Fodeu contigo, também, Max, meu irmão. Você está ridiculamente apaixonado, meu chapa, é.
Eu adorei essa parte.
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Fodeu contigo, também, Max, meu irmão. Você está ridiculamente apaixonado, meu chapa, é.
Eu adorei essa parte.
MAXUNE
As últimas duas semanas seguidas na lucidez. Faria sentido dizer que estava ficando louco? Nos primeiros dias ainda estava bem, a realidade era suportável, mas agora... As mão tremiam freneticamente, parecia ainda pior quando sabia que estava fazendo aquilo consigo próprio, não era como se enfermeiras o obrigassem ou como se tivesse uma loirinha ou seu irmão para cobrar. Escrever era impossível. Bem, não impossível. Mas pelo menos o lítio em Max deixava-o entorpecido de forma extrema. Esses medicamentos só trouxeram mais pessoas para perto de sua loucura da última vez, e é por isso que não saía de casa há ao completar uma semana.
Suspirou, levantando-se do sofá deixando o livro de lado já que suas linhas pulavam irritantemente. Foi até seu quarto olhando pela janela a tarde que ainda estava em seu começo, o céu puramente azul, o céu de fantasia era belo até em dias de chuva. Os pseudo-humanos andavam nas ruas como sempre. Foi até o canto e pegou sua prezada guitarra que agora encaixava-se ao lado de um piano horizontal que trouxera na visita ao galpão de pianos. Sentou-se na cama e então começou a dedilhar o instrumento, ou não. De dez notas saíram sete as erradas e isso era algo que nada podia menos fazer do que deixar Max irritado. Tentou de novo mas sabia. Era por esse um dos motivos dos quais preferia a depressão que à lucidez. Não podia mais tocar.
Levantou-se, a ira percorria suas veia e soltou um grunhido alto em sincronia com um soco na parede. Arfando olhou para os medicamentos em cima da mesa e, antes que pudesse os atirar contra aquele céu perfeito da ilha de outro mundo a campainha tocou. Compassou - pelo menos - sua respiração e atravessou a casa.
Ao abrir a porta o que encontrara fora algo muito melhor do que esperava. Uma asiática loira de olhos azuis, redondos e levemente puxados sob uma fina camada de cabelos espessos e dourados.
-- Kitty? -- Indagou o óbvio, esquecendo-se até mesmo de que ainda usava os óculos de leitura no rosto.
I feel sorry. Yes... feel.
Suspirou, jogando toda a fumaça de seu fumo para o céu. A noite já caía e a primeira estrela já podia ser vista no céu de Fantasia. As estrelas eram as mesmas da Terra? Na Terra a primeira estrela era um planeta, e todas as outras formavam infinitas constelações. O céu de Fantasia parecia conter um brilho ilusório, como se o céu não passasse das órbitas de uma menininha que tinha estrelas nos olhos. Será que quando pequeno Max chegara a ter estrelas nos olhos como todas outras crianças?
Em cima do telhado de sua casa Max corria os olhos pelos brilhos celestiais. Nada nunca pareceu muito importante para ele, desde pequeno. Achava os seres-humanos muito singulares para se importar com seu vão cotidiano enquanto acima de sua cabeça pairavam mais de mil estrelas. Tinham questões mais importantes a se discutir que a taxa percentual aumentada aos impostos, talvez por isso nunca conseguisse se apegar a algo definitivamente. Quem diria que estava singularmente pensando em Kitty?
Metade de si dizia que estava errado, a outra metade dizia que assim era melhor. Tudo bem. Já se acostumara a viver com um paradoxo interno, mas dessa vez não era se como pudesse abatê-lo com remédios, havia algo a mais. Algo terrivelmente incompreensível, confundível, indecifrável. Algo insano o bastante para fazê-lo pegar a sua moto -- roubada -- e ir até um prédio bege nos limites de City of Joy.
Quando o elevador abria lentamente e deixava sua música que encaixou-se como a trilha sonora de uma batalha lenta e atordoante com um quadrilhão de mini-pessoas batendo os pés em sua cabeça para trás, deu por si abandonando sua armadura de orgulho e toda a sanidade a dois passos de uma porta branca com números prateados na altura dos olhos. O que estava fazendo? Era como se algo o magnetizasse até ali, estava ficando louco, ah, se não estava. Não podia fazer isso. Havia feito a coisa certa dessa vez. Ou talvez não houvesse? Deu as costas para a porta e voltou ao pequeno espaço perto do elevador, que loucura. O elevador demorava enquanto os números piscavam acima de suas portas. Max olhou de relance por cima de ombro a porta da loira, e de repente se viu obrigado a fazer o que sentia que... Sentia? Sentia. De verdade dessa vez. Sentiu o coração se precipitar por coisa nenhuma. Aproximou-se e levantou o indicador até a campainha.
"dong"
E agora tudo dentro de si parecia querer se dissolver em água, de sua forma ininteligível o sentir aflorava-se dentro de si, de uma forma reconfortante e assustadora. Como uma coisa pode ser reconfortante e assustadora ao mesmo tempo? Havia gerado tantas duvidas nos últimos tempos que poderia até morrer. Mas todas as suas questões foram interrompidas ao ouvir o ressolhar da voz feminina do outro lado das paredes.