Mais uma madrugada chegara e lá estava eu acordado conversando algumas bobagens em um grupo de amigos no WhatsApp. Conversa vai, conversa vem, um dos meninos manda um link de uma live de tarot no Instagram. Logo migramos para, e fizemos algumas perguntas para o rapaz, as nossas perguntas foram todas, basicamente, sobre carreira de trabalho e universidade. Todos tivemos boas notícias que adivinham das cartas, logo a live começa a esvaziar-se e o tarólogo pede mais perguntas, nisso eu pergunto sobre você, as cartas foram muito precisas ao dizerem que você me faria muito feliz e para que eu não desistisse. Segui o garoto no insta e fui dormir pensativo sobre o que ele dissera.
Passados alguns dias, na boquinha da noite – como minha mãe costuma dizer –, percebo que está rolando outra live de tarot. Adentro. Observo um pouco, envio para alguns amigos, mas sem sucesso pois nenhum visualizou a tempo. Envio minha pergunta pedindo às cartas um conselho para o mês que irá se iniciar. Dessa vez as cartas tomaram o rumo da mensagem e enviaram-me outra vez um recardo de amor: você precisa se declarar, existem muitos sentimentos presos em você. Me pareceu que as cartas sabiam que eu pensara, naqueles últimos dias, por diversas vezes em desistir de você. Aquilo me pegou novamente, me pus a pensar até adormecer, na manhã seguinte o meu primeiro ato é te mandar um bom dia e talvez buscar alguma conversa, coisa que já não existia há alguns dias.
Sempre tive muito medo de saber o meu futuro por outras pessoas, jogos e adivinhações, até perceber que o futuro nada mais é que o presente refletido no amanhã. Há tempos venho me libertando de minhas amarras e encarando meus traumas, tenho isso como um ato de liberdade e autoconhecimento. Mesmo com a “certeza” das cartas a insegurança e o medo que ainda pairavam sobre os meus pensamentos. Tento buscar uma forma de dizer-te o que sinto, mas na minha cabeça isto estava mais que nítido para você.
Em meios as minhas ânsias um livro que eu havia comprado pela internet – que explica, através, da filosofia e mitos o por que amamos, chegou. Me debruço em sua leitura e um trecho me chama atenção, o autor diz que para uma antiga civilização africana o amor é como se fosse uma escalada até o topo de uma montanha, onde o topo seria o ápice daquele sentimento, no qual ele definiu de paixão, e a trilha seria o amor, onde ele chama de intimidade. Naquele momento muita coisa fez sentindo para mim, eu pensei em chamar-te para que juntos trilharmos esse caminho até o topo da montanha, sem nenhum compromisso, só se conhecendo e por meio da escalada criando intimidade até o topo. Contudo, desisti. Percebi que nós já estávamos fazendo esse percurso, mas que não estávamos em plena sintonia, as suas barreiras eram diferentes da minhas, e até aí tudo bem, só que me dei conta que muitas das vezes eu caminhara sozinho, no silêncio das madrugadas, buscando lenha e mantimentos para deixar o caminho para você confortável, e isso me desgastara, às vezes, sem forças alguma, com sede e fome por viver das migalhas que você deixara enquanto percorria o seu caminho.
Eu não o culpo por isso, talvez essa seja a sua forma de caminhar. Não culpo o tarot por ser tão positivo e achar que o futuro reservaria algo bom para mim. Todavia, também não me sinto culpado, sempre haverá uma nova escalada e apesar da distância entre nós, na nossa caminhada, ainda tenho a esperança de poder me encontrar novamente com você, e cada um, a sua maneira, caminhar até o topo dessa montanha. Por hora sinto-me exaurido, mas nada como um dia após o outro e um momento de descanso para que as energias sejam renovadas.
Ezequias Castro, 03/04/21













