argumentar, explicar, desenhar, te convencer. É que amor era tudo que eu tinha no peito, então foi o que eu te dei. Mas quer saber de uma coisa engraçada? Hoje, olhando pra trás, eu também não sei!
Marcella Fernanda
Eu acho um absurdo você me controlar assim, com essa facilidade, devia ter lei contra isso. Odeio você não me deixar ir embora, mas nunca me pedir pra ficar de vez.
Marcella Fernanda.
Você o convidou pra ir ao cinema, disse que tinha um filme bacana que iria estrear e que você precisava assistir com ele, ele disse que não podia, que tinha algumas coisas pra fazer e tudo bem, você acreditou que ele realmente tinha coisas mais importantes pra fazer e preferiu deixar o filme prum outro dia, quem sabe. Chegou uma sexta-feira a noite e ele apareceu te perguntando onde você estava, com quem estava e o que iria fazer, depois ele sumiu. Tudo que ele queria saber era se você já estava em outra, se já tinha o esquecido e se já aproveitava uma sexta-feira sem ele. A verdade é que ele preferia que você ficasse sozinha ou que fosse dormir, porque ele tinha medo de que você encontrasse alguém bacana por aí. Só te fez perder tempo. Ele disse que era melhor você ficar na sua. Você combinou um encontro, ele disse que precisava pensar. Você ligou, ele disse que estava ocupado, e que assim que pudesse iria te ligar. Ele nunca pôde. Ele sempre deixou solto no ar um interesse em você e isso te confundia bastante. Você já perdeu a conta de quantos ”a gente se fala” ou ”a gente se vê” ele te disse. Ele nunca foi direto, nem um pouco objetivo, tampouco decidido quando deveria ser. O que ele realmente queria era mesmo foder com tua vida, te prender a ele enquanto ele se decidia, porque sabia que encontrar alguém como você era impossível. Sabe aquele passarinho preso na gaiola que o dono aparece só pra colocar água e checar se ainda canta? Então, ele te tratava assim. Só aparecia pra ver se você ainda estava na dele ou se ainda estava satisfeita com tudo isso. Ele disse que o que aconteceu entre vocês foi um deslize, um descuido, que nada do que aconteceu deveria de fato acontecer. Brincava com os seus sentimentos, fingia que realmente estava triste por você ter se decepcionado com ele, porque no fundo, tudo que ele queria ela não se culpar, tirar essa culpa das costas, por ter se tornado uma decepção pra alguém. Ele te mandou um coração quebrado no Whatsapp e depois sumiu. Você não conseguiu entender porque ele estava triste sem você e ao mesmo tempo não fez o mínimo de esforço por vocês. Na verdade, ele só estava tentando te convencer de que ele não era tão canalha quanto parecia ser, e que foder com tua vida, na verdade, era só uma questão de percepção sua. Você deixou várias vezes o orgulho de lado e resolveu falar com ele, ele foi monossilábico ao te responder. Você procurou, ele sequer apareceu. Você se importou, ele sequer demonstrou interesse. Você passou dias tentando puxar assunto e entender o que ele realmente queria de vocês, ele passou semanas sem falar com você. Você não queria se envolver, ele fez de tudo pra que você se envolvesse. Você queria fazer valer, ele não parecia mais disposto. Agora, só depois que percebe que você não deu a mínima, que você o superou e que está até melhor sem ele, ele aparece com um: ”Tô com saudade de você!”, é de partir o coração né? Só que não! Pra mim esse é o típico: ”Tô com saudade de foder a tua vida mais uma vez”. Não corra atrás de alguém que não dá a miníma por você, por mais que você acredite que o que existe em você é amor, se não existe reciprocidade do outro, não vale a pena amar alguém assim. Se alguém fosse digno do teu amor, esse alguém não estaria correndo na direção contrária a sua. O amor merece abraços, sorrisos e beijos inteiros e sinceros. Se alguém te diz que está com saudade de você mas não te procura, é porque essa pessoa vive muito bem sem você, e a saudade, nesse caso, é só um artificio que essa gente usa pra confundir os outros!!
Ter o primeiro namorado perfeito, na maioria das vezes, é a maior tragédia que pode acontecer. Ele é o cara dos sonhos, modelo de marido ideal pra meio mundo (incluindo você), mas você só vai perceber que fazia parte desse meio mundo, quando provar o mundo por inteiro, entende? Todo amor do mundo é pouco, porque você não conhece outros gostos, então nada parece doce. Você precisa sentir o amargo de não ser procurada no dia seguinte por aquele carinha "incrível" que parecia estar tão afim de você. E descobrir o objetivo simples dele afinal, com todo aquele teatro de bom moço. Constatar, com um nó na garganta e um soco no estômago, que ele é um perfil muito comum e você vai ter que lidar com muitos dele ainda. Haja jogo de cintura e água, pra não engolir a seco tanta decepção. Mas não tinha jeito, né? Cê precisava sentir na pele que todas essas suas qualidades, seu coração gigante e seu senso de humor contagiante pouco importam pra 95% (sendo otimista) dos caras que você vai ficar apaixonadinha. Eles só ligam pros números: o do seu sutiã, o balanço de quantas ele levou pra cama esse mês e o WhatsApp de todas elas, pra um sexo casual, qualquer dia desses. Sabe como é, né? Não? Ah, logo logo vai saber... Você é só mais um número, mais um corpo. E, falando em números, quantas noites e quantas doses de álcool você precisa pra passar por cima dessa descoberta? Aí você começa a ter noção da raridade que era o seu namorado. Se arrepende e se culpa por não ter valorizado tanta sorte, mas só agora você entende de valores, então não existem contas em aberto pra você fazer ou pagar. Até porque hoje você entende, principalmente, do seu valor, que foi colocado à prova tantas vezes nesse meio e infinito tempo. Então se existe uma culpa, a gente poderia atribuir de forma justa a quem? Agora vocês são outras pessoas e os caminhos estão em direções opostas, já foi. A pessoa certa na hora errada, tudo bem. Agora você tá muito mais madura e consegue reconhecer, claramente, um cara especial. Tá boa de números e calcula imediatamente quem merece 5 minutos do seu tempo e quem merece meses, anos. Detecta quase que instantaneamente quando é ou quando não é pra ser. Tá em harmonia com o tempo e sabe que a sorte sozinha, desalinhada e avulsa, pode ser o maior azar que alguém pode ter.
Marcella Fernanda.