Meninos de rua, travessos, sonhadores, bichinhos desequilibrados que doam sua coragem ao troco da aventura. Pedro Bala, Professor, Dora, Gato, Sem Pernas, Querido de Deus, Boa Vida, entre tantos. Eles fizeram parte de uma das primeiras leituras que tive na vida, uma das primeiras interpretações de vidas fora da minha, um dos primeiros contatos com o próximo sem estar próximo, Jorge Amado fez, e fez muito bem, ele criou um dos primeiros passos para o olhar social ao meu entorno, para a cultura, para os questionamentos sobre o que nos faz humanos, ele me puxou para dentro de histórias que não eram minhas, me fez caber em um mundo distinto e confuso. Hoje, Capitães da Areia volta a minha memória, em imagens que a minha imaginação já havia criado, me sinto como estrela no céu, como se o Professor estivesse na beira da praia me dizendo que as estrelas são os que deixaram de ser por aqui, quantas vezes, ao olhar para cima imaginei incontáveis pessoas, quantas vezes ao olhar para o horizonte me deparei com diversos capitães da areia, quantas vezes e quantas mesmas terei a oportunidade de presenciar essas experiências? Jorge e Cecília, vocês são muito amados.














