Só ares.
Quando a madrugada chega e aqui você não está, nem a garoa, aquela brisa boa ou a brilhante lua a lumiar, eu começo a pensar, pensar e pensar … Suplico por reticência, uma pausa, um sossego, mas parece que essas coisinhas ruins não tem noção alguma de clemência. Me levam a achar que eu tenho algum tipo de demência pois vultos começam pelo meu olhar passear, vozes começam ao pé de meu ouvido sussurrar e lá, na semi-escuridão de meu quarto não tem ninguém quem eu possa enxergar. O Jô na televisão é o único que tem a simpatia e a piedade de um beijo me mandar e aí eu vejo que tudo que eu desejo está a muitos planos de distância e por dentro choro “eu só queria dormir” praticamente imploro, usando meu travesseiro como um colo, tiro sarro de minha situação, sem tomar nenhuma ação pra que aquilo tudo mude. Vai ver eu mereça, pois não me chega nenhum sentimento de surpresa, eu sabia que com a idade, as dores nas costas seriam os menores de meus problemas. Eu só queria um tempo, mas esse gosta de jogar um jogo que não sou muito familiarizado, eu só queria 33 minutos de paz, pra conseguir reconstruir meu cais que ultimamente anda tão abandonado. Afinal, nada vai mudar em vão pra esse menino cheio de ilusão, então vai, gira aí, gira mundo cão.










