Eu nunca gostei de romances e de contos de fadas, sempre achava tão clichê os finais onde todos se acertavam e viviam felizes para sempre, acho que talvez porque eu nunca realmente tenha acreditado no amor. Essa coisa de "eu te amo" nunca foi bem vinda pra mim, nunca fui capaz de falar essa frase para ninguém, por mais simples que fosse. Talvez eu tivesse um problema em relação aos meus sentimentos, ou talvez fosse só medo. Mas medo de quê? Eu nunca havia me envolvido, nunca havia tido uma "paixão" se quer, eu era apenas uma criança e ainda sim tinha repressão ao tal do amor. Sempre que me perguntavam se eu queria crescer para ter um namorado, ao contrário de todas as minhas amiguinhas de escola eu dizia que não. Pode se dizer que eu nunca fui uma garota normal, nem quando criança, nunca me imaginei em contos de fadas, e sempre fugi de clichês, do mesmo modo que sempre fugi do amor. Com 13 anos conheci um garoto, Lucas era seu nome, foi com ele o meu primeiro beijo. Depois de uma semana que ele havia me beijado eu não conseguia mais olhar para a cara dele, se o visse na rua eu desviava de caminho ou fingia que não estava vendo ele. E esse foi o começo da minha adolescência, fugir de garotos. Chegava até a ficar com alguns, mas no outro dia eu fazia questão de não olhar na cara de nenhum. Com 18 anos, acabei tendo meu primeiro namorado, ele era 2 anos mais velho e fazia faculdade de direito. Ele se chamava Ian, todas as garotas da cidade piravam nele, e eu como sempre era a estranha sem sentimentos. Estava com ele só por estar, não me importava se havia amor ou não, era só um jeito de parecer "normal". Com 19 anos eu já não estava mais com Ian e estava de mudanças para a cidade grande, mas ainda continuava a mesma e o amor pra mim era algo que só servia nos livros e nos filmes. 20 anos, meu segundo ano na faculdade de jornalismo, pode se dizer que foi ai que tudo mudou. Lembro-me até hoje, era uma tarde de inverno e eu estava sentada na lanchonete da faculdade quando um garoto pálido de cabelos castanhos se esbarrou em mim derramando café na minha roupa, ele tentou se desculpar de todos os jeitos possíveis e eu dei um grito mandando-o se afastar. Mas ele não me ouviu e durante semanas "o garoto do café" me atormentou até que eu aceitasse sair com ele para ele se tentar refazer minha impressão sobre ele, mal sabia ele que minha única impressão sobre ele era que ele era um garoto atrapalhado e desajeito, nada mais. Então nós tivemos um encontro, um almoço na lanchonete da faculdade, ele me contou que fazia publicidade mas seu grande sonho mesmo era ser músico, e eu contei a ele sobre meu desejo por escrever. Passamos a tarde toda conversando e rindo, ele se chamava Phelipe, mas preferia ser chamado de Phill, tinha 22 anos e estava no ultimo ano da faculdade, dividia apartamento com um amigo de infância e além de tocar violão, guitarra e baixo ele gostava de compor musicas. Depois desse encontro teve mais um, demais mais um, e quando percebi já haviam acontecidos vários encontros. Quando eu percebi eu já não era mais a mesma garota do interior que tinha pavor do amor, quando eu percebi eu estava amando. Foi ai que eu percebi, eu nunca tive medo do amor, eu só não entendia como ele realmente funcionava e tudo que eu precisava era de alguém que me fizesse entender. E todo aquele clichês dos filmes e dos livros de uma certa forma começaram a fazer sentido.