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Morte Absoluta,
Manuel Bandeira
ᵛᶦ́ᵈᵉᵒˢ ᵃⁿⁿᵃ ˢʰᵛᵉᵗˢ/ᵐᶦᵍᵘᵉˡ ᵃ́. ᵖᵃᵈʳᶦⁿ̃ᵃ́ⁿ
° ᵛᵒᶻ ʳᵒᵈⁿᵉʸ ᵖᵉʳᵉᶦʳᵃ
Morrer. Morrer de corpo e de alma. Completamente. Morrer sem deixar o triste despojo da carne, A exangue máscara de cera, Cercada de flores, Que apodrecerão - felizes! - num dia, Banhada de lágrimas Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte. Morrer sem deixar porventura uma alma errante... A caminho do céu? Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu? Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra, A lembrança de uma sombra Em nenhum coração, em nenhum pensamento, Em nenhuma epiderme. Morrer tão completamente Que um dia ao lerem o teu nome num papel Perguntem: "Quem foi?..." Morrer mais completamente ainda, - Sem deixar sequer esse nome.
Manuel Bandeira
BANDEIRA, M. Lira dos Cinquent'anos, 1940.
Morte Absoluta – Manoel Bandeira
Morte Absoluta – Manoel Bandeira, Vídeo "Morrer. Morrer de corpo e de alma. Completamente. Morrer sem deixar o triste despojo da carne, A exangue máscara de cera, Cercada de flores, Que apodrecerão – felizes!..."
A Morte Absoluta
Morrer. Morrer de corpo e de alma. Completamente.
Morrer sem deixar o triste despojo da carne, A exangue máscara de cera, Cercada de flores, Que apodrecerão – felizes! – num dia, Banhada de lágrimas Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.
Morrer sem deixar porventura uma alma errante… A caminho do céu?
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