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Beyoncé photographed by Damien Meyer at Emporio Armani shows during the Men Automn/Winter 2008 collections of the Milan ready-to-wear fashion (January 2008).
domingo
é a monotonia sentimental.
é quando a saudade de quem partiu, se faz mais presente.
é quando o vazio no peito, grita.
Sou aquela pessoa que acredita no amor, mas que nunca vai ter um.
Mais uma madrugada chegara e lá estava eu acordado conversando algumas bobagens em um grupo de amigos no WhatsApp. Conversa vai, conversa vem, um dos meninos manda um link de uma live de tarot no Instagram. Logo migramos para, e fizemos algumas perguntas para o rapaz, as nossas perguntas foram todas, basicamente, sobre carreira de trabalho e universidade. Todos tivemos boas notícias que adivinham das cartas, logo a live começa a esvaziar-se e o tarólogo pede mais perguntas, nisso eu pergunto sobre você, as cartas foram muito precisas ao dizerem que você me faria muito feliz e para que eu não desistisse. Segui o garoto no insta e fui dormir pensativo sobre o que ele dissera.
Passados alguns dias, na boquinha da noite – como minha mãe costuma dizer –, percebo que está rolando outra live de tarot. Adentro. Observo um pouco, envio para alguns amigos, mas sem sucesso pois nenhum visualizou a tempo. Envio minha pergunta pedindo às cartas um conselho para o mês que irá se iniciar. Dessa vez as cartas tomaram o rumo da mensagem e enviaram-me outra vez um recardo de amor: você precisa se declarar, existem muitos sentimentos presos em você. Me pareceu que as cartas sabiam que eu pensara, naqueles últimos dias, por diversas vezes em desistir de você. Aquilo me pegou novamente, me pus a pensar até adormecer, na manhã seguinte o meu primeiro ato é te mandar um bom dia e talvez buscar alguma conversa, coisa que já não existia há alguns dias.
Sempre tive muito medo de saber o meu futuro por outras pessoas, jogos e adivinhações, até perceber que o futuro nada mais é que o presente refletido no amanhã. Há tempos venho me libertando de minhas amarras e encarando meus traumas, tenho isso como um ato de liberdade e autoconhecimento. Mesmo com a “certeza” das cartas a insegurança e o medo que ainda pairavam sobre os meus pensamentos. Tento buscar uma forma de dizer-te o que sinto, mas na minha cabeça isto estava mais que nítido para você.
Em meios as minhas ânsias um livro que eu havia comprado pela internet – que explica, através, da filosofia e mitos o por que amamos, chegou. Me debruço em sua leitura e um trecho me chama atenção, o autor diz que para uma antiga civilização africana o amor é como se fosse uma escalada até o topo de uma montanha, onde o topo seria o ápice daquele sentimento, no qual ele definiu de paixão, e a trilha seria o amor, onde ele chama de intimidade. Naquele momento muita coisa fez sentindo para mim, eu pensei em chamar-te para que juntos trilharmos esse caminho até o topo da montanha, sem nenhum compromisso, só se conhecendo e por meio da escalada criando intimidade até o topo. Contudo, desisti. Percebi que nós já estávamos fazendo esse percurso, mas que não estávamos em plena sintonia, as suas barreiras eram diferentes da minhas, e até aí tudo bem, só que me dei conta que muitas das vezes eu caminhara sozinho, no silêncio das madrugadas, buscando lenha e mantimentos para deixar o caminho para você confortável, e isso me desgastara, às vezes, sem forças alguma, com sede e fome por viver das migalhas que você deixara enquanto percorria o seu caminho.
Eu não o culpo por isso, talvez essa seja a sua forma de caminhar. Não culpo o tarot por ser tão positivo e achar que o futuro reservaria algo bom para mim. Todavia, também não me sinto culpado, sempre haverá uma nova escalada e apesar da distância entre nós, na nossa caminhada, ainda tenho a esperança de poder me encontrar novamente com você, e cada um, a sua maneira, caminhar até o topo dessa montanha. Por hora sinto-me exaurido, mas nada como um dia após o outro e um momento de descanso para que as energias sejam renovadas.
Ezequias Castro, 03/04/21
As madrugadas geralmente são de muita reflexão para mim, fazem alguns dias que eu só adormeço com o nascer do sol. Geralmente ouço a mesma playlist, com as minhas musica preferidas do momento, escrevo algumas baboseiras no twitter e me ponho a pensar na vida e na forma como as coisas vão se encaminhando, se ajeitando, engatilhando. O amor tem sido um tópico constante.
Eu não me considero um bom amante, na maioria das vezes a história apenas se repete, como um ciclo continuo, que eu não consigo por fim. Mesmo assim, ainda me causa muita estranheza sentir-me insuficiente para ser amado.
Eu sempre tive muita curiosidade em saber sobre o amor. Em algumas de minhas leituras foi sugerido que amar é ao mesmo tempo uma intenção e uma ação, no sentido de que, o amor nos possibilita o nosso próprio crescimento ou o crescimento de uma outra pessoa. Isso me fez questionar sobre a incapacidade de homens pretos gays, como eu, em dar e receber tal sentimento. As vezes que me abrir para o amor fui tapeado com a falta dele, sustentado por algumas migalhas de afeto e minha alma fanfiqueira, com ascendente em peixes, acreditando que “veio aí”.
As muitas lacunas e tropeços em minha jornada já fizeram-me acreditar que eu jamais seria merecedor de tão grande sentimento. Lembro de assisti o Lemonade Film da Beyonce e cair aos prantos na primeira vez que a ouvi recitando o trecho de um poema que dizia: “eu peço a ele para me olhar nos olhos quando eu chegar em casa. Por que você se nega ao paraíso? Por que você se acha menos merecedor? Por que você tem medo do amor? Você não acha possível para alguém como você, mas você é o amor da minha vida.
São diversos os caminhos que o amor pode levar, a caminhada é longa e espero poder aproveitar percurso, para quando chegar lá não me reste mais tantas duvidas e inquietações. Sei que o amor há de chegar e que venha leve, tranquilo e me transborde.
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“Já quis escrever para fazer com que quem lesse sentisse o que eu estava sentindo. E já escrevi para parar de sentir. Já escrevi com a intenção de que alguém, um dia e por um acaso, lesse e soubesse de mim. Também já escrevi porque não queria que ninguém soubesse o quanto eu sou pequeno. E já quis ser grande o suficiente para nunca mais escrever sobre coisas tristes de novo. Nem sempre é bonito. Nem sempre tem um significado para quem vai ler. É intimo e diz tanto sobre mim. Às vezes, escrevendo me sinto indefeso e nu, outras vezes, me sinto abraçado.”
— Diego Castro.
Visito minhas memórias e lembro de 2002. Era ano de copa do mundo e todos se preparavam para esse evento. O asfalto começava a ganhar as cores da bandeira, assim como no alto bandeirinhas enfeitavam toda a extensão da rua. Eu tinha apenas 7 anos e minha cabeça de capricorniano ja se mostrava preocupada com o futuro. Comecei a fazer as contas e me dei conta que em 2010, se passando duas copas do mundo, eu ja estaria no ensino médio e imaginava com temor como seria.
Eu sempre tive muito medo do futuro. O desconhecido, o incerto e o inconstante me assombravam. As pessoas sempre sorriram muito de mim por conta da minha aparência e jeito afeminado, eu ja estava acostumado pois as principais críticas eram dentro de casa, logo, consegui me blindar disso tudo e seguir. Contudo era desesperador saber que em 2010 eu estaria no ensino médio, em um ambiente totalmente novo e desconhecido.
Mesmo criança eu ja me perguntava se minha aparência iria incomodar. Eu sou deficiente físico mas, isso sempre passou desapercibido por todos, eu sempre soube disfarçar bem. Porem havia um outro problema que nao dava pra disfarçar: o meu nariz.
Duas copas se passaram, 2010 finamente chegara e, pelo contrário do que eu imaginei, o ensino médio não foi tão ruim assim. As minhas cascas estavam cada vez mais grossas e eu me sentia imune a tudo isso. Consequentemente minhas preocupações começaram a ser outras - a puberdade chegou - as interações socias e flertes com o desconhecido eram cada vez mais intensos e frequentes. Lembro-me de passar toda a minha adolescência e época de colégio sem receber um único elogio relacionado a minha aparência e tava eu achava ok, ate porque era difícil, até pra mim, achar alguém com os traços como os meus bonito.
Recordo-me o quão difícil era ver o meu reflexo no espelho e ate mesmo tirar fotografias. Ainda guardo algumas fotos com edições toscas tentando diminuir as narinas na época do orkut... Alguns anos se passam e influenciados pelo rap nacional, que me foi apresentado por minha melhor amiga na escola, começo a flertar com a "militância digital" e o movimento negro. Os debates eram intensos, as leituras sobre racismo, colorismo e negritude viraram rotina. Mas por incrível que pareça não achei refúgio na geração tombamento. Portar os melhores looks inspirados em rappers americanos não eram o suficiente, ainda não me sentia a parte daquele grupo e tudo por conta dos meu traços tão "grosseiros". Sendo assim, o meu maior sonho era uma rinoplastia - parte do tempo eu lia sobre empoderamento negro e outra metade procurava por clínicas e preços para a tão sonhada cirurgia no nariz - ate que um dia, em uma roda de amigos eu fui duramente chamado de racista por sonhar com o "nariz perfeito". Aquele dia foi terrível, lembro-me de chegar em casa e derramar lágrimas e despejar as minhas lamurias no twitter sobre esse movimento e dizer que essas pessoas não me representavam.
O mais curioso nisso tudo é que, mesmo machucado, eu queria muito entender o porquê de tal acusação. As pesquisas para a tão sonhada cirurgia cessaram e deram lugar as leituras, youtubers negros e conversas com amigos sobre racimo. Não demorei muito para entender o motivo das acusações e entendi que eu nao era racista, eu me odiava por conta do racismo. Essa época coincidiu com o lançamento de uma das canções mais marcantes para mim: Formation da Beyoncé!
Era 6 de fevereiro de 2016, sabado de carnaval. Lembro-me de está no ônibus voltando para casa de um amigo onde, juntamente com meu grupo de amigos, iriamos passar o carnaval e recebi a seguinte mensagem no WhatsApp: "zequi a beyonce acabou de lançar música nova" e o link do vídeoclipe anexado a mensagem. Dei play no video e foi ai que o jogo virou. Meus olhos marejaram-se em lágrimas ao ouvir a Beyoncé cantar os versos "I like my baby heir with baby hair and afros I like my negro nose with Jackson Five nostrils" e apesar de entender pouco a língua estrangeira eu logo captei sua mensagem. Me veio o Jay-z na memória e em como os nossos traços se pareciam e posteriormente que, apesar disso tudo, a Beyoncé sempre exaltou e demonstrou o amar tanto.
Passei alguns anos com a ideia de que, um dia eu iria encontrar a minha Beyoncé, alguém que pudesse amar a mim e os meus traços de preto. Confesso que me agarrei demais a isso e nem percebi que, antes de tudo, eu precisava ser a minha própria Beyoncé.
Ainda possuo muitas amarras, a casca ta mais fina e até gosto de me olhar no espelho e tirar fotografias. Acho que a beleza e subjetiva, tem dias que eu me acho o homem mais lindo do mundo, outros nem tanto. Ainda estou descobrindo como me amar, como amar o meu nariz e como ser a minha própria Beyoncé.