eu, e você e porque tentou me matar?
quando eu te toco novamente é como não reconhecer coisas familiares: é frio
nada foi o mesmo depois que você tentou me matar
sei que há um consenso implícito de que não falemos sobre isso, mas minha dor é um tanto quanto perceptível
ainda mais agora, temperada de repulsa
naturalmente, nada mais foi como antes depois que você tentou me matar.
e porque?
você foi fino e ágil, sim. habilidoso e frio na medida para me enganar
mas porque, antes de tudo, você tentou?
eu sei que não lhe digo isso mas você lê
porque nem mesmo a comunicação é mesma depois que você tentou me quebrar. então, sei que entende. sei que reconhece. nega, mas está lá.
me pergunto porque nos entreolhamos
porque giramos em círculos e batemos a testa contra o outro
se você já não quer mais me matar, e eu nem faço questão de morrer por você.
então porque ainda me incomoda pensar que talvez você devaneie que me beija, e no mesmo sonhar
talvez me apunhale pelas costas?
talvez seja, porque eu senti prazer, e por isso não foi o que deveria ser
quando você tentou me matar:
eu agradeci.













