As vezes sinto como se não soubesse meus próprios limites,
como se a tênue linha que separa tudo fosse apenas uma ideia,
não é concreta, tampouco clara, e muito menos visível,
me sinto acorrentado nos sonhos que vivo criando,
que vivo imaginando como seria,
desde a casa com três quartos na Mooca,
a remota possibilidade de um dia eu montar um motor.
E dói, cada expressão mínima de afeto me afeta de jeito insano.
Constrói, meu forte armado que se desmancha na primeira brisa,
Realiza, a catarse ilusória que és além do teu ser,
que és além de teu viver, que teu destino simples e fútil não te faz sofrer.
Que ja não desejou simplesmente morrer,
deixar de ser e viver tudo aquilo que te disseram pra ser,
que nada te importa o alheio sofrer,
desde que teu conforto medíocre não te faça mover.
És um nada, um peso quebrado no meio da estrada,
que faz do desperdício do tempo a tua morada,
que vais destruir toda e qualquer armada,
antes que seja feliz como manda a cantada.