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Marcelo Amorim no ateliê
Machucado, 2019
Marcelo Amorim
Montagem
Texto crítico Chico Soll
O FONTE inaugura no dia 6 de fevereiro a mostra “Marcelo Amorim | Montagem”, individual do artista Marcelo Amorim apresentando trabalhos em pintura e serigrafia realizados ao longo dos últimos anos. Apresentando pinturas em óleo sobre tela e serigrafias, todas baseadas em matrizes fotográficas, antigos postais do Rio de Janeiro e imagens vernaculares, as obras utilizam a cor e a iconografia como ferramentas para questionar o olhar voyeurístico e explorar a natureza da memória coletiva, além de refletir sobre o desejo mediado culturalmente.
Marcelo Amorim | Montagem
Texto crítico Chico Soll
Abertura Abertura 06/02, quinta-feira, das 19h30 às 22h
Visitação de 06/02 a 22/02
Quintas e sextas das 14h às 19h
Sábados das 11h às 17h
O que vemos em “Montagem” é uma fricção entre nostalgia e erotismo. O que poderia ser uma celebração aberta do corpo e do desejo torna-se, ao contrário, uma meditação sobre o que é reprimido, o que se encontra latente. Essa tensão é filtrada pelo uso do vermelho — uma cor que historicamente carrega conotações de paixão, mas que aqui assume um caráter sutil, velado.
A fatura da pintura traz à superfície não apenas a figura, mas a intensidade silenciosa do que permanece oculto. O resultado é uma reflexão sensorial e ao mesmo tempo crítica sobre a memória, o desejo, e os limites entre ambos, em que o espectador é convidado a habitar esse espaço de contenção e promessa.
O Rio de Janeiro, retratado aqui como uma pausa quase mítica, oferece uma promessa de prazer que é, ao mesmo tempo, contida e difusa. Essa ambivalência se materializa nas imagens de antúrios e nos corpos masculinos, envergando sungas que remetem a uma estética de masculinidade antiquada e ao mesmo tempo fetichizada.
Apresentando pinturas em óleo sobre tela e serigrafias, todas baseadas em matrizes fotográficas, antigos postais do Rio de Janeiro e imagens vernaculares, as obras utilizam a cor e a iconografia como ferramentas para questionar o olhar voyeurístico e explorar a natureza da memória coletiva, além de refletir sobre o desejo mediado culturalmente.
Marcelo Amorim (1977, Goiânia, GO, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, SP) desenvolve uma pesquisa focada em resgatar informações históricas perdidas ou suprimidas, tornando-as fisicamente presentes para questionar valores culturais e sua evolução. Seu trabalho explora a retórica da neutralidade e a validação do poder em sociedades ocidentais, revisitando imagens discursivas por meio de arquivos encontrados na internet, especialmente de 1940 a 1970. Atuando como editor, organiza essas imagens em serigrafias, desenhos e pinturas, evocando um sentido afetivo. Dirigiu o Ateliê397 (2009–2016) e lidera o Fonte desde 2013, promovendo residências, exposições e debates de arte contemporânea.
Exposições individuais selecionadas: Viragem, Massapê Projetos, São Paulo (2023); Escola Normal, MARP, Ribeirão Preto (2019); Se Eu Fosse Você Não Me Trataria Como Você, Sem Título, Fortaleza (2018); Maquinal, Zipper Galeria, SP (2016); Ventriloquia, Paço das Artes, SP (2014); Intervalo, Galeria Jaqueline Martins, SP (2012).
Exposições coletivas selecionadas: A Vingança do Arquivo, Casa de Cultura do Parque, SP (2024); Sentido Comum, Anita Schwartz Galeria de Arte, RJ (2022); Dizer Não, Ateliê397, SP (2021); Against, Again: Art Under Attack in Brazil, Anya and Andrew Shiva Gallery, John Jay College, Nova York (2020); Memória Seletiva, Galeria Aymoré, RJ (2019); Ação e Reação – Arte Contemporáneo Brasileño, Casa do Brasil, Madri, Espanha (2018).
Curadorias selecionadas: Ambidestria: Sergio Romagnolo e Luah Souza (2024); Cama de Gato (Edifício Vera, 2024); Hospital de Bonecas: Caio Borges (Fonte, 2023); Mar, Rio, Fonte (Galeria Karlla Osório, 2023); 29ª Mostra de Arte da Juventude (Sesc Ribeirão Preto, 2019); Vá em frente e volte pra casa – Júnior Pimenta (Sem Título, 2018); Entrever Paisagens: Brisa Noronha, Élcio Miazaki e Simone Moraes (Galeria da FAV, 2018);
FONTE
Fundado em 2013 pelos artistas visuais Marcelo Amorim, Nino Cais e Simone Moraes, o FONTE é uma organização com sede em São Paulo que oferece residências e ateliês temporários para jovens artistas. Oferece uma programação pública e gratuita incluindo exposições, palestras, workshops, performances, projeções de videoarte e estúdios abertos. O espaço já recebeu artistas como Adrián Balseca (Equador), Martin Lanezan (Argentina), Pilar Quinteros (Chile), Sandra Gamarra (Peru), Gabrielle Goliath (África do Sul), os brasileiros Rodrigo Braga e Lyz Parayzo, e realizou parcerias com as instituições Associação Cultural Videobrasil, Paço das Artes, Instituto Tomie Ohtake, entre outras.
Serviço exposição Marcelo Amorim | Montagem
texto Chico Soll abertura 06 de fevereiro, das 19h às 22h visitação 06a 22 de fevereiro de 2025 quintas e sextas-feiras, das 14h às 19h sábados, das 11h às 17h entrada gratuita Rua Mourato Coelho, 751 - Vila Madalena, São Paulo Metrô Fradique Coutinho instagram.com/@residenciafonte
Marcelo Amorim 2021
Machucado, 2019