Fui violada, meu templo mais sagrado foi destroçado, e tudo que posso fazer é chorar intensamente ao som dessa música:"Uma vez, tomei seu remédio para saber como é, e agora tenho que agir como se não conseguisse ler sua mente, eu pergunto como você está e deixo você mentir, mas não temos que falar sobre isso, vou fingir que estar com você não parece estar se afogando, dizendo que é bom ver o quanto você está bem, mesmo que saibamos que isso não é verdade".
A morte em vida já está presente, mas preciso continuar. Para quê? Eu ainda não sei. Talvez com o tempo eu descubra ou me enterre a 7 palmos abaixo de tudo, e enfim, encontre a resposta em meio ao silêncio eterno que literalmente me enterre. Sempre achei que a vida apenas me reservava isso, carícias íntimas, olhares maliciosos, toques indesejados, a dureza do homem adulto em minhas pequenas mãozinhas, eu era só uma criança. Nunca entendi, mas porque acontecia? Porque naquelas noites de festas, a casa cheia de bebida, aquele cheiro insuportável de cigarro e cinzas, porque tudo parecia ser permitido? Porque um estranho qualquer poderia me puxar para seu colo, me apertar, beijar e meu tutor dizer: "É só brincadeira dele filha", e o mesmo comigo em seu colo dizer: "você é uma pretinha linda, amo beijar seu pescoço". São lembranças, falas, gestos que me fazem querer vomitar minha alma para fora de mim mesma. Sentir meu corpo em decomposição sendo comido por vermes naturalmente, porque é da natureza da morte que isso ocorra, sim, isso seria bem mais suportável e aceitável para mim. Queria que toda solidão que sinto fosse apenas uma fase, um tempo de reflexão e cura, mas constatei a tempos em vida, que talvez ela não exista, não completamente. São apenas frações e nada mais que isso. Talvez seja isso que ainda me resta fazer, orar por algumas frações de cura, derrotas e curas. Um interminável ciclo de dor e cura, mas tristemente, sempre mais dor...