Teve dias em que me encontrei cercada de espinhos, eles furavam minha pele como palavras não ditas, como o clamor das manhãs que rogam minha condenação. e por mais que eu tentasse, o vislumbre da bondade e compaixão que se encontrava do outro lado do canteiro, apenas aumentava a dor. almejei que os cortes se aprofundasse e acabassem de uma vez com a minha angustia.
Teve dias em que estendi meu corpo no chão, não o queria mais, um receptáculo de lamentos, de medos e idiotices que me impediam de voar, um peso morto, algo incompatível com a grandeza de tempestades que me atingiam, eu precisava de um novo abrigo, precisava mata-lo.
Teve dias que a cada passo uma cratera se abria, a cada palavra espelida pela minha boca minha alma definhava, e a lamuria que vos cerca tem origem em meu ser.
Teve noites onde nunca imaginei tamanho desespero, teve semanas em que a anestesia me fortificou, mas teve horas em que o efeito passou.
E de horas em dias e em semanas eu fui caminhando, correndo contra o vento e sentindo como se o sei la e o talvez se juntasse ao nada, ao incompreendível, e ao inimaginável com leves pitadas de solidão, se tornaram a receita perfeita para o meu coração.