I don't know what he does to make you cry, but i'll be there to make you smile. I don't have a fancy car to get to you I'd walk a thousand miles...
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I don't know what he does to make you cry, but i'll be there to make you smile. I don't have a fancy car to get to you I'd walk a thousand miles...
Gael Finale || Saindo pela porta de entrada.
O tempo que levou para recuperar a consciência depois de quase morrer de hipotermia e desmaiar no hall de entrada foi o suficiente para que seus colegas terminassem e erguessem a porta. E agora ele estava diante dela.
Sentiria falta de Gael, mas compensaria toda a saudade com livros. Uma série deles, de preferencia. Ignorando o corpo ainda um tanto dolorido e a febre que aumentava, com um sorriso ocupando o rosto, apressou-se para a porta, antes que alguém tivesse a chance de abri-la antes dele. Era uma sorte ter acordado na hora certa.
"Então é isso", ele murmurou para si mesmo. Seu coração saltitava. Se sentia quente. Derretendo. Era emoção ou febre? Os dois? É, os dois. Virou-se para a população por um instante. "Ei, quando eu escrever meu livro, eu mando um cupom de 25% de desconto pra vocês, ok?" Seria esse seu tchau. Provavelmente devia parar e se despedir dos outros pessoalmente, de maneira apropriada, mas ele estava animado demais para pensar na maneira certa de se agir. Deixou para se arrepender depois. Abriu a porta.
Ladrilhos, vaso sanitário, uma ducha meia boca. Até uma toalha jogada no chão. O banheiro da suíte estava exatamente como a seis meses atrás e era absolutamente impressionante. Por um instante, Dominick questionou sua sanidade. Tinha sido apenas um sonho? Ele estava febril, afinal de contas - e agora os sintomas começavam a voltar para ele, a quentura desconfortável, os músculos doloridos, a cabeça latejante. Mas tinha de prova a roupa no seu corpo e seu cabelo seco. Lembrava com clareza que tinha acabado de sair do banho quando chegou a Gael. E agora ele precisava de um banho.
Abriu a porta para o quarto e correu para a janela. Sim, sim, era tudo o que ele estava acostumado: uns bares, uma lojinha de televisão, carros e postes de iluminação, turistas idiotas, moradores. Riu audivelmente. Caralho, era a Terra! Sua amada Escócia de novo! Escutava o trânsito barulhento das ruas de Edimburgo, e a cama rangindo do vizinho. Fingiu não escutar nenhum rangido e correu para a sala. Será que haviam se passado seis meses ali também? Será que Tali-
Seus pensamentos foram interrompidos por um baque alto e algo bastante sólido se quebrando contra a lateral de seu corpo. Dominick caiu para o lado, confuso, junto com uma perna de cadeira. Houve um estalo e uma dor aguda em algum lugar do seu corpo. Só entendeu o que estava acontecendo quando distinguiu o sotaque forte e um tanto desesperado da colega de apartamento.
"Ach mein Gott, Herr Dominick!", a mulher caiu de joelhos ao lado dele, jogando uma cadeira estraçalhada pra longe. Ele escutou mais alguma coisa quebrar. Talita tinha os olhos já naturalmente esbugalhados ainda mais esbugalhados e o rosto pálido, como se ele fosse uma assombração. Bem, ele era. "Como focê- focê está sumito faz meses! Onte estava?" Ela o abraçou, abraço ao qual ele correspondeu. Então era assim que alemães lidavam com ladrões. Ele tinha vontade de ser assaltado, agora. Seria divertidíssimo ver a loira quebrar a cabeça de alguém que não fosse Dominick.
"Você não ia acreditar se eu contasse"
Mesmo assim ele contou tudo, enquanto a mulher se recompunha, ajeitava a camisola, fazia um chá para o rapaz. Não ficou claro se ela acreditava no que ele dizia, se baseando em suas reações e nas perguntas interessadas, mas no fim ela mandou ele escrever um livro.
Um mês. O livro já estava escrito e terminado, em um mês. Não era por menos, ele passava a maior parte do seu dia escrevendo, enquanto a aventura ainda estava fresca na mente. Com alguns nomes trocados, nacionalidades diversas e mais páginas do que tinha sido planejado quando ele começou a escrever, uma ambiguidade quanto o qual ficcionais eram aqueles eventos. Mas ele não estava pronto para publicar ainda. Relia sua obra, de cara com o computador. Sempre havia coisas para mudar ou adicionar... ele não sentia que estava perfeito. Faltava outros pontos de vistas. Ele queria a história de outros moradores.
Já havia criado blogs, um grupo no facebook e até um fórum sobre Gael, na tentativa de chamar a atenção de outras pessoas que tivessem vivido o mesmo que ele. Talvez fosse muito ruim em computação, porque até agora não tinha tido muita sorte. As pessoas que encontravam seus sites costumavam aparecer para perguntar o que aquilo significava e sumir depois de uma breve explicação enigmática. Alguns perguntaram se era rpg (?) ou um viral para um filme. No fim ele respondia que era um viral para um série de livros. Conseguiu mais uns acessos com isso. Seu fórum acabou de fato virando o tal do jogo de Rpg. (Dominick até criou um personagem)
Sua leitura foi interrompida porque um novo email chegou. Abaixou a janela do world para ver o que queriam. Se fosse spam de novo, jurava que mataria um. Não era; era um comentário no blog. Abriu, sem expectativas, e então seu coração quase parou.
"Você também esteve em Gael??? Eu tinha pensado que tinha enlouquecido... por favor, me mande um email."
Seus pelos eriçaram. Ele gargalhou, enquanto escrevia um novo email para o endereço virtual que o leitor tinha deixado nos comentários.