KIROKAZE
Sweet Seals For You, Always
Three Goblin Art

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he wasn't even looking at me and he found me
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Lint Roller? I Barely Know Her

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Cosmic Funnies
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@dominichronicles
Jackson Rathbone
Gael Finale || Saindo pela porta de entrada.
O tempo que levou para recuperar a consciência depois de quase morrer de hipotermia e desmaiar no hall de entrada foi o suficiente para que seus colegas terminassem e erguessem a porta. E agora ele estava diante dela.
Sentiria falta de Gael, mas compensaria toda a saudade com livros. Uma série deles, de preferencia. Ignorando o corpo ainda um tanto dolorido e a febre que aumentava, com um sorriso ocupando o rosto, apressou-se para a porta, antes que alguém tivesse a chance de abri-la antes dele. Era uma sorte ter acordado na hora certa.
"Então é isso", ele murmurou para si mesmo. Seu coração saltitava. Se sentia quente. Derretendo. Era emoção ou febre? Os dois? É, os dois. Virou-se para a população por um instante. "Ei, quando eu escrever meu livro, eu mando um cupom de 25% de desconto pra vocês, ok?" Seria esse seu tchau. Provavelmente devia parar e se despedir dos outros pessoalmente, de maneira apropriada, mas ele estava animado demais para pensar na maneira certa de se agir. Deixou para se arrepender depois. Abriu a porta.
Ladrilhos, vaso sanitário, uma ducha meia boca. Até uma toalha jogada no chão. O banheiro da suíte estava exatamente como a seis meses atrás e era absolutamente impressionante. Por um instante, Dominick questionou sua sanidade. Tinha sido apenas um sonho? Ele estava febril, afinal de contas - e agora os sintomas começavam a voltar para ele, a quentura desconfortável, os músculos doloridos, a cabeça latejante. Mas tinha de prova a roupa no seu corpo e seu cabelo seco. Lembrava com clareza que tinha acabado de sair do banho quando chegou a Gael. E agora ele precisava de um banho.
Abriu a porta para o quarto e correu para a janela. Sim, sim, era tudo o que ele estava acostumado: uns bares, uma lojinha de televisão, carros e postes de iluminação, turistas idiotas, moradores. Riu audivelmente. Caralho, era a Terra! Sua amada Escócia de novo! Escutava o trânsito barulhento das ruas de Edimburgo, e a cama rangindo do vizinho. Fingiu não escutar nenhum rangido e correu para a sala. Será que haviam se passado seis meses ali também? Será que Tali-
Seus pensamentos foram interrompidos por um baque alto e algo bastante sólido se quebrando contra a lateral de seu corpo. Dominick caiu para o lado, confuso, junto com uma perna de cadeira. Houve um estalo e uma dor aguda em algum lugar do seu corpo. Só entendeu o que estava acontecendo quando distinguiu o sotaque forte e um tanto desesperado da colega de apartamento.
"Ach mein Gott, Herr Dominick!", a mulher caiu de joelhos ao lado dele, jogando uma cadeira estraçalhada pra longe. Ele escutou mais alguma coisa quebrar. Talita tinha os olhos já naturalmente esbugalhados ainda mais esbugalhados e o rosto pálido, como se ele fosse uma assombração. Bem, ele era. "Como focê- focê está sumito faz meses! Onte estava?" Ela o abraçou, abraço ao qual ele correspondeu. Então era assim que alemães lidavam com ladrões. Ele tinha vontade de ser assaltado, agora. Seria divertidíssimo ver a loira quebrar a cabeça de alguém que não fosse Dominick.
"Você não ia acreditar se eu contasse"
Mesmo assim ele contou tudo, enquanto a mulher se recompunha, ajeitava a camisola, fazia um chá para o rapaz. Não ficou claro se ela acreditava no que ele dizia, se baseando em suas reações e nas perguntas interessadas, mas no fim ela mandou ele escrever um livro.
Um mês. O livro já estava escrito e terminado, em um mês. Não era por menos, ele passava a maior parte do seu dia escrevendo, enquanto a aventura ainda estava fresca na mente. Com alguns nomes trocados, nacionalidades diversas e mais páginas do que tinha sido planejado quando ele começou a escrever, uma ambiguidade quanto o qual ficcionais eram aqueles eventos. Mas ele não estava pronto para publicar ainda. Relia sua obra, de cara com o computador. Sempre havia coisas para mudar ou adicionar... ele não sentia que estava perfeito. Faltava outros pontos de vistas. Ele queria a história de outros moradores.
Já havia criado blogs, um grupo no facebook e até um fórum sobre Gael, na tentativa de chamar a atenção de outras pessoas que tivessem vivido o mesmo que ele. Talvez fosse muito ruim em computação, porque até agora não tinha tido muita sorte. As pessoas que encontravam seus sites costumavam aparecer para perguntar o que aquilo significava e sumir depois de uma breve explicação enigmática. Alguns perguntaram se era rpg (?) ou um viral para um filme. No fim ele respondia que era um viral para um série de livros. Conseguiu mais uns acessos com isso. Seu fórum acabou de fato virando o tal do jogo de Rpg. (Dominick até criou um personagem)
Sua leitura foi interrompida porque um novo email chegou. Abaixou a janela do world para ver o que queriam. Se fosse spam de novo, jurava que mataria um. Não era; era um comentário no blog. Abriu, sem expectativas, e então seu coração quase parou.
"Você também esteve em Gael??? Eu tinha pensado que tinha enlouquecido... por favor, me mande um email."
Seus pelos eriçaram. Ele gargalhou, enquanto escrevia um novo email para o endereço virtual que o leitor tinha deixado nos comentários.
Finalizando: Little darling, it's been a long cold lonely winter. - Ammy & Domi
O corpo tremia de uma forma tão intensa que fazia a garota se questionar sobre a decisão de ter ido buscar a maçaneta no fundo do lago. Amelie Wright agora parecia um pedaço de gelo vivo… Vivo só por conseguir sentir o palpitar do coração acelerado junto com a respiração tremula que, juntos, tentavam normalizar a temperatura. Ouvia a voz de Dominick, mas não conseguia formar palavras, não conseguia fazer nada. Ela estava ali, estava com dores enlouquecedoras pelo corpo que lhe faziam ter vontade de gritar. Gritar para aliviar o que sentia. Gritar de medo. Gritar por alguém que pudesse lhe fornecer calor.
Desejava poder parar de tremer, desejava levantar e dizer para seu parceiro que poderiam continuar andando, que tinha achado a peça e que podiam ir para a cidade se aquecer antes de encontrar com os outros. Desviou o olhar do chão e fitou Dominick e torceu para que ele entendesse o sinal de que ela estava viva, mas que era apenas isso. Estar vivo nunca havia parecido tão inútil. Lutava para permanecer acordada porque tinha um conhecimento básico de que não poderia dormir numa situação como aquela, olhou para as mãos e viu que ainda estava segurando o objeto, poderia sorrir, mas não conseguia.
E como era difícil se manter acordada, abriu os lábios e forçou algum som, qualquer um, pelo amor de Deus. Esperava ter saído alto o bastante no meio de seus tremores para que servisse de alívio para sua dupla. Pobre Dominick, estava congelado e ainda tinha que cuidar de uma garota maluca que resolveu ser a heroína da história. Tentou escrever um bilhete mental : “Amelie Wright, você é apenas uma idiota.”
Ótimo, ela estava bem! ..Mais ou menos. Parecia estar só 30% viva ou coisa assim, mas conseguia respirar, ainda que fracamente, e mover os olhos. Meu deus, ela estava tão pálida. E gelada. Era como se fosse um defunto que piscasse. Dominick não tinha a minima ideia de como agir.
Olhou em volta, procurando algum milagre; uma cabana de madeira com lareira e mudas de roupa quentinhas seria uma boa coisa. Mas não tinha nada. Absolutamente nada, além da mochila de Amélie jogada no meio da superfície congelada do lago. Nada que pudesse estar carregando alguma coisa util- oh, espere.
"P-p-perai, ok-kay? N-n-na... morre.", ele meio ordenou, meio implorou, completamente desesperado. Até gaguejar era difícil quando seu queixo não conseguia parar quieto e quando ele sentia que pensar era uma tarefa impossível. Mas precisava, se não iriam morrer ali. Morrer nem soava tão ruim assim, para ser sincero. Mas ter vivido sem nunca ter publicado nada era péssississimo então ele ia ter que lutar mais um pouquinho. Tentou ignorar o formigamento dolorido enquanto se levantou e correu para pegar a bolsa. Por cima da água, mesmo, já que ele não era o tipo de pessoa que aprendia com seus erros. Foi uma sorte ter chegado no objeto sem um creck sequer. Agarrou ele, abraçou contra o peito,e deslizou de volta, caindo ao lado da ruiva uma segunda vez.
Graças a Deus, a bolsa provavelmente tinha caído dos ombros da menina quando ela escorregou para dentro do gelo, porque ela mal estava úmida. Abriu a mochila e tirou tudo de dentro, desde o diário de capa vermelha, algumas canetas, jogando-os na neve fofa mesmo, até encontrar algo útil: um familiar cobertor de algodão comprido o suficiente para ser jogado sobre o ombro de duas pessoas. Então era isso.
Abraçou Amelie e a ajudou a se levantar. E aquilo tudo sobre abraços esquentarem? Tocar nela parecia ter deixado-o ainda mais gelado. Provavelmente era porque não tinha restado mais nenhum calor corporal em nenhum dos dois corpos. Jogou o cobertor por cima dos dois e pegou a mochila, e só então notou o objeto nas mãos dela. Sorriu. Magnifico. Poderiam voltar!
O cobertor melhorou um pouquinho. Não muito, realmente, mas um pouco. Voltar foi complicado. Nenhum músculo seu tinha vontade de se mover, nem- nem os respiratórios. Quando viu, estava exausto, adentrando no salão. Abandonou Amélie e o cobertor. Nem sabia como tinha chegado no dormitório. Não se lembrava mais de nem metade do caminho. Tinha intenção de procurar alguém e dar a maçaneta para eles... mas só teve tempo de se apoiar contra a parede e suspirar antes de perder a consciência.
“This is not the end and won’t never be the end.”
As melhores histórias são aquelas que só começam quando você pensa que acabou
Dominick
Little darling, it's been a long cold lonely winter. - Ammy & Domi
- É, eu desenho… Não sou profissional, mas é a minha paixão. – Falou com um sorriso sem graça, desenhar sempre foi relaxante. Amy poderia desenhar qualquer pessoa, paisagem ou objeto e estaria relaxando. Sentia-se livre para fazer o que quiser e poucas coisas na vida davam o mesmo sentimento de estar desenhando. Nunca conseguiria botar o quanto melhorava de humor só por estar rabiscando alguns traços no papel. Sabia, ou pensava, que deveria ser a mesma coisa para Dominick quando se tratava de escrever alguma coisa, talvez ele fosse criar um livro em que contasse um pouco a história que passaram na cidade – isso se eles conseguissem voltar para a terra. As esperanças de todos estavam na maldita ideia de reconstruir a porta, Ammy esperava que, desta vez, as coisas dessem certo. - Eu preferia que essa parte fosse fácil. – Declarou em um tom de voz pesado, não queria demorar para completar uma tarefa que julgava tão simples… Os outros teriam muito mais problemas, não é mesmo?
- Obrigada por não me achar muito gorda. – Não se importava tanto com aquela opinião, ela não se sentia gorda e, com a falta de comida em Gael, ninguém estava num estão agradável. Os olhos estavam presos na camada de água congelada sobre os pés do rapaz, o barulho que o gelo fez debaixo do sapato dele era preocupante. – Esses dias que nós não nos alimentamos bem deveriam servir para alguma coisa. – Reclamou enquanto botava seus pés devagar sobre o lago, suas mãos tremiam pelo nervoso de poder acabar dentro daquela água. – Domi…Dominick, acho que devíamos ir pelo caminho certo… – Amelie segurou com força a mão do loiro para poder sair da área instável e, no mesmo momento, sentiu o gelo ceder por baixo de seus pés e um barulho intenso vindo em conjunto.
Fechou os olhos e aumentou a força que fazia com a mão, o corpo parecia estar sendo puxado para a água numa velocidade rápida, soltou um grito como reflexo, um grito alto e estridente que, por sorte ou azar, não durou muito. Estavam submersos em segundos e o frio, que já estava virando um companheiro, parecia ter aumentado em mil vezes a sua vontade de destruí-los, de acabar com cada parte viva, de terminar seu trabalho como carrasco. Abriu os olhos e tudo o que conseguia ver era pequenos pedaços de gelo na água, o olhar parou no fundo e permitiu uma visão de um objeto lá no chão, Ammy não tinha certeza, mas jurava ser a maçaneta. Subiu para a superfície e largou Domi, seu queixo batia e tremia todas as palavras dela. – Tem algo… Algo lá em baixo! – Gritou, mas sua voz parecia um sussurro, eles precisavam sair do lago, porém precisavam ainda mais achar o maldito objeto.
- Do…Domi…Dominick! – Tremeu o corpo, sentia cada parte da sua extensão transformando-se em puro gelo. Temia não conseguir aguentar e acabar sendo achada pelos outros. Temia, ainda mais, por um motivo bobo, talvez não conseguir retirar a maçaneta do lago (Se aquilo fosse a bendita!) para a confecção da nova porta e, por isso, respirou fundo – o pouco ar que conseguiu entrar em seus pulmões – mergulhando outra vez e nadando até o fundo. O objeto foi ficada cada vez mais nítido e a ruiva fechou os olhos por alívio, as mãos que estavam quase da mesma temperatura da água se agarraram na peça e puxaram com toda a força armazenada. Naquele momento Ammy sentiu a coisa mais clichê que poderia existir, percebeu que era o sentimento mágico de ter feito algo realmente útil.
Ammy voltou a se preocupar outra vez quando seu nariz conseguiu, junto com sua boca, puxar o ar para dentro do corpo, estava com a respiração irregular, o corpo tremendo e pedindo calor, suplicando por aquilo. Jogou-se com dificuldade na neve do lado de fora, ainda abraçada com o artigo e não conseguiu se levantar. Não conseguia se levantar e nem achava forças para explicar isso para a sua dupla.
Seria mais fácil se a ruiva seguisse com o fingimento, ora. Ela podia brincar de estar se divertindo, dai quem sabe aquela busca ficasse melhor, de fato. Quer dizer, a conversa nem estava tão chata assim, né? Eles estariam conversando menos se soubessem direto para onde ir. Seria péssimo se Ammy não tivesse tido a boa oportunidade de conhecer o futuro melhor escritor de todos os tempos. Péssimo.
Ele riu um pouquinho. Não tinha tido a intenção de chamar ela de gorda, mas que bom que ela tivesse entendido isso e não ligado. Mas sabe, talvez nem ela nem ele fossem magros o suficiente... ignorou o pensamento e tratou de fazer a colega ignorar sua má-impressão também. Começou a dizer algo tipo "Nah, iria demorar muito de fizéssemos o caminho certo" mas nunca chegou ao fim da frase, porque sua ouvinte agarrou sua mão com certo desespero... antes de ser engolida pelo lago congelado e levar o rapaz junto.
Aconteceu num único instante. E se ele estava com frio em suas roupas secas e quentinhas, imagina agora- a água rapidamente encharcou todas as camadas de tecido e roubou a sensibilidade do rosto de Dominick. Engoliu um bocado de água e sentiu pedrinhas virem junto do liquido, arranharem sua laringe, antes de conseguir prender a respiração. Mais ou menos. O suficiente para se debater com dificuldade até a superfície e fincar as unhas de uma das mãos no solo, e provavelmente largou Amelie enquanto se salvava, e se jogou então sobre o gelo. Começou a tossir e choramingar. Sentia que havia por pouco escapado da morte. As lágrimas queimavam sua bochecha. Engatinhou até todo seu corpo estar fora da água e esticou-se ali, enterrou o rosto entre os braços e ficou até a menina falar e lembrar-lhe de sua existência.
"C-c-como aszim a-algo?" Era meio difícil falar com o queixo batendo tão violentamente e o nariz repentinamente congestionado, além da sensação de ter pedrinhas de gelo nas cordas vocais. Mas conseguiu gritar quando virou-se e só viu a garota mergulhando de novo. "Amelie! Você tá doida--???"
Ele devia ou não ir atrás dela? Caramba, ele iria morrer se entrasse lá de novo. Mas ela iria morrer se ele não fosse. Talvez já estivesse morta? Brrr. Um novo frio percorreu sua espinha e não tinha nada a ver com o clima lá fora dessa vez. Franziu mais as sobrancelhas, mais lágrimas se formaram e seu nariz ficou ainda mais congestionado. Até solução umas duas vezes antes da menina com cabelos vermelhos reaparecer na margem do rio.
"E-EI!" ele se levantou num pulo e correu até ela. Quando se aproximou o suficiente desabou. wow, seu corpo doía. Parecia que suas juntas estavam... bem, congeladas. Imagina as delas. "V-voc-cê está bem? Está viva, né?"
Confusion that never stops, closing walls and ticking clocks. - Ammy, Nate, Dan, Elektra, Domi, Élis, Trent, Eileen, Anabelle, Alek, Mari, Mia, Jess.
Era como se as esperanças de Daniel fossem como as chamas de uma vela de bolo de aniversário: já tinham sido há muito tempo assopradas para longe, mas, com o movimento certo de mãos, não seria muito difícil para que rapidamente fossem restauradas. Conforme as palavras de Amelie adentravam seu ouvido e eram ingeridas por seu cérebro, uma palpitação descompassada brotava no peito do rapaz, quase como se ele tivesse ouvido a garantia de que poderiam voltar para a casa. Abriu um sorriso enorme, dando um passo à frente na maior displicência para tomar o diário que Nate provavelmente já acabara de ver (Dan não se importava). Folheou-o rapidamente e, quando acabou, sentiu vontade de abraçar cada uma das pessoas que ali se encontravam.
– Isso é… maravilhoso. – Proferiu mais para si mesmo do que para os outros, entregando o diário para o próximo da roda com uma animação crescente. – Ainda não tivemos tempo de informá-los, mas eu, Elektra e Nate fomos para a floresta em busca da porta como tinha sido indicado na nossa última reunião, e de fato conseguimos encontrá-la. Mas estava completamente destruída… Provavelmente fora de uso. – Explicou rapidamente, erguendo os olhos para encarar os rostos à sua volta. Era um alívio nunca ter tido dificuldade para expressar suas opiniões em público. – Com isso aqui – apontou para o caderninho vermelho – poderemos construir uma nova! Não precisamos da outra. É inacreditável. Eu só… Uau. – Mal conseguia se conter dentro das próprias roupas.
Foi quando seu olhar decaiu sobre Trent, Mia e outras duas pessoas que não conhecia muito bem, lembrando-se de que eles não tinham recebido pista nenhuma e, consequentemente, deviam estar muito perdidos com o que ocorria ali. Escolhendo as palavras com cuidado dentro de sua mente e, da maneira mais sucinta possível, explicou tudo o que sabia para aqueles que desconheciam o verdadeiro significado do que ocorria ali.
– Acho que Amelie está certa. Precisamos dividir as tarefas e começar a construir essa porta. Hoje. Agora. – Não tinha ideia se estava sendo precipitado ou muito ansiosa, a verdade é que Daniel não dava a mínima. Por mais que pudesse demorar, se a necessidade aparecesse, o irlandês tinha certeza que seria capaz de reconstruir a porta sozinho. Era sua liberdade em jogo. – Podemos dividir assim: matar o cervo, encontrar a seiva e a maçaneta e finalização da porta. Alguém se propõe a alguma delas?
Elektra tinha os braços cruzados e estava encostada na parede do quarto, a expressão pensativa, quando Amelie e Dan falaram aquilo tudo. Não seria errado falar que ela estava animada. Mas também não seria errado falar que ela já estava de saco cheio daquilo tudo. Quer dizer, quantas tentativas frustradas eles haviam experienciado até agora? Primeiro, decifrar os enigmas que Arthur tinha colocado. Depois, ir para a floresta achar a porta. Achar a porta e descobrir que ela estava quebrada e agora aquilo. A loira suspirou, fazendo uma mecha do próprio cabelo voar do rosto.
“Certo,certo,certo. Eu posso matar o cervo.” Disse, sem muitos rodeios. O tom de sua voz era um pouco conformado, enjoado, talvez. Claro que se sentia feliz em poder ajudar fisicamente naquilo. A tarefa lhe parecia cair bem, afinal, ela era a única que conhecia que tinha trazido uma Glock. Mas de alguma forma, Elektra sentia como se eles no final de tudo fossem ser frustrados mais uma vez por algum detalhe mínimo ou fenômeno misterioso de Gael ou de Doctor. “Alguém se junta a mim?”
Ela então pegou o diário com apatia. A verdade era que o objeto ao mesmo tempo a enojava e a atraía. Elektra precisava devorar aquele livro como se sua vida dependesse daquilo - o que podia muito bem ser verdade -, mas também enojava-lhe que estava com os pensamentos do Doctor que tanto odiava nas mãos. Afinal, ela tinha certeza de que cada palavra lida viria com uma praga lançada ao cientista maluco. Sua raiva por ele era grande a esse ponto, e ela tinha que dar um jeito de contornar isso e chegar ao centro racional de seu cérebro.
Elektra passou o diário adiante, sem paciência pra lidar com aquilo naquele instante.
O que- ele não sabia se devia ficar cada vez mais animado ou mais frustado. Tanta coisa acontecendo, e Dominick não fazia parte de nada daquilo. Ele passou tanto tempo morrendo de tédio em sua cama e berrando janelas afora pelo dormitório enquanto todas aquelas pessoas estavam por aí, se aventurando pela cidade mágica de Doctor Greene. Lançou olhares meio ameaçadores para Alek. Ele vinha assistindo Domi sofrer, ser consumido pelo ócio, quase se entregar à insanidade (com um pouco de exagero, aqui) e não tinha pensado em dizer uma palavra sequer para o pobre colega de quarto? Meh. Maldito.
Suas maldições se dissiparam em sua mente quando Elektra estendeu o diário para ele. Não demorou nem um segundo para pegar o livrinho das mãos dela. Aqueles pedaços de papel eram mais preciosos que ouro! Tantas informações, tantas referencias e conceitos. Por um momento, ele esqueceu da porta, tanta a animação de estar com tamanha fonte de conhecimento em suas mãos. Será que deixariam ele levar aquilo para Terra com ele, se um dia conseguissem de fato sair?
Folheou, parando em algumas páginas para ler parágrafos aleatórios. Ele estava verdadeiramente fascinado. Mal escutara o que Daniel dizia, captou apenas o básico e suficiente. Continuou folheando e lendo por mais alguns minutos depois do rapaz jogar a pergunta no ar, até finalmente lembrar de sua situação e fechar o caderno vermelho com um suspiro. Com relutância, estendeu para um próximo leitor.
"Se der, devolva pra mim depois que terminar", pediu. No instante em que largou o diário, sua animosidade sumiu. Dominick ranzinza voltou, porque se lembrou de quanto frio e fome e impaciência estava sentindo, dai se apoiou contra qualquer coisa, dando de ombros. Matar um cervo parecia difícil. Construir uma porta também. Ele não ligaria se era ou não difícil numa outra situação, mas... tudo o que queria agora era voltar para casa e não estava com muita vontade de se esforçar. Procurar a maçaneta soava como brincar de pique esconde. E ele nem era tão ruim em pique-esconde. "Eu não, prefiro ir atrás da fechadura da porta e tal."
Little darling, it's been a long cold lonely winter. - Ammy & Domi
A ruiva sentia as mãos ficarem cada vez mais geladas por mexer constantemente na neve, as pontas dos dedos estavam praticamente congeladas e tal fato fazia com que Amelie esfregasse uma mão na outra, de vez em quando, na esperança de poder deixá-las um pouco mais quentes. Estar procurando a maçaneta pela neve lembrava os tempos de infância, tempos aonde a pequena Ammy brincava no jardim da casa dos tios. Era engraçado como nevascas lhe traziam pensamentos calmos e alegres de alguns poucos momentos que podia ir brincar, sem se preocupar com o passado, no lado de fora com seu tio, da sua frustração infantil por deixar marcas de sapatos por cima dos traços de desenhos que estava fazendo no chão branco e gelado, de querer tomar sorvete de baunilha mesmo estando muito frio. O contraste do presente e do passado fazia a menina suspirar, ela não conseguia pensar num futuro em que pudesse olhar para trás, para a tempestade de neve em Gael, e tirar tantas lembranças boas como estava fazendo naquele exato momento. - Você é um escritor? – A vontade de perguntar os motivos dele estar em Gael se tornou grande, Dominick não parecia alguém com baixa auto estima, ele parecia ter um monte – tanto que, se fosse possível, poderia se desfazer de um pouco e vender para conseguir dinheiro. Não parecia ter nenhuma das características das pessoas que habitavam a cidade.
Sentiu a ponta dos sapatos dele se apertarem contra seus calcanhares e tinha vontade de reclamar toda vez que aquilo acontecia – por outro lado, ele estava demonstrando um entusiasmo maior do que no começo da busca e aquilo agradava Amelie de tal forma que ela conseguia se segurar e não dizer uma palavra. Mesmo assim, sentia a obrigação de guia-los na direção correta e continuava com uma postura de liderança. (Sua tia sempre lhe elogiava quando tomava aquela postura e elogios sempre lhe caíram bem.)
- Eu sei que não, mas não faço ideia de onde poderia estar. – Deixou a frustração que sentia sair no tom de voz, era óbvio que eles poderiam demorar dias para achar aquele maldito objeto. – Se nós acharmos essa maçaneta eu posso te prometer que… Que vou te desenhar na famosa pose da capa do filme, pode ser? – Fitou os olhos de Domi com um leve sorriso brincalhão no rosto.
Tomou o caminho do lago, era uma vista bonita e eles podiam procurar por lá, não é? Podiam achar algum bilhete ou até mesmo Arthur segurando o objeto que procuravam e, com um sorriso no rosto, falando: “Need this?” como se não soubesse de nada. Um pensamento idiota, mas deixava Ammy um pouco menos irritada com as coisas ao seu redor. Ouvia os passos deles e alguns outros barulhos os quais ela não conseguia distinguir direito. – Tinha certeza de que não era Bilbo porque o lago ficava perto da cidade demais para o búlgaro, mas também não deixou de imaginar o rapaz chegando com a maçaneta em mãos.
Ao chegarem perto do lago ela pôde ver a camada congelada de gelo em cima da água e se perguntou se estava grossa demais para eles atravessarem sobre ela como um corte de caminho ou se deveriam dar a volta pela extensão do lago. – Acha que a camada de gelo é grossa o bastante para passarmos? – A última coisa que desejava era cair naquela água congelante.
"Eu sou o escritor", ele corrigiu. Era difícil dizer se seu tom de voz carregava seriedade e orgulho ou um tom brincalhão. Soava confiante qualquer que fosse a alternativa.
Era engraçado como ele desejava tanto sair de Gael não porque odiava o lugar, não porque tinha assuntos inacabados, mas porque tinham coisas para começar, porque queria transformar Gael em uma lembrança. Em uma mentira, talvez. Romantizar a cidade do Doutor Green e vendê-la à entediados como um sonho, uma escapatória. Exatamente como ele vira Gael em seu primeiro dia.
Um sonho. Uma escapatória. Ele podia por isso na sinopse. A capa do livro seria vermelha. Tomara que um de seus colegas não ficassem com raiva caso não gostassem da sua versão literária no livro. Era bom que Dominick tomasse cuidado para não usar nomes verdadeiros nem os mesmos países de origem.
"É mais divertido assim, seria muito fácil se soubéssemos onde procurar." comentou, num tom vago, enquanto tentava pensar em dicas ou possíveis locais para se esconder uma maçaneta. Mais divertido uma ova. Brincar de caça ao tesouro só era legal quando você não estava prestes a morrer desnutrido. "Então você é a desenhista? Eu achava que Gael era um lar para depressivos ou coisa do tipo, mas cada vez mais parece que é uma comunidade de artistas. Não que faça muita diferença."
O que a ruiva esperava encontrar no bosque era um mistério. Mas ele não tinha ideia de onde ir, então não argumentou contra o caminho aleatório que ela decidiu seguir. Ela era a única que estava sendo útil na dupla, afinal. Wow, Dominick, como você é inútil. Observou a camada de gelo sobre o lago e ela não parecia lá muito resistente. Nem o caminho em volta do lago parecia atraente, porque gastaria muito mais tempo do que se só atravessassem em linha reta. Deu de ombros. Analisou Amelie por uns segundos. "É, deve ser. Você não é muito gorda, nem eu sou muito pesado, então deve ser o suficiente pra nos aguentar." Ele deu um passo pra frente. Sentiu o gelo estalar sob seu sapato... mas não viu rachadura nenhuma, nem escutou clecs altos. "Viu só?", comentou, absolutamente nem um pouco seguro, enquanto começava a andar devagar e se amaldiçoar pelo caminho que escolheu.
Little darling, it's been a long cold lonely winter. - Ammy & Domi
Era óbvio que Dominick não estava com a cabeça na missão deles e aquilo a irritou de uma forma que não aconteceria se não existisse tanta coisa na sua cabeça. Ammy queria descansar, queria parar de sentir frio e fome e, a cima de tudo, queria voltar para casa. Achar a maçaneta significava o término da maioria de seus problemas. – Você pode prestar atenção no que estamos fazendo, por favor? – Pediu, inicialmente tentando manter a calma no tom de voz, não podia perder a pouca paciência que lhe restava. – Isso é importante, você sabe. – Deu ênfase na palavra importante. Ela não sabia que tipo de pessoa que Dominick era e não o viu em nenhuma outra reunião do grupo, esperava mesmo que existisse uma vontade de cooperar dentro do rapaz.
Mexia nos pequenos arbustos que encontrava pelo caminho e nos montinhos de neve que passavam pela dupla e desejava que o objeto estivesse ali os esperando, mas não estavam numa história de livros e a realidade era sempre mais dura. – Sim, eu sei que eu sou a ruiva aqui. O que minha cor de cabelo tem com tudo isso?! – Dava para sentir o tom estressado tomar conta de sua voz. Amelie odiava ficar nervosa ou irritada, ainda mais sabendo que o garoto não tinha nada com o que estava a incomodando. – Espero que não esteja com ela. Estamos ferrados se estiver.
Percebeu que teria que tomar as rédeas da situação e resolveu ser a pessoa que guiava o caminho, deixou que seus passos passassem os de Domi e, aos poucos, seu corpo foi tomando uma postura confiante. – Vem, a gente vai encontrar essa maçaneta. – Afirmou para elevar a confiança que puxou do seu interior.
"Eu toooo...", resmungou, chutando um monte de neve. E era pra prestar atenção no que? Eles só estavam olhando em volta para ver se tinha uma maçaneta jogada por aí. Porque é muito normal jogarem maçanetas por aí. A menina ainda se abaixa e enfiava o nariz no meio de vegetações e neve, enquanto Dominick assistia, apenas andando. Ficou imaginando o que aconteceria se algum daqueles arbustos fossem de urtiga. Ou algum outro tipo de planta venenosa coçante, uma que resistia a neve. Dai lembrou que tinha que prestar atenção.
"Ei, eu sei que é importante. Ninguém que voltar pra Terra mais que eu. Quem vai revolucionar a literatura se eu estiver preso aqui para sempre?" Ele falava mais para si do que pra ela. Tanto que chegou a sorrir quando acabou de falar. Levou mais ou menos três segundos pro sorriso se transformar num suspiro.
A verdade era que não tinha nada esperando por ele lá fora. Assim como não tinha nada que o prendesse ali dentro. Mas talvez tivesse para a menina e ele não estava ajudando em nada, sabia. Resolveu se animar um pouco. Por uma hora, depois podia ficar chato e depressivo outra vez, ora. Foi junto dela enquanto ela tentava se mostrar confiante, não ficando mais que um passo atrás. Tanto queria andar junto que talvez tenha esmagado os calcanhares de Amelie uma ou duas vezes enquanto andava, antes de finalmente ficar não atrás mas ao lado dela.
"Ficar procurando aleatoriamente não vai dar em nada, Amy" Ele podia dar apelidos pra ela? Tomara que sim, porque já tinha dado. "Tem um monte de porta por aí. Será que não é a maçaneta de alguma delas? Tomara que não, porque tem um monte mesmo. E testar todas ia ser uma eternidade. Mas eu realmente queria quebrar uma porta com um machado, algo tipo "The Shining", queria mesmo." Aquela cena sempre o assustou. Jack Nicholson era incrível.
Little darling, it's been a long cold lonely winter. - Ammy & Domi
O grupo acabou dividindo cada tarefa existente para reconstruir a porta, Ammy não se viu confortável em nenhuma outra que não fosse achar a maçaneta – chegou até a questionar se não poderia ir e arrancar uma qualquer e por na porta, mas iria se sentir péssima caso não funcionasse pela maldita peça. Resolveram, também, que não iriam muitas pessoas na procura pela maçaneta e, no final, apenas ela e Dominick ficaram no grupo que iria encontrar a peça certa. Sentiu um leve aperto no coração quando começaram a se afastar do grupo, eles sabiam o que precisavam achar, mas não tinham conhecimento de mais nada e aquilo tornava sua tarefa extremamente difícil – eles precisavam encontrar um objetivo relativamente pequeno que poderia estar escondido em qualquer lugar de Gael. Qualquer lugar. E a cidade parecia ir aumentando de tamanho cada vez que tal pensamento entrava em evidência na mente da ruiva.
Por onde eles começariam? Que caminho tomariam? Era certo de que precisavam, e logo, daquela peça tão importante para resolver o quebra cabeça que tinham em mãos e sair de Gael de uma vez por todas. Amelie não estava acostumada em lidar com muitas coisas ao mesmo tempo e, naquele instante, não era só Gael que perturbava sua cabeça, infelizmente. Wright não conseguia parar de pensar no que havia acontecido e, por mais egoísta que poderia parecer, desejava ter tempo para botar as coisas no lugar, para entender o que se passava e o que sentia.
Mordeu o lábio inferior por sentir o nervosismo preencher cada mínimo pedaço de sua mente e transbordar para as outras partes de seu corpo, misturando-se com o frio e a fome, seus velhos companheiros. Deixou os olhos correrem até a figura de seu companheiro. Não se lembrava de terem tido uma conversa antes, mas não achou seus traços estranhos, uma estranha sensação de já ter o visto em várias outras ocasiões apareceu e ela não tentou retrucar por saber que, provavelmente, estava certa. – Seu nome é Dominick, não é? – Deixou as palavras saírem em um tom alto o bastante para que ele pudesse ouvir, via a leve fumaça escapar de seus lábios como se estivesse tragando um cigarro, mas era só o frio. – Dominick, aonde acha que devemos procurar primeiro?
"É, deve ser" ele respondeu vagamente quando perguntado sobre alguma coisa. Nem sabia do que ela estava falando. Tomara que não soasse esquisito.
O rapaz andava distraído, irritadiço e até afastado da civilização. Ele não tinha mais folhas para rabiscar e o ronco da sua barriga era tão alto que não deixava ele conversar com ninguém. Nem mesmo dormir era legal. A cólica era ridícula e insoniante, e quando finalmente caia exausto, nada de sonhos. Sequer uma ceninha clichê, qualquer coisa como uma queda num buraco sem fim ou recitar um poema pelado na frente da classe- ou do grupo de sobrevivência, no caso.
Havia escolhido buscar a maçaneta poque parecia fácil e, enquanto provavelmente iria se divertir muito caso fosse outra a situação, agora Dominick não tinha nenhuma vontade de fazer qualquer coisa. A sua única motivação era saber que depois da porta provavelmente teria um MacDonald na esquina lhe esperando, independente de onde é que a porta desse.
"E eu sei lá? Você que é a ruiva aqui", ele murmurou, cruzando os braços. Eram as ruivas que costumavam ser inteligentes nas piadas? Esperava que fosse, porque se não sua frase teria saído duas vezes mais tosca do que já era. Deu de ombros, tombando a cabeça pra trás, pensativo. "Será que não tem um cofre por aí? Aposto que está em um lugar cabuloso. No pulmão de Cole ou alguma coisa assim"
Confusion that never stops, closing walls and ticking clocks. - Ammy, Nate, Dan, Elektra, Domi, Élis, Trent, Eileen, Anabelle, Alek, Mari, Mia, Jess.
Elektra não dormira. Literalmente não dormira. Sua ansiedade havia chegado ao máximo desde o dia da floresta, e naqueles dias que seguiram cheios de complicadas emoções, decisões e ações, ela não conseguira dormir. Treinava no próprio quarto. Treinava na academia recém-descoberta na escola. Treinava e treinava até os pulsos se recusarem à obedecê-la ou desmaiar de exaustão na cama do quarto ou até mesmo no chão da academia.
E, mesmo que alguns desses desmaios vinham e íam na maior tranquilidade, alguns davam de brinde à Elektra pesadelos. Ela nunca tivera tantos pesadelos em tão curto período de tempo. Exceto talvez quatro anos antes, quando teve seu primeiro ataque de pânico… Mas bom, isso não vinha ao caso. O problema era: Não conseguia e nem queria dormir. O corpo parecia querer desistir a qualquer minuto, mas a mente não o deixava descansar. Elektra dormia quatro horas por dia, acordando muitas vezes elétrica e querendo treinar mais.
Estava se forçando, ela sabia, mas ao mesmo tempo, sabia que se não se ocupasse com exercícios e sequências, iria acabar enlouquecendo, e o principal problema de Gael deixaria de ser a escassez de comida e o mistério da porta e passaria a ser ela. Ela passaria a ser o problema de Gael… Ela seria o perigo.
Então, ela não dormira. Estava mais uma vez no próprio quarto, socando o saco em forma de pera pendurado perto da cama. Estava ensopada de suor. Os olhos castanhos da mulher foram para o relógio de pulso pousado na cômoda e ela se xingou, baixinho. Iria perder a hora pra encontrar Amelie. A mulher então jogou as luvas e as roupas de qualquer jeito e cima da cama - coisa que raramente fazia - e se meteu no banheiro.
O que poderia ser, agora, para a amiga convocar outra reunião? Elektra mais do que tudo queria um ponto final. Não aguentava o não saber, a dúvida no ar, a brisa gélida do perigo assaltando-a e ao mesmo tempo confortando-a, sem que ela identificasse se estava em perigo ou não. Só queria que aquilo acabasse logo de uma vez pra ela remontar a própria vida. Definitivamente, Gael tinha sido uma das coisas mais difíceis que já lhe acontecera. E só queria colocar Dr. Greene e seus enigmas pra trás, mesmo que acabasse ficando na cidade, afinal.
Ainda com os cabelos molhados, ela saiu do banho fervente e colocou uma roupa qualquer. Jeans, jaqueta preta, botas de couro. O punhal no forro falso, a moeda da sorte no bolso da calça, a medalha estilizada no pescoço, Elektra saiu correndo e fez a caminhada contornando a floresta o máximo que podia. Aquele lugar tinha lhe passado uma sensação esquisita desde o dia que achara a porta, e algo em sua mente lhe dizia que havia algo estranho naquelas árvores. Talvez ela não realmente quisesse entrar na floresta. Mas tinha, não tinha?
Elektra entrou voando na floresta, tentando não prestar atenção nem nos sons nem nos galhos retorcidos das plantas. Queria apenas ver logo uma figura amiga, e se aliviou quando encontrou Nate, Ammy e Dan já no lugar marcado. O pulmão subia e descia pela corrida, mas ela nem se importava. Só quando parou quieta que percebeu que os nós dos dedos de ambas as mãos estavam vermelhos e cheios de calos. E, wow, como doíam.
“Hey” Arquejou,olhando pra cada um separadamente e depois para as próprias mãos.
Por toda Gael, as pessoas estavam ocupadas pensando sobre as dicas que tinham encontrado e o tanto que já haviam descoberto e deduzido sobre toda aquela cidade, e eram tomadas pelo nervosismo, e remoíam os fragmentos do diário de Helena em suas cabeças todo instante. Cada alma viva naquela cidadezinha tinha algo com que se ocupar, algo sobre o que se enervar e talvez até se distrair do mais puro tédio que aquela cidade seria sem um mistério.
Todos, menos o escocês idiota que de alguma maneira conseguiu se manter fora de tudo.
Era fato que todo mundo andava quieto, isolado, distante e pensativo ultimamente, mas Dominick poderia jurar que estava cada um apenas sonhando com seu BigMac e sendo feliz dentro de sua cabecinha, como era de se esperar que um pobre coitado fique numa situação daquelas. Mas não! Estavam sempre tramando algo. E Domi nem mesmo percebeu. Só começou a desconfiar de que havia mais coisa do que ele podia imaginar quando sua amiguinha ruiva o convocou pruma reunião no meio do nada: "Hey, Domi! Vamos sair de Gael? O povo tem se juntado secretamente por aí e acabamos descobrindo um jeito de fugir. Se junta ca gente dia desses, lá no bosque, você ia gostar de participar." (não exatamente com essas palavras.) .
Chutou uma pedrinha enquanto andava por aí.
Dominick tinha acordado junto com o sol. Fosse raiva ou ansiedade, ou curiosidade, ou tudo isso, certeza era que ele não conseguiria se manter dormindo por muito tempo. Tinha até sonhado! Sonhou que passava pela porta vermelha e então ela se autodestruía antes de qualquer outra pessoa sair dela. O Dominick do sonho ficou muito triste com o acontecimento e prestou luto por aproximadamente 35 minutos in-dream antes de se recompor e começar a escrever toda sua aventura em um caderninho azul. Poucas horas depois ele estava autografando capas de best-sellers pelo mundo todo; vestiu uma calça jeans e não se deu o trabalho de trocar a camiseta surrada que estava usando de pijama, e foi passear no bosque.
Cabelinho vermelho e seus amigos três porquinhos já estavam por lá. E Dominick achando que ia chegar cedo. "E ai?" cumprimentou mais ou menos seus colegas.
Stress Therapy || Dominick x Allison
Um caderno sem folhas, um estomago vazio, umas barrinhas de cereais que Dominick morria de medo de comer e acabar, nenhum amigo intimo com quem pudesse trocar socos, e a pior parte, 24 anos e nenhum livro publicado. O rapaz não estava exatamente na melhor fase da sua vida. Pelo menos ele ainda podia rabiscar os cantos em branco das folhas, reler seus textos e comentar detalhes que tinha esqueci- oh. A ponta do lápis acabava de quebrar. Ele não podia mais nem isso.
“Arrrg!”. Dominick rugiu, passando a mão pelos cabelos, empurrando a parede com os pés e equilibrando a cadeira nas pernas traseiras por uns quinze segundos, antes dela cair. Ele bateu contra o chão e rugiu como um cão raivoso de novo.
O tempo em Gael tinha simplesmente parado de passar. Não havia mais teorias a se fazer, ou pessoas para se observar, ou comida de graça para aproveitar, porque todo mundo, literalmente todo mundo, estavam enfurnados em seus quartos, escondidos até a cabeça em seus edredons e provavelmente morrendo, se não de tédio, então anêmicos, congelados ou devorados pelo parceiro de quarto. Dominick realmente esperava que alguém estivesse sendo devorado pelo parceiro de quarto naquele instante. Ter alguma coisa para temer naquela merda de imensidão branca que Gael se tornara seria interessante. As vezes até cogitava a ideia de devorar Alek, mas… não. Simplesmente não. Se encontrasse Allison por aí, talvez.
Levantou-se de sua cadeira com um pouco de dificuldade, porque suas costas estavam no chão, mas ele ainda estava “sentado” e pra fugir da posição teve meio que cambalhotar para trás. Caçou seu maço de cigarros na gaveta, pegou um deles dente as coisas, enfiou entre os lábios, apagado, e saiu do quarto. O escocês não fumava de verdade, mas de vez em quando saia por aí com um cigarro pendendo na boca, porque se alivio é psicológico, o coiso cumpria bem seu papel. O que iria fazer ou para onde estava indo era um mistério que nem Dominick sabia responder.
Deu uns passos por aí. Não havia nada, nadica de nada, nem ninguém naquele corredor. Sequer poeira! O que era engraçado, porque as empregadas também estavam lá morrendo. Isso tudo lembrava-o de seu primeiro dia, de como a cidade parecia abandonada em alguns horários. Quase uma cidade fantasma. Gael, a cidade fantasma. Se as coisas continuassem daquela maneira, seria isso mesmo que ela se tornaria. Ele estava prestes a procurar a cozinha e quebrar uns pratos como Elektra tinha lhe ensinado a fazer quando percebeu que existia sim alguma coisa naquele corredor.
Uma janela.
A paisagem lá de fora era realmente convidativa e inspiradora para um doido. Não havia alma-viva diante de seus olhos, nada senão um mar de neve e pontilhados brancos cobrindo todo o ar. Era o cenário perfeito para o qual se expressar. Dominick caminhou até ela, abriu o vidro e sentiu uma violenta lufada de vento frio chicotear suas bochechas. Encarou o exterior. Tirou o cigarro da boca, fingiu que o apagou no canto da madeira. Não havia mesmo ninguém por ali, certo? Olhou em volta, para se certificar, mas mesmo se tivesse, foda-se. Apoiou as mãos no parapeito da janela e inclinou-se para fora, tanto que neve caia em seu nariz, na ponta dos cílios e o vento gelado bagunçava os cabelos.
Dai fechou os olhos.
Respirou fundo.Contou.
Um… Guardou o máximo de ar que pode em seu pulmão. Dois…. continuou guardando… três. De uma só vez, soltou todo seu oxigênio, e junto dele a voz que não usava fazia algum tempo. E quem diria. Fazia muito bem berrar com toda sua força, sem algum motivo aparente. Ou com motivo até demais.
Believe Me I’m Lying || Dominick & Alek
O jeito de Dominick era excêntrico e particularmente divertido no conceito mal formado do russo. Alek puxou os lábios finos para um lado, dando-lhes a forma de um sorriso oblíquo enquanto bagunçava os cabelos cacheados e respirara o ar frio da madrugada. Era engraçado imaginar Dominick o observando e tentando de alguma forma adivinhar o que ele via em seus sonhos que o perturbavam tanto. “Vou acabar com a sua curiosidade então… Eu estava em uma floresta. Uma floresta assombrada…” Olhou o companheiro de quarto de soslaio ao se pronunciar para ter a certeza de que não perderia nenhum fiozinho de sua reação.
“Assombrada por fantasmas reais e é isso que me faz acorrrdar com o corrração querendo sair de meu peito todas as noites. Uma merda!” Finalizou em voz baixa como se falasse consigo mesmo. Os olhos azuis se perderam em uma dimensão paralela de lembranças, mas tão rápido quanto foram parar lá acabaram por retornar ao presente. “É infantil, eu sei.” Soltou com uma risada curta e baixa, quase ridícula, pois esta não poderia ser comparada as risadas habituais dele que pareciam o cantar de anjos. Afinal, não havia nada de engraçado em ter que admitir que tinha medo de fantasmas para um desconhecido. Na realidade, Alek não tinha a menor idéio do porque de ter falado tais coisas para Dominick. Por fim, fitou o rapaz com mais atenção quando este se pôs a falar do caderninho. “Eu sei que é uma cardeneta, não sou um idiota!” Bufou cruzando os braços sobre o peito musculoso.
“Hum, então o meu colega de quarto é um escrito? Sim, eu gostaria de dar uma olhada.” Anunciou erguendo as sobrancelhas bem desenhadas para o rapaz. Não passou se quer por um segundo na cabeça de Alek subestimar a escrita de Dominick, pois ele sabia que o púbere era bastante diferente e que era quase impossível adivinhar o que se passava em sua mente. Aleksandr jogou os cobertores pesados com os quais usava para se cobrir em um lado da cama e se postou sentado, com os pés descalços tocando o chão frio do recinto, de frente para Dominick. “ E então?”
E ele nem precisara pedir diretamente para que Alek começasse seu 'senta que lá vem história'! O escocês sorriu e apoiou-se nos braços.
Assombrações. "Tipo aquela da Bruxa de Blair?" Ele ergueu um pouco uma das sobrancelhas. Alek falava de memórias ou de fantasmas? Dos dois, talvez? Dominick adorava sonhos recorrentes. Se alguém se obriga a repetir uma cena de novo e de novo no seu tempo de descanso, então esses sonhos deviam falar muito da pessoa. E ele gostava de conhecer os outros. Alguns podiam o chamar de intrometido por causa disso, mas ele era apenas curioso. Quer dizer, escritor. Escritores precisam de inspirações, e é ainda melhor se forem da vida real. Mais melhor ainda se a fonte de inspiração vier com um sotaque engraçado.
Deu de ombros algumas vezes. Uma quando ele comentou que estava sendo infantil. "Ó, se te anima, tenho medo de animais grandes" (os passeios para o zoológico sempre estavam entre suas piores memórias. Toda vez o obrigavam a passar na frente da jaula do elefante. Toda vez.). Duas, quando ele afirmou que não era idiota. Três, quando Alek o caracterizou como um escritor. Tinha pensado em responder com "é, algo assim". Mas não poderia perder a oportunidade de se auto-promover.
"Não só um escritor, como um dos melhores.", se gabou, erguendo o queixo. "Modéstia a parte. Mas é verdade" Domi apontou para a escrivaninha, respondendo com um gesto de "vá lá pegar".